<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539</id><updated>2011-12-27T05:56:12.949-08:00</updated><category term='POLÍTICA'/><category term='CAMUS'/><title type='text'>IR AO FUNDO E VOLTAR</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>185</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-177668755154415517</id><published>2011-12-27T04:33:00.000-08:00</published><updated>2011-12-27T05:56:12.962-08:00</updated><title type='text'>Discurso de Helmut Schmidt no Congresso do SPD, 4 de Dezembro de 2011, Berlim</title><content type='html'>Discurso «A Alemanha na e com a Europa», Helmut Schmidt, ex-chanceler, no Congresso ordinário do SPD, Berlim, 4 de Dezembro de 2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queridos Amigos, minhas Senhoras e meus Senhores!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixai-me começar com uma nota pessoal. Quando o Sigmar Gabriel, o Frank-Walter Steinmeier e o meu Partido me pediram mais uma vez uma contribuição, gostei de recordar como há 65 anos eu e a Locki, de joelhos no chão, pintavamos cartazes para o SPD em Hamburgo-Neugraben. Na verdade tenho de confessar desde já: no que diz respeito a toda a política partidária, já estou para além do Bem e do Mal, por causa da minha idade. Há muito que para mim, em primeiro e em segundo lugar, se encontram as tarefas e o papel da nossa nação no indispensável âmbito união europeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simultaneamente estou satisfeito por poder partilhar esta tribuna como o nosso vizinho norueguês Jens Stoltenberg, que no centro de uma profunda infelicidade da sua nação nos deu a nós e a todos os europeus um exemplo a seguir de direção liberal e democrática de um estado de direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto homem já muito velho, penso naturalmente em longos períodos temporais – quer para trás na História, quer para a frente na direção do desejado e pretendido futuro. Contudo, não pude dar há alguns dias uma resposta clara a uma pergunta muito simples. Wolfgang Thierse perguntara-me: «Quando será a Alemanha, finalmente, um país normal?» E eu respondi: num futuro próximo a Alemanha não será um país «normal». Já que contra isso está a nossa carga histórica enorme mas única. E além disso está contra isso a nossa posição central preponderante, demográfica e economicamente, no centro do nosso bastante pequeno continente mas organizado em múltiplos estados-nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com isto já estou no centro do complexo tema do meu discurso: a Alemanha na Europa, com a Europa e pela Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Razões e origens da integração europeia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de em alguns poucos dos cerca de 40 Estados europeus a consciência de ser uma nação se ter desenvolvido tardiamente – assim em Itália, na Grécia e na Alemanha – sempre houve em todo o lado guerras sangrentas. Pode-se compreender esta história europeia – observada da Europa Central – como uma&lt;br /&gt;pura sequência de lutas entre a periferia e o centro e vice-versa. Sempre o centro se manteve o campo de batalha decisivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os governantes, os estados ou os povos no centro da Europa foram fracos, então os vizinhos da periferia avançaram para o centro. A maior destruição e as relativamente elevadas baixas humanas aconteceram na primeira guerra dos 30 anos entre 1618 e 1648, que se desenrolou fundamentalmente em solo alemão. A Alemanha era, nessa época, simplesmente um conceito geográfico, definido de forma desfocada só pelo espaço da língua alemã. Mais tarde vieram os franceses, sob Luís XIV e de novo sob Napoleão. Os suecos não vieram uma segunda vez; mas sim diversas vezes os ingleses e os russos, a última vez com Stáline.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando as dinastias ou os Estados eram fortes no centro da Europa – ou quando se sentiram fortes! – então atacaram a periferia. Isto é válido para as cruzadas, que foram simultaneamente cruzadas de conquista não só na direção da Ásia Menor e Jerusalém, mas também na direção da Prússia Oriental e na de todos os três estados bálticos atuais. Na idade moderna é válido para as guerras contra Napoleão e é válido para as três guerras de Bismarck em 1864, 1866 e 1870/71.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo é válido principalmente para a segunda guerra dos 30 anos de 1914 a 1945. É especialmente válido para os avanços de Hitler até ao Cabo Norte, até ao Cáucaso, até à ilha grega de Creta, até ao sul da França e até mesmo a Tobruk, perto da fronteira líbio-egípcia. A catástrofe europeia, provocada pela Alemanha, incluiu a catástrofe dos judeus europeus e a catástrofe do estado nacional alemão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas antes os polacos, as nações bálticas, os checos, os eslovacos, os austríacos, os húngaros, os eslovenos, os croatas tinham partilhado o destino dos alemães na medida em que todos eles, desde há séculos, tinham sofrido sob a sua posição geopolítica central neste pequeno continente europeu. Ou dito de outra forma: diversas vezes, nós, alemães, fizemos sofrer os outros sob a nossa central posição de poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia, as reivindicações territoriais conflituais, os conflitos linguísticos e fronteiriços, que ainda na primeira metade do século XX desempenharam um papel importante na consciência das nações, tornaram-se de facto insignificantes, pelo menos para nós alemães.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto na opinião pública e na opinião publicada nas nações europeias o conhecimento e a lembrança das guerras da Idade Média se encontram amplamente esquecidos, a lembrança de ambas as guerras do século XX e a ocupação alemã desempenham todavia ainda um papel latente dominante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso ser para nós alemães decisivo que quase todos os nossos vizinhos – e para além disso quase todos os judeus no mundo inteiro – se recordem do holocausto e das infâmias que aconteceram durante a ocupação alemã nos países da periferia. Não está suficientemente claro para nós alemães que provavelmente entre quase todos os nossos vizinhos, ainda por muitas gerações, se mantém uma desconfiança contra os alemães.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também as gerações alemãs posteriores têm de viver com este peso histórico. E as atuais não devem esquecer: foi a desconfiança com um futuro desenvolvimento da Alemanha que justificou o início da integração europeia em 1950.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1946, Churchill, no seu grande discurso em Zurique, tinha duas razões para apelar aos franceses para se entenderem com os alemães e construírem com ele os Estados Unidos da Europa: em primeiro lugar a defesa conjunta perante a União Soviética, que parecia ameaçadora, mas em segundo a integração da Alemanha numa aliança ocidental alargada. Porque Churchill previa perspicazmente a recuperação económica da Alemanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando em 1950, quatro anos depois do discurso de Churchill, Robert Schuman e Jean Monnet apresentaram o plano Schuman para a integração da indústria pesada europeia, a razão foi a mesma, a razão da integração alemã. Charles de Gaulle, que dez anos mais tarde propôs a Konrad Adenauer a reconciliação, agiu pelo mesmo motivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto aconteceu na perspetiva realista de um possível desenvolvimento futuro do poder alemão. Não foi o idealismo de Victor Hugo, que em 1849 apelou à união da Europa, nem nenhum idealismo esteve presente em 1950/52 no início da integração europeia então limitada à Europa Ocidental. Os estadistas dessa época na Europa e na América (nomeio George Marshall, Eisenhower, também Kennedy, mas principalmente Churchill, Jean Monnet, Adenauer e de Gaulle ou também Gasperi e Henri Spaak) não agiram de forma nenhuma por idealismo europeu, mas sim a partir do conhecimento da história europeia até à data. Agiram no juízo realista da necessidade de impedir uma continuação da luta entre a periferia e o centro alemão. Quem ainda não entendeu este motivo original da integração europeia que continua a ser um elemento fundamental, falta-lhe a condição indispensável para solucionar a presente crise altamente precária da Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais, durante os anos 60, 70 e 80, a então República Federal ganhava em peso económico, militar e político, mais a integração europeia se tornava aos olhos dos governantes europeus o seguro contra  uma nova possível tentação de poder alemã. A resistência inicial de Margaret Tatcher ou de Miterrand ou de Andreotti em 1989/90 contra a unificação dos dois estados alemães do pós-guerra estava claramente fundada na preocupação de uma Alemanha poderosa no centro deste pequeno continente europeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria aqui de fazer um pequeno percurso pessoal. Ouvi Jean Monnet quando participei no seu comité «Pour les États-Unis d’Europe». Foi em 1955. Para mim Jean Monnet é um dos franceses mais perspicazes que eu conheci na minha vida em questões de integração, também por causa do seu conceito de avançar passo a passo na integração europeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde aí que, por compreender o interesse estratégico da nação alemã, me tornei e me mantive um partidário da integração europeia, um partidário da integração da Alemanha, não por idealismo. (Isto levou-me a uma controvérsia com Kurt Schumacher por mim muito respeitado presidente do meu partido (...))&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levou-me a concordar, nos anos 50, com os planos do então Ministro dos Negócios Estrangeiros polaco Rapacki. No início dos anos 60 escrevi então um livro contra a estratégia oficial ocidental da retaliação nuclear, com que a NATO, na qual ontem como hoje nos encontrávamos integrados, ameaçava a poderosa União Soviética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A União Europeia é necessária&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Gaulle e Pompidou continuaram nos anos 60, e início dos anos 70, a integração europeia, para integrar a Alemanha – mas também não queriam de maneira nenhuma integrar o seu próprio estado. Depois disso, o bom entendimento entre Giscard d’Estaing e eu próprio, levou a um período de cooperação franco-alemão e à continuação da integração europeia, um período que depois da primavera de 1990 continuou com êxito entre Miterrand e Kohl. Ao mesmo tempo desde 1950/52 que a comunidade europeia cresceu, até 1991, passo a passo de seis para doze membros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças ao amplo trabalho preparatório de Jacques Delors (na altura presidente da Comissão Europeia), Miterrand e Kohl acordaram, em 1991, em Maastricht a moeda comum – o euro – que se tornou realidade dez anos mais tarde, em 2001. De novo na sua origem a preocupação francesa de uma Alemanha demasiado poderosa, mais exatamente de um marco demasiado poderoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto o euro tornou-se na segunda moeda mais importante da economia mundial. Esta moeda europeia é até, quer interna, quer externamente, mais estável do que o dólar americano e mais estável do que o marco foi nos seus últimos dez anos. Toda a conversa sobre uma suposta «crise do euro» é conversa fiada leviana dos media, de jornalistas e de políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas desde Maastricht, desde 1991/92, que o mundo mudou imensamente. Assistimos à libertação das nações do leste europeu e à implosão da União Soviética. Assistimos à ascensão fenomenal da China, da Índia, do Brasil e outros «estados emergentes», que antigamente chamávamos «Terceiro Mundo». Simultaneamente, as economias reais de grande parte do mundo «globalizaram-se»: quase todos os estados no mundo dependem uns dos outros. Principalmente, os actores nos mercados financeiros globalizados apropriaram-se de um poder, por enquanto, totalmente sem controlo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas paralelamente, quase sem se dar por isso, a humanidade multiplicou-se de forma explosiva atingindo os 7 mil milhões. Quando nasci eram cerca de 2 mil milhões. Todas estas enormes mudanças tiveram consequências tremendas nos povos europeus, nos seus estados, no seu bem-estar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, todas as nações europeias envelhecem e por todo o lado desce o número de cidadãos europeus. Em meados do século XXI seremos provavelmente 9 mil milhões de pessoas a viver na Terra, enquanto todas as nações europeias não ultrapassarão os 7%. 7% de 9 mil milhões. Até 1950, os europeus representaram, durante mais de dois séculos, mais de 20% da população mundial. Mas desde há 50 anos que nós europeus diminuímos – não só em números absolutos, mas principalmente em relação à Ásia, África e América Latina. Da mesma forma desce a parte dos europeus no produto social global, isto é na criação de riqueza de toda a humanidade. Até 2050 descerá até aos 10%; em 1950 ainda representava 30%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada uma das nações europeias, em 2050, representará já só uma parte de um 1% da população mundial. Quer dizer: se queremos ter a esperança de nós europeus termos importância no mundo, então só a teremos em conjunto. Porque enquanto Estados separados – seja a França, Itália ou Alemanha ou Polónia, Holanda ou Dinamarca ou Grécia – só nos poderão contar em milésimos e não mais em números percentuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqui resulta o interesse estratégico a longo prazo dos estados europeus na sua cooperação integradora. Este interesse estratégico na integração europeia aumentará em importância cada vez mais. Até agora ainda não está amplamente consciencializado pelas nações. Também os respetivos governos não as consciencializam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso, porém de a União Europeia no decorrer do próximo decénio não conseguir – mesmo que limitada – uma capacidade conjunta de atuação, não é de excluir uma marginalização auto-provocada dos estados e da civilização europeia. Do mesmo modo não se pode excluir, num caso destes, o ressuscitar de lutas concorrenciais e de prestígio entre os estados europeus. Numa situação destas a integração da Alemanha não poderia funcionar. O velho jogo entre centro e periferia podia de novo tornar-se realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo mundial de esclarecimento, de propagação dos direitos das pessoas e da sua dignidade, o direito constitucional e a democratização não receberia mais nenhum impulso eficaz da Europa. Nesta perspetiva, a comunidade europeia torna-se uma necessidade vital para os estados nacionais do nosso velho continente. Esta necessidade ultrapassa as motivações de Churchill e de Gaulle. Também ultrapassa as motivações de Monnet e os de Adenauer. E hoje também engloba as motivações de Ernst Reuter, Fitz Ehler, Willy Brandt e também Helmut Kohl.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acrescento: certamente que também se trata ainda e sempre da integração da Alemanha. Por isso, nós alemães temos de ganhar clareza sobre a nossa tarefa, o nosso papel no contexto da integração europeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A Alemanha necessita de constância e fiabilidade&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se no final de 2011 olharmos para a Alemanha com os olhos dos nossos vizinhos mais próximos e mais distantes, desde há um decénio que a Alemanha provoca inquietação – recentemente também preocupação política. Nos últimos anos surgiram dúvidas consideráveis sobre a constância da política alemã. A confiança na garantia da política alemã está abalada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas dúvidas e preocupações assentam também nos erros de política externa dos nossos políticos e governos. Por outro lado baseiam-se no, para o mundo inesperado, poder económico da República Federal unificada. A nossa economia tornou-se – iniciando nos anos 70, nessa época ainda dividida – na maior da Europa. Tecnológica, financeira e socialmente é hoje uma das economias mais eficientes do mundo. O nosso poder económico e a nossa, em comparação muito estável, paz social desde há decénios também provocaram inveja – tanto mais que a nossa taxa de desemprego e a nossa dívida se encontram dentro da normalidade internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, não nos é suficientemente claro que a nossa economia esteja profundamente integrada no mercado comum europeu, quer em grande medida globalizada e assim dependente da conjuntura mundial. Iremos assim assistir como, no próximo ano, as nossas exportações não aumentarão significativamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas simultaneamente desenvolveu-se um grave erro, nomeadamente os enormes excedentes da nossa balança comercial. Desde há anos que os excedentes representam 5% do nosso PIB. São comparáveis aos excedentes da China. Isto não nos é completamente claro porque os excedentes não se contabilizam em marcos, mas em euros. Mas é necessário que os nossos políticos consciencializem esta circunstância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque todos os nossos excedentes são, na realidade, os défices dos outros. As exigências que temos com os outros, são as suas dívidas. Trata-se de uma violação irritante do que nós consideramos um elevado  ideal legal do «equilíbrio da economia externa». Esta violação tem de inquietar os nossos parceiros. E quando ultimamente aparecem vozes estrangeiras, na maioria dos casos vozes americanas – entretanto vêm de muitos lados – que exigem da Alemanha um papel de condução europeia, então isso desperta nos nossos vizinhos mais desconfiança. E acorda más recordações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta evolução económica e a simultânea crise da capacidade de ação dos órgãos da união europeia empurraram de novo a Alemanha para um papel central. A chanceler aceitou solícita este papel juntamente com o presidente francês. Mas há, de novo, em muitas capitais europeias e também em muitos media uma crescente preocupação com o domínio alemão. Desta vez não se trata de uma potência militar e política central, mas sim de um potente centro económico!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Aqui é necessário uma séria, cuidadosamente equilibrada advertência aos políticos alemães, aos media e à nossa opinião pública.&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Se nós alemães nos deixássemos seduzir, baseados no nosso poder económico, por reivindicar um papel político dirigente na Europa ou pelo menos desempenhar o papel de primus inter pares, então um número cada vez maior dos nossos vizinhos resistiria eficazmente. A preocupação da periferia europeia com um centro da Europa demasiado forte regressaria rapidamente. As consequências prováveis de uma tal evolução seriam atrofiadoras para a UE. E a Alemanha cairia no isolamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A República Federal da Alemanha, muito grande e muito eficaz, precisa – também para se defender de si própria! – de se encaixar na integração europeia. Por isso desde os tempos de Helmut Kohl, desde 1992 que o artº 23º da Constituição nos obriga a colaborar «... no desenvolvimento da União Europeia». Este artº 23º obriga-nos a esta cooperação também no «princípio da subsidiariedade...». A crise atual da capacidade de ação dos órgãos da UE não muda em nada estes princípios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nossa posição geopolítica central, mais o papel infeliz no decorrer da história europeia até meados do século XX, mais a nossa capacidade produtiva atual, tudo isto exige de todos os governos alemães uma grande dose de compreensão dos interesses dos nossos parceiros na EU. E a nossa prestabilidade é indispensável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, alemães, também não conseguimos sozinhos a grande reconstrução e capacidade de produção nos últimos 6 decénios. Elas não teriam sido possíveis sem a ajuda das potências vencedoras ocidentais, sem a nossa inclusão na comunidade europeia e na aliança atlântica, sem a ajuda dos nossos vizinhos, sem a mudança política na Europa de leste e sem o fim da ditadura comunista. Nós, alemães, temos razões para estarmos gratos. E simultaneamente temos a obrigação de nos mostramos dignos da solidariedade através da solidariedade com os nossos vizinhos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo contrário, ambicionar um papel próprio na política mundial e ambicionar prestígio político mundial seria bastante inútil, provavelmente até prejudicial. Em todo o caso, mantém-se indispensável a estreita cooperação com a França e a Polónia, com todos os nossos vizinhos e parceiros na Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É minha convicção que reside no interesse estratégico cardinal da Alemanha a longo prazo, não se isolar e não se deixar isolar. Um isolamento no espaço do ocidente seria perigoso. Um isolamento no espaço da EU ou da zona euro seria ainda mais perigoso. Para mim, este interesse da Alemanha ocupa um lugar inequivocamente mais importante do que qualquer interesse tático de todos os partidos políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os políticos e os media alemães têm, com mil demónios, a obrigação e o dever de defender este conhecimento de forma duradoura na opinião pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando alguém dá a entender que hoje e no futuro falar-se-á alemão na Europa; quando um ministro alemão dos negócios estrangeiros pensa que aparições adequadas nas televisões em Tripoli, Cairo ou Cabul são mais importantes do que contactos políticos com Lisboa, Madrid, Varsóvia ou Praga, Dublin, Haia Copenhaga ou Helsínquia; quando um outro acha ter de se defender de uma «União de transferência» - então tudo isto é mera fanfarronice prejudicial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, a Alemanha foi durante longos decénios pagador líquido! Podíamos fazê-lo e fizemo-lo desde Adenauer. E naturalmente que Grécia, Portugal ou Irlanda foram sempre recebedores líquidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta solidariedade talvez não seja hoje suficientemente clara para a classe política alemã. Mas até agora foi evidente. Também evidente – e para além disso desde Lisboa incluído no tratado – o princípio da subsidiariedade: aquilo que um estado não pode ou não consegue resolver, tem de ser assumido pela UE.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o plano Schuman que Konrad Adenauer aceitou, por instinto político acertado, a oferta francesa contra a resistência quer de Kurt Schumacher, quer de Ludwig Erhard. Adenauer avaliou corretamente o interesse estratégico de longo prazo da Alemanha – apesar da divisão da Alemanha! Todos os sucessores – assim também Brandt, Schmidt, Kohl e Schröder – prosseguiram a política de integração de Adenauer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as táticas da ordem do dia, da política interna ou da política externa nunca questionaram o interesse estratégico alemão de longo prazo. Por isso todos os nossos vizinhos e parceiros puderam confiar, durante decénios, na constância da política europeia alemã – e na verdade independentemente de todas as mudanças de governo. Esta continuidade mantém-se conveniente também no futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A situação atual da EU exige energia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As contribuições conceptuais alemãs foram sempre naturais. Também se deve manter assim no futuro. No entanto não devíamos antecipar o futuro longínquo. Mudanças no tratado, mesmo assim, só poderiam corrigir em parte erros e omissões na realidade criada há vinte anos em Maastricht. As propostas atuais para as mudanças no Tratado de Lisboa em vigor não me parecem muito úteis para um futuro próximo, se nos lembrarmos das dificuldades até agora com todas as diversas ratificações nacionais, ou nos referendos com resultados negativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordo por isso com Napolitano, o Presidente italiano, quando, num notável discurso em Outubro exigiu que nós hoje nos temos de concentrar no que é necessário hoje fazer. E que para isso temos de esgotar as possibilidades que os tratados em vigor nos proporcionam – especialmente o reforço das regras orçamentais e da política económica na zona Euro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atual crise da capacidade de ação dos órgãos da EU criados em Lisboa, não pode continuar! Com a exceção do BCE, todos os órgãos – Parlamento Europeu, Conselho Europeu, Comissão Europeia e Conselho de Ministros – todos eles, desde a superação da aguda crise dos bancos de 2008 e especialmente da consequente crise da dívida soberana, contribuíram pouco para uma ajuda eficaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há nenhuma receita para a superação da atual crise de liderança na EU. Serão necessários vários passos, alguns simultâneos, outros consecutivos. Não serão só necessárias, capacidade de análise e energia, mas também paciência! Nisso as contribuições concepcionais alemãs não se podem reduzir a chavões. Não devem ser apresentadas na praça televisiva, mas em vez disso confidencialmente nos grémios dos órgãos da EU. Os alemães não devem apresentar como exemplo ou medida de toda as coisas aos nossos parceiros europeus, nem a nossa ordem económica ou social, nem o nosso sistema federal, nem a nossa política constitucional orçamental ou financeira, mas sim simplesmente enquanto exemplo entre várias outras possibilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos nós em conjunto somos responsáveis pelos efeitos futuros na Europa por tudo o que hoje a Alemanha faz ou deixa de fazer. Precisamos de razoabilidade europeia. Mas não precisamos só de razoabilidade, mas também de um coração compreensivo com os nossos vizinhos e parceiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordo num ponto importante com Jürgen Habermas, que recentemente referiu que – e cito - «...na realidade assistimos agora pela primeira vez na história da EU a uma desmontagem da Democracia!!» (fim da citação). De facto: não só o Conselho Europeu, incluindo o seu Presidente, também a Comissão Europeia, incluindo o seu Presidente e os diversos Conselhos de Ministros e toda a burocracia de Bruxelas marginalizaram em conjunto o princípio democrático! Eu caí no erro, na época em que introduzimos a eleição para o Parlamento europeu, de pensar que o Parlamento conseguiria o seu peso próprio. Na verdade até agora não teve nenhuma influência reconhecível na superação da crise, já que as suas discussões e resoluções não têm até agora nenhum resultado público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso quero apelar a Martin Schulz: é tempo de o senhor e os seus colegas democratas-cristãos, socialistas, liberais e verdes, em conjunto mas de forma drástica, conseguirem ser ouvidos publicamente. Provavelmente o campo da totalmente insuficiente fiscalização sobre os bancos, bolsas e os seus instrumentos financeiros, desde o G20 em 2008, adequa-se na perfeição para um tal levantamento do Parlamento Europeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente alguns milhares de brookers nos EUA e na Europa, mais algumas agências de notação tornaram reféns os governos politicamente responsáveis na Europa. Não é de esperar que Barack Obama possa vir fazer muito contra isso. O mesmo é válido para o governo britânico. Realmente, os governos do mundo inteiro salvaram, na verdade, os bancos em 2008/09 com as garantias e o dinheiro dos impostos dos cidadãos. Mas já em 2010, esta manada de executivos financeiros, altamente inteligentes e simultaneamente propensos à psicose, jogava, de novo, o seu velho jogo do lucro e das bonificações. Um jogo de azar e em prejuízo dos que não são jogadores, que eu e Marion Dönhoff já nos anos 90 criticámos como muito perigoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já que ninguém quer agir, então os participantes da zona Euro têm de o fazer. Para isso o caminho pode ser o do artº 20º do Tratado de Lisboa em vigor. Aí prevê-se expressamente, que Estados-membros sós ou em conjunto «estabeleçam entre eles uma cooperação reforçada». Em todo o caso, os Estados membros da zona euro deveriam impor uma regulação enérgica do seu mercado financeiro comum. Desde a separação entre, por um lado, os normais bancos de negócios e, por outro, os bancos de investimento e bancos sombra até à proibição da venda de derivados, desde que não autorizados pela fiscalização oficial da Bolsa - até à restrição eficaz dos negócios das, por enquanto, não fiscalizadas agências de notação no espaço da zona euro. Não quero, minhas senhoras e meus senhores, aborrecê-los com mais detalhes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naturalmente que o globalizado lobby dos banqueiros iria empregar todos os meios contra. Já conseguiu até agora impedir toda a regulamentação eficaz. Possibilitou para si mesmo que a manada dos seus brookers tenha colocado os governos europeus na situação difícil de ter de inventar sempre novos «fundos de estabilização» e alargá-los através de «alavancas». É tempo de resistir. Se os europeus conseguirem ter a coragem e a força para uma regulação eficaz dos mercados financeiros, então podemos no médio prazo tornarmo-nos numa zona de estabilidade. Mas se falharmos, então o peso da Europa continuará a diminuir – e o mundo evolui na direção de um Duovirato entre Washington e Pequim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguramente que para o futuro próximo da zona euro todos os passos anunciados e pensados até agora são necessários. Deles fazem parte os fundos de estabilização, o limite máximo de endividamento e o seu controlo, uma política económica e fiscal comum, deles fazem parte uma série de reformas nacionais na política fiscal, de despesa, na política social e na política laboral. Mas forçosamente, também uma dívida comum será inevitável. Nós, alemães, não nos devemos recusar por razões nacionais e egoístas.&lt;br /&gt;Mas de forma nenhuma devemos propagar para toda a Europa uma política extrema de deflação. Razão tem Jacques Delors quando exige, em conjunto com o saneamento do orçamento, a introdução e financiamento de projetos que fomentem o crescimento. Sem crescimento, sem novos postos de trabalho, nenhum Estado pode sanear o seu orçamento. Quem acredita que a Europa pode, só através de poupanças orçamentais, recompor-se faça o favor de estudar o resultado fatal da política de deflação de Heinrich Brüning em 1930/32.&lt;br /&gt;Provocou uma depressão e um desemprego de uma tal dimensão que deu início à queda da primeira democracia alemã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Aos meus amigos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminemos, queridos amigos! No fundo, não é preciso pregar solidariedade internacional aos sociais-democratas. A social-democracia é desde há século e meio internacionalista – em muito maior medida do que gerações de liberais, de conservadores ou de nacionalistas alemães. Nós, sociais-democratas, não abdicámos da liberdade e da dignidade de cada ser humano. Simultaneamente não abdicámos da democracia representativa, da democracia parlamentar. Estes princípios obrigam-nos hoje à solidariedade europeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De certo que a Europa, também no século XXI, será constituída por estados nacionais, cada um com a sua língua e a sua própria história. Por isso a Europa não se tornará de certeza num Estado Federal. Mas a UE também não pode degenerar numa mera aliança de estados. A UE tem de se manter uma aliança dinâmica, em evolução. Não há em toda a história da humanidade nenhum exemplo. Nós, social-democratas, temos de contribuir para a evolução passo a passo desta aliança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais envelhecemos, mais pensamos em períodos longos. Também enquanto homem velho me mantenho fiel aos três princípios do Programa de Godesberg: liberdade, justiça, solidariedade. Penso, a propósito, que hoje a justiça exige antes de mais igualdade de oportunidades para as crianças, para estudantes e jovens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando olho para trás, para 1945 ou posso olhar para 1933 – tinha acabado de fazer 14 anos – o progresso que fizemos até hoje parece-me quase inacreditável. O progresso que os europeus alcançaram desde o Plano Marshall, 1948, desde o Plano Schuman, 1950, graças a Lech Walesa e ao Solidarnosz, graças a Vaclav Havel e à Charta 77, que agradecemos àqueles alemães em Leipzig e Berlim Oriental desde a grande mudança em 1989/91.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podíamos imaginar nem em 1918, nem em 1933, nem em 1945 que hoje uma grande parte da Europa se regozija pelos Direitos Humanos e pela paz. Por isso mesmo trabalhemos e lutemos para que a UE, historicamente única, saia firme e autoconfiante da sua presente fraqueza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;© SPD 2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[A tradução é deficiente e introduzi algumas correções mas, no conjunto, o texto é apreensível e por isso, atento o seu interesse intrínseco, e atualidade, o publico.]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-177668755154415517?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/177668755154415517/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=177668755154415517&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/177668755154415517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/177668755154415517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2011/12/discurso-de-helmut-schmidt-no-congresso.html' title='Discurso de Helmut Schmidt no Congresso do SPD, 4 de Dezembro de 2011, Berlim'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-6186680848275477152</id><published>2011-12-12T02:09:00.001-08:00</published><updated>2011-12-12T02:16:16.330-08:00</updated><title type='text'>MES - ATÉ MAIS VER ...</title><content type='html'>&lt;br /&gt;Quando da primeira notícia logo escrevemos: "Este blogue foi criado, exclusivamente, para facilitar os contactos e promover a divulgação de um almoço/convívio de celebração do 30º aniversário do que ficou conhecido como "Jantar de Extinção do Movimento de Esquerda Socialista (MES)" e será desactivado logo após a sua realização."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostamos de vos encontrar no passado dia 12 de Novembro de 2011 no que concebemos sempre como um simples encontro, nem mais nem menos, liberto de equívocos e aberto ao reconhecimento de memórias que hão-de perdurar para sempre nas nossas inteligências e corações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tratando-se de um convite é natural que nos congratulemos com as aceitações mas nem por isso os ausentes deixaram de integrar a memória colectiva de uma vivência comum que o MES propiciou e da qual quase todos, os que nela participaram nas suas diversas fases, se orgulha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As nossas desculpas por não termos sido capazes de fazer chegar a mensagem do encontro a todas, e todos qque nele desejariam participar. Mesmo assim fomos muitos e diversos, de todas as confluências e dissensões, regiões e grupos sócio profissionais, quase alcançando o milagre da igualdade de género.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os nossos renovados agradecimentos a todos os que, com a sua participação desinteressada, tornaram possível a realização deste almoço/convívio cumprindo-nos destacar, em particular, a colaboração do António Martins, da Ana Cordovil e do Robin Fior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta Comissão, intitulada de recepção, feito o balanço, achando-se confortável com o sentimento que cada um guardou da iniciativa, e estando as contas certas, despede-se com amizade, até mais ver...deixando o blogue disponível para que quem lhe aprouver dele desfrute.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lisboa, 11 de Dezembro de 2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Comissão de Recepção&lt;br /&gt;António Pais, Eduardo Graça, Filomena Aguilar, Helena Caniço, Inês Cordovil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os participantes no almoço de dia 12 de Novembro de 2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adelaide de Jesus&lt;br /&gt;Aires da Costa&lt;br /&gt;Albano Varela e Silva&lt;br /&gt;Albertina Bustorff&lt;br /&gt;Alberto Martins&lt;br /&gt;Alberto Valente&lt;br /&gt;Alexandre Abrantes&lt;br /&gt;Alexandre Barroso &lt;br /&gt;Alexandre Pinto Monteiro&lt;br /&gt;Américo Madeira Bárbara&lt;br /&gt;Ana Alice Nobre&lt;br /&gt;Ana Carla Grosso Santos&lt;br /&gt;Ana Catarina Margalha Miranda&lt;br /&gt;Ana Cordovil&lt;br /&gt;Ana Fraga&lt;br /&gt;Ana Margarida Meneses&lt;br /&gt;Ana Maria Gaspar&lt;br /&gt;Ana Mendonça&lt;br /&gt;Ana Pato&lt;br /&gt;Ana Pinho&lt;br /&gt;Ana Pires&lt;br /&gt;André Garrido&lt;br /&gt;Ângela Maria Costa&lt;br /&gt;António A. Costa&lt;br /&gt;António Adérito Araújo&lt;br /&gt;António Branco&lt;br /&gt;António Cavalheiro Dias&lt;br /&gt;António Cortes Simões&lt;br /&gt;António Curto&lt;br /&gt;António Girão&lt;br /&gt;António Goulão&lt;br /&gt;António Luís Neto&lt;br /&gt;António Marques&lt;br /&gt;António Pais&lt;br /&gt;António Robalo&lt;br /&gt;António Romão&lt;br /&gt;António Santos Júnior&lt;br /&gt;Artur Lami&lt;br /&gt;Artur Valentim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bela Pereira Martins&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;C&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Barata Correia&lt;br /&gt;Carlos Figueiredo&lt;br /&gt;Carlos Gouveia Pinto (Cagé)&lt;br /&gt;Carlos Vargas&lt;br /&gt;Carlos Vitorino&lt;br /&gt;Catarina Clemente&lt;br /&gt;Catarina Roseta&lt;br /&gt;Clara Pires&lt;br /&gt;Conceição Martins&lt;br /&gt;Constantino Ferreira&lt;br /&gt;Cristina Ganhão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;D&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diogo Ramalheira&lt;br /&gt;Diomar Santos&lt;br /&gt;Dionísia Martins&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edilberto Moço&lt;br /&gt;Edmundo Martinho&lt;br /&gt;Eduardo Allen&lt;br /&gt;Eduardo Ferro Rodrigues&lt;br /&gt;Eduardo Graça&lt;br /&gt;Eduardo Mendes&lt;br /&gt;Egas Salgueiro&lt;br /&gt;Elisa Ferreira&lt;br /&gt;Emília Pereira de Moura&lt;br /&gt;Ermita Paisana&lt;br /&gt;Ernesto Santos&lt;br /&gt;Evelyn Doering&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;F&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fátima Picão&lt;br /&gt;Faustino Ferreira&lt;br /&gt;Fausto Cardoso&lt;br /&gt;Fernando Figueiredo&lt;br /&gt;Fernando Freire de Sousa&lt;br /&gt;Fernando Pinto&lt;br /&gt;Fernando Serrasqueiro&lt;br /&gt;Filipa Allen&lt;br /&gt;Filomena Aguilar&lt;br /&gt;Filomena Araújo&lt;br /&gt;Filomena de Sousa (Filó)&lt;br /&gt;Francisca Cordovil&lt;br /&gt;Francisca Moura&lt;br /&gt;Francisco Camões&lt;br /&gt;Francisco Conduto&lt;br /&gt;Francisco Manuel Abrunhosa&lt;br /&gt;Francisco Seixas da Costa&lt;br /&gt;Francisco Soares&lt;br /&gt;Francisco Sousa Dias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;G&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gilda Cardoso&lt;br /&gt;Gonçalo Ruivo&lt;br /&gt;Guida Faria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;H&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heitor Girão&lt;br /&gt;Helder Morais&lt;br /&gt;Helena Caniço&lt;br /&gt;Hermínio da Silva Botelho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inês Cordovil&lt;br /&gt;Isabel Cordovil&lt;br /&gt;Isabel Gaivão&lt;br /&gt;Isabel Sarmento&lt;br /&gt;Ivette Cavalheiro Dias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J. Cerieira de Figueiredo&lt;br /&gt;João Amorim&lt;br /&gt;João Batista&lt;br /&gt;João Cordovil&lt;br /&gt;João Cravinho&lt;br /&gt;João Ernesto Fonseca&lt;br /&gt;João Ferro Rodrigues&lt;br /&gt;João Grade&lt;br /&gt;João Martinho&lt;br /&gt;João Mota&lt;br /&gt;João Roseta&lt;br /&gt;João Rosmaninho&lt;br /&gt;João Trigo&lt;br /&gt;João Wengorovius Meneses&lt;br /&gt;Joaquim Mestre&lt;br /&gt;Jorge Abegão&lt;br /&gt;Jorge Conceição&lt;br /&gt;Jorge Sampaio&lt;br /&gt;Jorge Strecht Ribeiro&lt;br /&gt;Jorge Taborda&lt;br /&gt;Jorge Tavares e Sousa&lt;br /&gt;Jorge Wemans&lt;br /&gt;José Alberto Rigor Tavares&lt;br /&gt;José António Vieira da Silva&lt;br /&gt;José Carlos Albino&lt;br /&gt;José Catela&lt;br /&gt;José Dias&lt;br /&gt;José Ferro Camacho&lt;br /&gt;José Francisco de Almeida&lt;br /&gt;José Galamba de Oliveira&lt;br /&gt;José Gama&lt;br /&gt;José Júlio Paisana&lt;br /&gt;José Leite Pereira&lt;br /&gt;José Luís Pio de Abreu&lt;br /&gt;José Manuel de Almeida Martins da Silva&lt;br /&gt;José Manuel Galvão Teles&lt;br /&gt;José Manuel Silva&lt;br /&gt;José Moniz da Cunha&lt;br /&gt;José Moutinho&lt;br /&gt;José Osório&lt;br /&gt;José Pena do Amaral&lt;br /&gt;José Pratas&lt;br /&gt;José Reis&lt;br /&gt;José Serrano Gordo&lt;br /&gt;José Silvino Mendonça Zita&lt;br /&gt;José Vilaça&lt;br /&gt;Josiane Mil-Homens&lt;br /&gt;Julieta Fernandes&lt;br /&gt;Julieta Mateus&lt;br /&gt;Júlio Pereira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;L&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laura Boavida&lt;br /&gt;Lena d'Almeida&lt;br /&gt;Lénia Real&lt;br /&gt;Leonor Belo&lt;br /&gt;Luciano José Gago Mendonça&lt;br /&gt;Luís Borges da Gama&lt;br /&gt;Luís Cruz e Silva&lt;br /&gt;Luís Ferro Meneses&lt;br /&gt;Luís Filipe Castro Mendes&lt;br /&gt;Luís Macara&lt;br /&gt;Luís Martins&lt;br /&gt;Luís Matias&lt;br /&gt;Luís Miranda&lt;br /&gt;Luís Moita&lt;br /&gt;Luís Salgado Matos&lt;br /&gt;Luís Trigo&lt;br /&gt;Luisa Ivo&lt;br /&gt;Luisa Pedroso de Lima&lt;br /&gt;Luisa Simões&lt;br /&gt;Luiza Allen&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madalena Figueiredo&lt;br /&gt;Manuel Bandeira&lt;br /&gt;Manuel Maria Ramos Graça&lt;br /&gt;Manuel Pedroso de Lima&lt;br /&gt;Manuel Pires&lt;br /&gt;Manuel Raimundo&lt;br /&gt;Manuel Sousa Pereira&lt;br /&gt;Manuela Barreto Nunes&lt;br /&gt;Manuela Lacerda&lt;br /&gt;Marcolino Abrantes&lt;br /&gt;Margarida Barahona&lt;br /&gt;Margarida Figueiredo&lt;br /&gt;Margarida Guimarães&lt;br /&gt;Margarida Leão&lt;br /&gt;Margarida Marcelino Marques&lt;br /&gt;Margarida Ruivo&lt;br /&gt;Margarida Santos&lt;br /&gt;Margarida Santos Coelho&lt;br /&gt;Margarida Vaz Pato&lt;br /&gt;Maria Antónia Pedroso Lima&lt;br /&gt;Maria do Carmo Pais&lt;br /&gt;Maria do Carmo Peralta&lt;br /&gt;Maria da Conceição Margalha&lt;br /&gt;Maria do Rosário Pereira&lt;br /&gt;Maria Eugénia Pires&lt;br /&gt;Maria Fernanda Campos&lt;br /&gt;Maria Gouveia Pereira&lt;br /&gt;Maria João Pereira&lt;br /&gt;Maria João Brito&lt;br /&gt;Maria João Pereira&lt;br /&gt;Maria João Sequeira&lt;br /&gt;Maria José Cary&lt;br /&gt;Maria Júlia Abrantes&lt;br /&gt;Maria Júlia Rocha Marques&lt;br /&gt;Maria Luís Rocha Pinto&lt;br /&gt;Maria Luísa Silva&lt;br /&gt;Maria Manuel Amaral (Mané)&lt;br /&gt;Maria Manuel Neto&lt;br /&gt;Maria Margarida Ramos&lt;br /&gt;Maria Odete Bernardes&lt;br /&gt;Maria Olímpia Duarte Fernandes (Pimpas)&lt;br /&gt;Maria Paula Rodrigues&lt;br /&gt;Maria Teresa Rocheta&lt;br /&gt;Maria Virgínia de Sousa&lt;br /&gt;Maria Vitória Duarte Gago&lt;br /&gt;Mariana Dias&lt;br /&gt;Mariana Trigo Pereira&lt;br /&gt;Mariana Vieira da Silva&lt;br /&gt;Marília Patriarca&lt;br /&gt;Mário Trigo&lt;br /&gt;Marta Wengorovius&lt;br /&gt;Miguel Vieira da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Natal Vaz&lt;br /&gt;Nazaré Pimparel&lt;br /&gt;Nuno Allen&lt;br /&gt;Nuno Brederode Santos&lt;br /&gt;Nuno Faria&lt;br /&gt;Nuno Silva Miguel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oscar Mascarenhas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patrícia Carvalho&lt;br /&gt;Paula Alegre&lt;br /&gt;Paula Brito Pereira&lt;br /&gt;Paula Myre Dôres&lt;br /&gt;Paulo Braula Reis&lt;br /&gt;Paulo Lains&lt;br /&gt;Paulo Ruivo &lt;br /&gt;Paulo Trigo Pereira&lt;br /&gt;Pedro Barahona&lt;br /&gt;Pedro Félix&lt;br /&gt;Pedro Lencastre&lt;br /&gt;Pedro Rodrigues&lt;br /&gt;Pedro Torres&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raquel Carvalho&lt;br /&gt;Raquel Lopes&lt;br /&gt;Raul Esteves&lt;br /&gt;Raul Pinheiro Henriques&lt;br /&gt;Ricardo Roseta&lt;br /&gt;Rita Ferro Rodrigues&lt;br /&gt;Rita Ganhão&lt;br /&gt;Rita Wengorovius&lt;br /&gt;Robin Fior&lt;br /&gt;Rogério de Jesus&lt;br /&gt;Rosa Valente&lt;br /&gt;Rosário Ávila de Melo&lt;br /&gt;Rosário Belmar da Costa&lt;br /&gt;Rosário Gama&lt;br /&gt;Rui Almeida&lt;br /&gt;Rui Augusto da Silva Neves&lt;br /&gt;Rui Estanco Junqueira Lopes&lt;br /&gt;Rui Manaças&lt;br /&gt;Rui Namorado&lt;br /&gt;Rui Oliveira Santos&lt;br /&gt;Rui Vieira Nery&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;S&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sara Amâncio&lt;br /&gt;Sara da Conceição Calado Lopes Sá Fernandes&lt;br /&gt;Sofia Aguilar Teixeira&lt;br /&gt;Sofia Ganhão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;T&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teresa Avelar&lt;br /&gt;Teresa Jorge&lt;br /&gt;Teresa Macara&lt;br /&gt;Teresa Madureira&lt;br /&gt;Teresa Trigo de Sousa&lt;br /&gt;Teresa Vaz Pato&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valter Vinagre&lt;br /&gt;Victor Esteves&lt;br /&gt;Virgílio Ferreira&lt;br /&gt;Virgílio Louro&lt;br /&gt;Vítor Barros&lt;br /&gt;Vitor Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-6186680848275477152?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/6186680848275477152/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' 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Estiveram presentes protagonistas das principais cisões e vários rostos da vida completa do MES. Estiveram presentes cidadãos que usaram a sua vida sem protagonismo na esfera pública, militantes de diversas causas generosas, militantes políticos sem exposição mediática, detentores de prestígios exteriores à política, deputados e ex-deputados, ex-Ministros, ex-Secretários de Estado, ex-Secretários Gerais do Partido Socialista, um ex-Presidente da República. Sem mesas de honra, sem primeiras filas, sem vénias, mas com um grande calor humano, com uma fraternidade subtil mas patente, bem dispostos. Gente com uma auto-imagem suficientemente afirmativa para pensar que o que fez, em conjunto, sob aquela bandeira, por pouco que tivesse sido, foi importante; mas com a auto-ironia bastante para saber que essa importância não justifica a empáfia da grandiloquência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se um voo rápido da imaginação nos levasse a ver toda aquela gente, apostando numa iniciativa política comum, é realista pensar-se que a paisagem política portuguesa seria outra. E mesmo que, num assomo de modéstia, a imaginação se limitasse ao espaço de um único partido (pensando naquele a que pertenço, penso no PS), é realista pensar-se que, se aqueles que ali estavam e são militantes do PS, traduzissem o sentido que atribuíram aos sonhos ali comemorados numa imaginação política actual, em que todos se reconhecessem, rapidamente nos afastaríamos de qualquer cinzentismo abafado. Mas todos sabemos que essa imaginação não é realizável, embora a devamos deixar pairar como sombra orientadora ou como amável e virtuosa ameaça, ainda que frágil e suave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo deixou, no que cada um de nós viu no rosto dos outros, a sua implacável marca e uma discreta melancolia. A memória foi-nos reconduzindo aos rostos dos nossos passados, num intercâmbio de recordações dispersas e calorosas, por vezes simplesmente intuídas, às vezes passageiras, sempre luminosas. As diferenças antigas tornaram-se pequenas e amigáveis. O essencial ficou de pé, como uma saudade da razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos um tempo em que algumas narrativas das grandes esquerdas já foram encerradas nos atalhos da história, enquanto outras parecem ter perdido o futuro, quando se deixaram extraviar demasiadas vezes nos seus presentes. Mas o tempo cruel do capitalismo agonizante não conseguiu fechar, na arca dos impossíveis e do esquecimento, as desamparadas narrativas das pequenas esquerdas. Elas que nasceram frágeis e minoritárias (quando eram enormes as narrativas dum realmente existente, que afinal não existia), questionando-se ao mesmo tempo que questionavam, subsistem com simplicidade, abertas a novos sonhos e a novas maneiras de sonhar um futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cientes da diversidade de opiniões ali presente, mas que a ninguém embaraçou, aquelas centenas de cidadãos, sob a superfície emocionada de uma simples efeméride, penso eu, que homenagearam a semente de utopia que há trinta e quarenta anos os animou. Uma utopia feita de palavras simples, virtuosamente indissociáveis, sedentas de uma sinergia insubstituível: liberdade e democracia; igualdade e justiça; fraternidade e solidariedade. Ou seja, sair do capitalismo pela mão do povo, através da sua vida e da sua força, através de mutações sociais politicamente sustentadas, com a ajuda (apenas ajuda, ainda que importante) de um Estado que seja democraticamente seu. Numa palavra, levar a democracia ao extremo de si própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rui Namorado (Acerca do almoço dos ex-MES realizado em 12 de Novembro de 2011)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-28442649870386622?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/28442649870386622/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=28442649870386622&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/28442649870386622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/28442649870386622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2011/11/um-passado-com-futuro.html' title='UM PASSADO COM FUTURO'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-2550737764734776415</id><published>2011-11-02T18:31:00.001-07:00</published><updated>2011-11-02T18:31:23.189-07:00</updated><title type='text'>D. Carlos Azevedo</title><content type='html'>&lt;iframe frameborder="0" width="430" height="275" src="http://www.dailymotion.com/embed/video/xgtwrm"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.dailymotion.com/video/xgtwrm_palestra-bispo-d-carlos-azevedo_news" target="_blank"&gt;Palestra Bispo D. Carlos Azevedo&lt;/a&gt; &lt;i&gt;por &lt;a href="http://www.dailymotion.com/Plataforma_Global" target="_blank"&gt;Plataforma_Global&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-2550737764734776415?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/2550737764734776415/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=2550737764734776415&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/2550737764734776415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/2550737764734776415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2011/11/d-carlos-azevedo_9885.html' title='D. Carlos Azevedo'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-2645335276557970232</id><published>2011-10-31T16:58:00.000-07:00</published><updated>2011-10-31T17:00:16.874-07:00</updated><title type='text'>PAUL KRUGMAN - Islandia, el camino que no tomamos</title><content type='html'>Los mercados financieros están celebrando el pacto alcanzado en Bruselas a primera hora del jueves. De hecho, en relación con lo que podría haber sucedido (un amargo fracaso para ponerse de acuerdo), que los dirigentes europeos se hayan puesto de acuerdo en algo, por imprecisos que sean los detalles y por deficiente que resulte, es un avance positivo.Al revés que el resto, Islandia dejó arruinarse a los bancos y amplió su red de seguridad socialPero merece la pena retroceder para contemplar el panorama general, concretamente el lamentable fracaso de una doctrina económica, una doctrina que ha infligido un daño enorme tanto a Europa como a Estados Unidos.La doctrina en cuestión se resume en la afirmación de que, en el periodo posterior a una crisis financiera, los bancos tienen que ser rescatados, pero los ciudadanos en general deben pagar el precio. De modo que una crisis provocada por la liberalización se convierte en un motivo para desplazarse aún más hacia la derecha; una época de paro masivo, en vez de reanimar los esfuerzos públicos por crear empleo, se convierte en una época de austeridad, en la cual el gasto gubernamental y los programas sociales se recortan drásticamente.Nos vendieron esta doctrina afirmando que no había ninguna alternativa -que tanto los rescates como los recortes del gasto eran necesarios para satisfacer a los mercados financieros- y también afirmando que la austeridad fiscal en realidad crearía empleo. La idea era que los recortes del gasto harían aumentar la confianza de los consumidores y las empresas. Y, supuestamente, esta confianza estimularía el gasto privado y compensaría de sobra los efectos depresores de los recortes gubernamentales.Algunos economistas no estaban convencidos. Un escéptico afirmaba cáusticamente que las declaraciones sobre los efectos expansivos de la austeridad eran como creer en el "hada de la confianza". Bueno, vale, era yo.Pero, no obstante, la doctrina ha sido extremadamente influyente. La austeridad expansiva, en concreto, ha sido defendida tanto por los republicanos del Congreso como por el Banco Central Europeo, que el año pasado instaba a todos los Gobiernos europeos -no solo a los que tenían dificultades fiscales- a emprender la "consolidación fiscal".Y cuando David Cameron se convirtió en primer ministro de Reino Unido el año pasado, se embarcó inmediatamente en un programa de recortes del gasto, en la creencia de que esto realmente impulsaría la economía (una decisión que muchos expertos estadounidenses acogieron con elogios aduladores).Ahora, sin embargo, se están viendo las consecuencias, y la imagen no es agradable. Grecia se ha visto empujada por sus medidas de austeridad a una depresión cada vez más profunda; y esa depresión, no la falta de esfuerzo por parte del Gobierno griego, ha sido el motivo de que en un informe secreto enviado a los dirigentes europeos se llegase la semana pasada a la conclusión de que el programa puesto en práctica allí es inviable. La economía británica se ha estancado por el impacto de la austeridad, y la confianza tanto de las empresas como de los consumidores se ha hundido en vez de dispararse.Puede que lo más revelador sea la que ahora se considera una historia de éxito. Hace unos meses, diversos expertos empezaron a ensalzar los logros de Letonia, que después de una terrible recesión se las arregló, a pesar de todo, para reducir su déficit presupuestario y convencer a los mercados de que era fiscalmente solvente. Aquello fue, en efecto, impresionante, pero para conseguirlo se pagó el precio de un 16% de paro y una economía que, aunque finalmente está creciendo, sigue siendo un 18% más pequeña de lo que era antes de la crisis.Por eso, rescatar a los bancos mientras se castiga a los trabajadores no es, en realidad, una receta para la prosperidad. ¿Pero había alguna alternativa? Bueno, por eso es por lo que estoy en Islandia, asistiendo a una conferencia sobre el país que hizo algo diferente.Si han estado leyendo las crónicas sobre la crisis financiera, o viendo adaptaciones cinematográficas como la excelente Inside Job, sabrán que Islandia era supuestamente el ejemplo perfecto de desastre económico: sus banqueros fuera de control cargaron al país con unas deudas enormes y al parecer dejaron a la nación en una situación desesperada.Pero en el camino hacia el Armagedón económico pasó una cosa curiosa: la propia desesperación de Islandia hizo imposible un comportamiento convencional, lo que dio al país libertad para romper las normas. Mientras todos los demás rescataban a los banqueros y obligaban a los ciudadanos a pagar el precio, Islandia dejó que los bancos se arruinasen y, de hecho, amplió su red de seguridad social. Mientras que todos los demás estaban obsesionados con tratar de aplacar a los inversores internacionales, Islandia impuso unos controles temporales a los movimientos de capital para darse a sí misma cierto margen de maniobra.¿Y cómo le está yendo? Islandia no ha evitado un daño económico grave ni un descenso considerable del nivel de vida. Pero ha conseguido poner coto tanto al aumento del paro como al sufrimiento de los más vulnerables; la red de seguridad social ha permanecido intacta, al igual que la decencia más elemental de su sociedad. "Las cosas podrían haber ido mucho peor" puede que no sea el más estimulante de los eslóganes, pero dado que todo el mundo esperaba un completo desastre, representa un triunfo político.Y nos enseña una lección al resto de nosotros: el sufrimiento al que se enfrentan tantos de nuestros ciudadanos es innecesario. Si esta es una época de increíble dolor y de una sociedad mucho más dura, ha sido por elección. No tenía, ni tiene, por qué ser de esta manera. PAUL KRUGMANPaul Krugman es profesor de Economía en Princeton y premio Nobel 2008. 2001. New York Times Service. Traducción de News Clips. [in El Pais  30-10-2011]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-2645335276557970232?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/2645335276557970232/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=2645335276557970232&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/2645335276557970232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/2645335276557970232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2011/10/paul-krugman-islandia-el-camino-que-no.html' title='PAUL KRUGMAN - Islandia, el camino que no tomamos'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-2720164335660380104</id><published>2011-04-13T14:39:00.000-07:00</published><updated>2011-04-13T14:43:40.024-07:00</updated><title type='text'>Robert M. Fishman - acerca do "resgate"</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;PORTUGAL’S plea for help with its debts from the International Monetary Fund and the European Union last week should be a warning to democracies everywhere. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;The crisis that began with the bailouts of Greece and Ireland last year has taken an ugly turn. However, this third national request for a bailout is not really about debt. Portugal had strong economic performance in the 1990s and was managing its recovery from the global recession better than several other countries in Europe, but it has come under unfair and arbitrary pressure from bond traders, speculators and credit rating analysts who, for short-sighted or ideological reasons, have now managed to drive out one democratically elected administration and potentially tie the hands of the next one. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;If left unregulated, these market forces threaten to eclipse the capacity of democratic governments — perhaps even America’s — to make their own choices about taxes and spending. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Portugal’s difficulties admittedly resemble those of Greece and Ireland: for all three countries, adoption of the euro a decade ago meant they had to cede control over their monetary policy, and a sudden increase in the risk premiums that bond markets assigned to their sovereign debt was the immediate trigger for the bailout requests. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;But in Greece and Ireland the verdict of the markets reflected deep and easily identifiable economic problems. Portugal’s crisis is thoroughly different; there was not a genuine underlying crisis. The economic institutions and policies in Portugal that some financial analysts see as hopelessly flawed had achieved notable successes before this Iberian nation of 10 million was subjected to successive waves of attack by bond traders. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Market contagion and rating downgrades, starting when the magnitude of Greece’s difficulties surfaced in early 2010, have become a self-fulfilling prophecy: by raising Portugal’s borrowing costs to unsustainable levels, the rating agencies forced it to seek a bailout. The bailout has empowered those “rescuing” Portugal to push for unpopular austerity policies affecting recipients of student loans, retirement pensions, poverty relief and public salaries of all kinds. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;The crisis is not of Portugal’s doing. Its accumulated debt is well below the level of nations like Italy that have not been subject to such devastating assessments. Its budget deficit is lower than that of several other European countries and has been falling quickly as a result of government efforts. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;And what of the country’s growth prospects, which analysts conventionally assume to be dismal? In the first quarter of 2010, before markets pushed the interest rates on Portuguese bonds upward, the country had one of the best rates of economic recovery in the European Union. On a number of measures — industrial orders, entrepreneurial innovation, high-school achievement and export growth — Portugal has matched or even outpaced its neighbors in Southern and even Western Europe. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Why, then, has Portugal’s debt been downgraded and its economy pushed to the brink? There are two possible explanations. One is ideological skepticism of Portugal’s mixed-economy model, with its publicly supported loans to small businesses, alongside a few big state-owned companies and a robust welfare state. Market fundamentalists detest the Keynesian-style interventions in areas from Portugal’s housing policy — which averted a bubble and preserved the availability of low-cost urban rentals — to its income assistance for the poor. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A lack of historical perspective is another explanation. Portuguese living standards increased greatly in the 25 years after the democratic revolution of April 1974. In the 1990s labor productivity increased rapidly, private enterprises deepened capital investment with help from the government, and parties from both the center-right and center-left supported increases in social spending. By the century’s end the country had one of Europe’s lowest unemployment rates. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;In fairness, the optimism of the 1990s gave rise to economic imbalances and excessive spending; skeptics of Portugal’s economic health point to its relative stagnation from 2000 to 2006. Even so, by the onset of the global financial crisis in 2007, the economy was again growing and joblessness was falling. The recession ended that recovery, but growth resumed in the second quarter of 2009, earlier than in other countries. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domestic politics are not to blame. Prime Minister José Sócrates and the governing Socialists moved to cut the deficit while promoting competitiveness and maintaining social spending; the opposition insisted it could do better and forced out Mr. Sócrates this month, setting the stage for new elections in June. This is the stuff of normal politics, not a sign of disarray or incompetence as some critics of Portugal have portrayed it. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Could Europe have averted this bailout? The European Central Bank could have bought Portuguese bonds aggressively and headed off the latest panic. Regulation by the European Union and the United States of the process used by credit rating agencies to assess the creditworthiness of a country’s debt is also essential. By distorting market perceptions of Portugal’s stability, the rating agencies — whose role in fostering the subprime mortgage crisis in the United States has been amply documented — have undermined both its economic recovery and its political freedom. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In Portugal’s fate there lies a clear warning for other countries, the United States included. Portugal’s 1974 revolution inaugurated a wave of democratization that swept the globe. It is quite possible that 2011 will mark the start of a wave of encroachment on democracy by unregulated markets, with Spain, Italy or Belgium as the next potential victims. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Americans wouldn’t much like it if international institutions tried to tell New York City, or any other American municipality, to jettison rent-control laws. But that is precisely the sort of interference now befalling Portugal — just as it has Ireland and Greece, though they bore more responsibility for their fate. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Only elected governments and their leaders can ensure that this crisis does not end up undermining democratic processes. So far they seem to have left everything up to the vagaries of bond markets and rating agencies. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.nytimes.com/2011/04/13/opinion/13fishman.html?_r=1&amp;amp;hpw"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;By ROBERT M. FISHMAN&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-2720164335660380104?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/2720164335660380104/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=2720164335660380104&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/2720164335660380104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/2720164335660380104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2011/04/robert-m-fishman-acerca-do-resgate.html' title='Robert M. Fishman - acerca do &quot;resgate&quot;'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-2015006963424890896</id><published>2011-04-10T10:52:00.000-07:00</published><updated>2011-04-10T11:20:45.088-07:00</updated><title type='text'>EDUARDO FERRO RODRIGUES - Intervenção no Congresso do PS - 9 de Abril de 2011</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Caro Presidente, meu querido António Almeida Santos &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Caro Secretário Geral José Socrates&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Caras e Caros Amigos e Camaradas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;É com grande emoção que volto a falar num congresso do Partido Socialista, quase 7 anos depois. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Emoção acrescida devido às palavras do nosso Secretario Geral José Sócrates. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Palavras sinceras, palavras sentidas, palavras amigas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Grande emoção, mas também grande responsabilidade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Respondi positivamente ao desafio de José Sócrates e voltarei a curtíssimo prazo para Portugal para participar nesta batalha histórica, em momento tão difícil para o nosso país.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para mim este não é um tempo de abandono, é um tempo de regresso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este não é um tempo de calculismo, é um tempo de combate, um tempo de afirmação das nossas respostas, dos nossos valores, dos nossos princípios.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com a aprovação das listas de candidatos pelos órgãos responsáveis do PS, desencadearei as diligências administrativas para solicitar a exoneração do cargo de Chefe da Missão de Portugal junto da OCDE, para estar liberto destas funções antes da entrega das listas de candidatos, como a lei impõe. Entretanto, a transição na nossa Delegação e na OCDE será realizada com a responsabilidade que a minha missão obriga.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Servir Portugal, durante mais de 5 anos, neste importante posto foi uma honra inesquecível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amigas, Amigos, Camaradas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Portugal vive uma situação muito difícil. A nossa economia de há muito que tem problemas de crescimento, sobretudo depois da presença na zona euro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As debilidades do nosso modelo de crescimento, conjugadas na zona euro com o aumento da nossa dívida externa, privada e pública, tornaram a economia portuguesa num elo frágil face à dureza da crise internacional.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os esforços que foram feitos para aumentar o nosso potencial de crescimento - com investimentos na educação e formação, nas infraestruturas, na simplificação e modernização administrativa, nas energias renováveis, apesar de muito significativos, revelaram-se insuficientes para travar a tormenta financeira que nos atingiu. Tormenta financeira que, é bom que se sublinhe, nenhuma grande organização internacional, do FMI à OCDE, passando pela União Europeia, conseguiu prever. Nenhuma Organização previu nem a eclosão dessa tormenta financeira, nem as suas consequências económicas e sociais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tormenta financeira causada pelos mesmos que, à escala mundial, agora mais beneficiam dela - fundos especulativos, agências de notação, gestores financeiros sem escrúpulos, mas com muitos prémios. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 2009, as palavras de ordem um pouco por todo o lado eram de incentivar os Estados para o gasto público, para evitar que a grande recessão se transformasse em grande depressão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, o que se passou, foi uma autêntica socialização das perdas de muitas instituições financeiras, e se é verdade que a depressão foi evitada, a realidade é que o desemprego explodiu em muitos países e os défices e dividas publicas bateram recordes em algumas das maiores economias (como os Estados Unidos, o Japão ou Reino Unido) e das economias médias mais vulneráveis (Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E entretanto o que fez a Europa? Quando se começou a perceber que os países da periferia do Euro eram um alvo, houve alguma resposta rápida, eficaz e dissuasora? Não, o que se passou foi exactamente o contrário. A União Europeia deu corda à especulação, gerou autênticos ciclos viciosos de défice, recessão e desconfiança nos países ameaçados. Só muito tarde na União Europeia se começou a discutir como transformar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira num mecanismo preventivo e não num simples mecanismo de apoio concebido para intervir tardiamente, quando o destino económico e social de muitos países já estava traçado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fazem falta na Europa, nos grandes países do Euro, estadistas cuja visão nacional seja enformada pela perspectiva Europeia. Como disse recentemente Mário Soares “quando se fizer a história desta tão apagada fase politica da União Europeia perceberemos melhor as responsabilidades e a tacanhez de vistas dos respectivos protagonistas”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em suma, é verdade que as raízes da nossa crise são portuguesas, mas quem escamoteia o papel da crise internacional e da paralisia europeia no agravamento dos nossos problemas está a distorcer a realidade dos factos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em resumo, quem assim procede, falta à verdade. Mais por ódio político do que por desconhecimento do que se passou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amigas, Amigos, Camaradas,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando, embora com regras de jogo ainda míopes e insuficientes, estivemos a caminho de alcançar um patamar de maior estabilidade financeira, apoiados pela Comissão Europeia e pelo Banco Central Europeu, desencadeou-se a crise politica com a rejeição do PEC, a queda do Governo e a convocação de eleições antecipadas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como outros antigos Secretários Gerais do PS, apelei até ao fim para a negociação, para que se evitasse uma crise política no pior momento para o País.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A verdade é que só o Governo se mostrou disponível para o dialogo e não vi apelos de outros quadrantes políticos - senão muito tímidos e quase envergonhados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como é sabido, já em Agosto de 2009 defendi a existência de um governo de maioria parlamentar perante a gravidade da crise internacional que nos ameaçava.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Governos com maioria parlamentar de apoio são a situação normal nas democracias, mesmo quando as negociações são demoradas e difíceis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tal não foi possível e por isso a aventura e a irresponsabilidade podiam revelar-se em qualquer momento. E revelaram-se no pior momento possível para Portugal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A irresponsabilidade política de nem sequer querer negociar, a ambição partidária de assalto ao poder, o aventureirismo sectário triunfaram e com isso sofreu o nosso País.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que tinha que acontecer, aconteceu. Em pouco tempo, os mercados financeiros, estimulados pelas agências de notação, agindo como vampiros pró-ciclicos, atingiram duramente a capacidade de financiamento da República Portuguesa, das empresas públicas e do sistema financeiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sei que em situação tão melindrosa, as decisões de há três dias do governo do PS de solicitar a assistência europeia foram decisões sofridas, determinadas pelo primado do interesse nacional. Não posso no entanto deixar de manifestar a minha estranheza por aqueles que derrubaram o Governo atacando o PEC, hoje comemorarem a negociação de um PEC mais gravoso, só para verem em tempo pré eleitoral o país nas mãos da ajuda internacional do FEEF e do FMI, situação que José Sócrates e o governo do PS tentavam evitar por imperativo patriótico&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amigas, Amigos, Camaradas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Infelizmente, os dias, meses e anos que aí vêm serão de dificuldades e sacrifícios. É fundamental não apenas que eles sejam distribuídos de forma socialmente justa como também que não ponham em causa as bases do nosso tardio mas importante modelo social. Mais importante que as dificuldades conjunturais dos serviços e de eventuais restrições nos valores das prestações sociais, é a sua própria existência, a defesa da sua permanência como base para desenvolvimentos sustentáveis futuros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A responsabilidade social do Estado no combate à pobreza, na educação e formação dos jovens, no apoio aos idosos, no serviço nacional de saúde, é absolutamente fundamental. E muito disto vai estar em causa em 5 de Junho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As portuguesas e os portugueses não podem permitir que as reivindicações históricas da direita portuguesa, sem coragem para as impor, quando teve frequentemente maiorias absolutas, sejam levadas à prática a coberto e em cumplicidade com exigências internacionais, que alguns não só aceitam como desejam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amigas, Amigos e Camaradas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Posso testemunhar a estupefacção com que a crise política portuguesa foi recebida à escala internacional.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Posso testemunhar o apreço com que em muitas capitais e Organizações Internacionais foi visto o esforço reformista do Governos nos últimos 5 anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Posso testemunhar o reconhecimento que existe pela coragem do Primeiro Ministro José Sócrates, tão frequentemente vilipendiado aqui. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu Caro José Sócrates, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Falo-te com a autoridade de quem te criticou em algumas das poucas intervenções públicas que fiz nestes últimos anos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por vezes achei que faltava humildade quando se pediam sacrifícios aos portugueses; que a crise internacional esteve demasiado ausente no teu discurso político em 2008 e 2009; que ao enfatizares o lado bom da nossa evolução, das exportações, da inovação - das energias renováveis, dos resultados mais próximos da média da OCDE dos nossos alunos - devias relembrar sempre o Portugal que sofre e se sacrifica: os desempregados, jovens e menos jovens, os que passam subitamente da classe média para a quase exclusão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou de acordo contigo quando dizes que por vezes a falsa humildade é a pior das arrogâncias e que um Primeiro Ministro deve ser optimista e remar contra a maré.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As nossas posições não são pois contraditórias, são complementares.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Reconhecendo os teus esforços, a tua coragem e determinação, é sem hesitação que estou a teu lado, neste momento tão difícil e tão decisivo para Portugal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou convencido de que a História te vai dar razão. Nas tuas preocupações reformistas pelo desenvolvimento do país. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A história mostrará que a razão não está nos corporativismos e populismos que querem capturar o Pais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E a história começa em Junho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqui no PS, nos momentos de dificuldade, respondemos sempre presente!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, mais do que nunca temos de afirmar as nossas posições. Portugal tem os olhos postos no nosso Congresso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois das eleições, e de acordo com os resultados, mais uma vez deveremos manifestar a nossa disponibilidade para o diálogo, com sentido de Estado e pondo acima de tudo o interesse de Portugal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou certo que assim será.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas agora é tempo de avançar com determinação e coragem para a vitória!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Viva o PS!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Viva Portugal!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-2015006963424890896?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/2015006963424890896/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=2015006963424890896&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/2015006963424890896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/2015006963424890896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2011/04/eduardo-ferro-rodrigues-intervencao-no.html' title='EDUARDO FERRO RODRIGUES - Intervenção no Congresso do PS - 9 de Abril de 2011'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-883148750504124858</id><published>2011-04-06T14:09:00.000-07:00</published><updated>2011-04-06T14:09:40.088-07:00</updated><title type='text'>"Decisão mais premente é reestruturar dívida externa"</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O economista Ricardo Cabral, professor do Departamento de Economia e Gestão e do Centro de Competência em Ciências Sociais da Universidade da Madeira e doutorado em Economia pela Universidade da Carolina do Sul, Estados Unidos, insiste em que a reestruturação da dívida externa é a questão essencial na atual crise de risco de default que o país atravessa. Além do mais, esta opção deveria estar em carteira, face aos próprios resultados da aplicação dos programas de resgate na Grécia e na Irlanda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda hoje, o "Financial Times Deutschland" referia que "vários ministros das Finanças" europeus se começam a inclinar para a necessidade dessa opção no caso grego. Recorde-se que o Ecofin (conselho dos ministros das Finanças e da Economia da União Europeia) se reúne em Budapeste na próxima sexta-feira informalmente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A última vez que Portugal procedeu a uma reestruturação da dívida foi em 1892, tendo o processo de negociação demorado dez anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Multiplicam-se as opiniões pedindo que o Governo português recorra a auxílio externo, desde a ideia de pedidos diretos ao Fundo Monetário Internacional (como teria sido alvitrado no Conselho de Estado), de "empréstimo intercalar" da Comissão Europeia (apesar de tal figura não existir por ora), de resgate puro e simples no estilo do realizado pela Irlanda, até mesmo empréstimo de emergência do BCE. Continua a achar que o caminho, no curto prazo, é o uso de outros instrumentos financeiros e não o recurso ao FEEF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira)?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Embora nos encontremos atualmente numa situação bem mais dramática e premente, pelas razões conhecidas, é um erro recorrer à ajuda externa neste momento e espero que o governo tenha a força para perseverar neste momento difícil do país, apesar dos sucessivos obstáculos de agências de ratings e instituições europeias (BCE) que quase parecem concertados. Não pretendo aqui entrar na discussão politico-partidária em que esta questão económica infelizmente se tornou, mas é minha firme convicção que recorrer ao atual pacote de ajuda externa do FEEF/FMI é contra o interesse nacional.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Porque razão? &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por três razões: implica que o país deixa de ter a opção de reestruturar unilateralmente a sua dívida soberana e de definir o tempo, a forma e o montante dessa re-estruturação de dívida. Essa reestruturação de dívida é, na prática, inevitável; a taxa de juro exigida pelo FEEF/FMI é demasiado elevada e deve ser renegociada em baixa; ao aceitar essa ajuda perdemos muita da soberania sobre a política económica. O FMI, o BCE, e a Comissão Europeia não têm conhecimento suficientemente detalhado sobre as causas da crise nacional. O programa de resposta que desenharam é desajustado da realidade portuguesa e não irá resultar, à semelhança do que está a ocorrer, aliás, com a Grécia e com a Irlanda. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Em que sentido é desajustado?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As condições atuais da ajuda FEEF/FMI, determinadas em grau significativo pelos países credores, enfraquecem a posição negocial de Portugal face aos nossos parceiros europeus, alguns dos quais são simultaneamente os nossos principais credores. Ao aceitar essa "ajuda" prejudicam-se as negociações que irão ocorrer ao longo dos próximos meses e anos para definir os detalhes da reestruturação de dívida. A reestruturação de dívida externa nacional é a decisão económica mais premente e mais importante de uma geração. É do interesse nacional reestruturar a sua dívida externa. Na minha perspetiva, Portugal só será capaz de voltar a ter crescimento sustentável se optar, o mais rapidamente possível, por reestruturar a sua dívida de forma substancial, à imagem do que a Islândia fez e dos sinais que são dados pela nova liderança na Irlanda em relação à dívida do setor bancário. É porque não gostaria de ver o país a retroceder nas próximas décadas, que defendo essa tese. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Mas como pode Portugal atravessar este período pré-eleitoral com a enorme pressão sobre os juros que se faz sentir no mercado secundário da dívida?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No curto prazo o país deveria utilizar outros instrumentos financeiros que não a FEEF/FMI. Existem ainda algumas opções importantes a que se pode recorrer para responder às dificuldades de financiamento que o país enfrenta e cumprir com as obrigações financeiras nacionais no curto prazo. Essas opções não resolvem o problema do sobre-endividamento externo nacional no médio e longo prazos. Mas permitiriam ganhar algum tempo para definir a estratégia nacional de resposta à crise, negociar com os nossos parceiros europeus e com os credores e, posteriormente, implementar a legislação necessária. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;No caso da Grécia tem-se referido cada vez mais insistentemente que o país terá de proceder a uma reestruturação da sua dívida. Os juros no mercado secundário da dívida grega continuam a bater recordes mundiais e as medidas de austeridade parecem não conseguir surtir os efeitos pretendidos. No final da linha, a reestruturação é inevitável?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim. A reestruturação é inevitável. As lideranças dos governos da França e da Alemanha sabem que a re-estruturação é inevitável. O Mecanismo de Estabilização Europeu (MEE, European Stabilization Mechanism), a aplicar a partir de meados de 2013, já contempla uma série de instrumentos que irão facilitar a reestruturação da dívida. Contudo, com o MEE, a re-estruturação da dívida será ditada por Berlim e Paris. Além disso, receio que seja demasiado pequena, prejudicando o futuro desenvolvimento do país, por limitar o capital de que necessita para se desenvolver. Com o FEEF/FMI e a MEE, os mais importantes ativos gregos irão passar para as mãos de não residentes. Alguns dos mais importantes grupos nacionais irão perder muito dos seus ativos, que passarão para grupos estrangeiros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;No caso da Irlanda, a situação do sistema financeiro continua a ser a maior dor de cabeça, apesar do risco de default ter diminuído nestes últimos dias (estando mesmo já abaixo do risco português). Paradoxalmente, o ex-tigre Celta vê-se obrigado a quase nacionalizar todo o setor bancário e a concentrá-lo via mão do Estado. Que lições poderemos tirar do que está a ocorrer na Irlanda?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em relação ao sistema bancário deveríamos adotar uma metodologia similar à da Irlanda, embora evitando os erros cometidos pelo anterior Governo Irlandês - esses erros foram garantir toda a dívida do sistema bancário, comprar ativos tóxicos do sistema bancário e realizar aumentos de capital com dinheiros públicos. O lado positivo da resposta adotada por esse governo é que a Irlanda está a beneficiar de um subsídio elevado do Banco Central Europeu (BCE), através do financiamento que este faz ao sistema bancário irlandês. Este subsídio do sistema bancário e da economia Irlandesa é equivalente a cerca de 6% do PIB português por ano (uma percentagem maior em relação ao PIB irlandês), se assumirmos taxas de juro médias para novo financiamento de 7% ao ano. A Grécia beneficia de um subsídio um pouco menor (4,7% do PIB português, uma percentagem menor em relação ao PIB da Grécia). Comparativamente, o subsídio que o sistema bancário português - e em resultado a economia portuguesa - recebe do BCE através do sistema financeiro é somente de 1,4% do PIB.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;O que concretamente sugeriu quando referiu, recentemente, que Portugal tem de criar uma lei de resolução bancária como o fez a Inglaterra?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O país deve criar com urgência uma lei de resolução bancária (ou saneamento bancário), em colaboração com os nossos parceiros europeus. Uma lei de resolução bancária é um processo de saneamento e falência controlada de bancos que reconhece o papel fundamental desempenhado pelos bancos numa economia e as características específicas de um banco. Com uma lei de resolução bancária é possível assegurar o normal funcionamento dos bancos mesmo em situação de crise bancária. Essa lei é fundamental para permitir que os bancos continuem a desempenhar a sua função crucial na economia, que é a de canalizar poupança para investimento, concedendo crédito. O sistema bancário nacional está com problemas graves devido à sua enorme dependência do exterior. O endividamento externo líquido do sistema bancário no final de 2009 era de cerca de 50% do PIB. Sem essa lei, mesmo empresas exportadoras com lucros e competitivas internacionalmente, enfrentarão restrições de financiamento agravando a já de si difícil situação económica do país. É provável que vários bancos nacionais tenham de ser sujeitos a essa lei de resolução bancária e - arrisco - eventualmente nacionalizados. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;A reestruturação da dívida soberana portuguesa é também inevitável? Como pode isso ser feito, conhecida que é a oposição de quem manda realmente na zona euro, que pretende impor os mecanismos financeiros do FEEF?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Argumentei em entrevistas anteriores que a reestruturação da dívida portuguesa é, na prática, inevitável - inevitável é uma palavra forte dado que existe eventualmente uma pequena probabilidade de outra solução no âmbito da União Europeia. Pelas propostas que têm sido apresentadas pelos mais altos representantes do governo da Alemanha, parece-me que o governo alemão tem uma estratégia definida para responder à crise de dívida soberana. O governo francês também aparenta ter uma estratégia bem preparada. Dadas as intervenções da Chanceler Alemã Angela Merkel e do Ministro das Finanças Wolfgang Schäuble, parece-me claro que irá ocorrer uma reestruturação de dívida a partir de 2013. Só que nos moldes definidos por Berlim e Paris, como já referi.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;E esses "moldes" terão, em muito, o dedo, o estilo alemão?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tem de se compreender que a estratégia típica de resposta a crises na Alemanha é a de procurar penalizar quem errou e de salvaguardar o interesse público. Por exemplo, o governo alemão exige uma taxa de juro de 9% em parte de um pacote de ajuda de cerca de €18,2 mil milhões que concedeu ao banco privado alemão Commerzbank. Se o governo alemão exige taxas destas a empresas alemãs, é provável que haja quem possa pensar que a taxa de juro exigida pelo EFSF/FMI aos países periféricos é razoável. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://clix.expresso.pt/a-re-estruturacao-de-divida-externa-e-a-decisao-mais-premente=f642106"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Entrevista com Ricardo Cabral&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-883148750504124858?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/883148750504124858/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=883148750504124858&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/883148750504124858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/883148750504124858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2011/04/decisao-mais-premente-e-reestruturar.html' title='&quot;Decisão mais premente é reestruturar dívida externa&quot;'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-8745076201985989366</id><published>2011-03-21T04:54:00.000-07:00</published><updated>2011-03-21T04:55:26.088-07:00</updated><title type='text'>Declaraçao de Eduardo Ferro Rodrigues</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;As instituições internacionais, da União Europeia ao FMI, passando pela OCDE, acompanham com grande atenção o que se está a passar em Portugal.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;Neste momento, o mais importante não é apurar as responsabilidades por termos chegado a esta situação politica. Neste momento, o mais importante é ultrapassarmos as actuais dificuldades, tendo em conta, acima de tudo o interesse nacional. O interesse de mantermos as bases de autonomia nacional e possibilidades de construirmos um país com justiça social nas melhores e nas piores conjunturas.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;Este é o pior momento para que no nosso país se abra uma crise politica, levando a que só daqui a cerca de três meses haja um parlamento e um governo com todos os poderes constitucionais.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;É fundamental que todos os protagonistas politicos distingam o essencial do acessório e coloquem, acima de todos os interesses, os interesses de Portugal e dos Portugueses.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;A vontade politica de todos é essencial. Ainda há tempo para evitar uma crise politica desastrosa, em vésperas de uma Cimeira Europeia determinante para o nosso futuro a médio prazo, a um mês da necessidade imperiosa de obtermos financiamentos fundamentais para a normal actividade do Estado, dos portugueses, da economia, das empresas, das instituiçoes financeiras. A actualização do Programa de estabilidade e Crescimento (PEC) deve ser elaborada até finais de Abril, com iniciativa do Governo, não oposição do Parlamento, e garantia de apoio da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;Portugal tem que ter uma presença digna e activa na próxima Cimeira Europeia. Para beneficio do nosso País e do projecto europeu, tem que ser defendida a capacidade de financiamento do Estado e da Economia em condiçoes minimamente aceitáveis para o médio prazo.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;strong&gt;Não faz sentido pensar que não há tempo. O tempo para as decisões e consenso deve ser determinado pela vontade política de defender o interesse nacional. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;strong&gt;Espero que os responsaveis do Estado Portugues, Presidente da República, Assempleia da República, Governo, travem o caminho para um beco sem saída e respondam positivamente a este desafio, porque esta semana é muito importante para a vida futura de Portugal e dos portugueses.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;Declaraçao de Eduardo Ferro Rodrigues, ex Secretário-geral do PS e actual embaixador na OCDE&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;21 de Março 2011&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-8745076201985989366?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/8745076201985989366/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=8745076201985989366&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/8745076201985989366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/8745076201985989366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2011/03/declaracao-de-eduardo-ferro-rodrigues.html' title='Declaraçao de Eduardo Ferro Rodrigues'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-3663924404581647829</id><published>2011-01-18T15:31:00.000-08:00</published><updated>2011-01-18T15:31:00.216-08:00</updated><title type='text'>Muerte y resurrección de Keynes</title><content type='html'>&lt;object height="400" width="420"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/mk6vgZGdar8?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/mk6vgZGdar8?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="420" height="400"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-3663924404581647829?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/3663924404581647829/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=3663924404581647829&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/3663924404581647829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/3663924404581647829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2011/01/muerte-y-resurreccion-de-keynes.html' title='Muerte y resurrección de Keynes'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-5315654620460570270</id><published>2011-01-05T07:05:00.000-08:00</published><updated>2011-01-05T07:06:19.664-08:00</updated><title type='text'>ECONOMIA SOCIAL</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://ograndezoo.blogspot.com/2011/01/pos-graduacao-em-economia-social.html"&gt;&lt;strong&gt;Venho hoje informar-vos&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; da abertura (até 24 de Janeiro de 2011) de um concurso para frequência de uma Pós-Graduação em “&lt;strong&gt;Economia Social – Cooperativismo, Mutualismo e Solidariedade&lt;/strong&gt;”, promovida pelo Centro de Estudos Cooperativos e da Economia Social da FEUC (CECES/FEUC), do qual sou Coordenador, a qual conta com o patrocínio exclusivo do Montepio. Para além do texto que se segue, basta clicar no ícone que se encontra do vosso lado direito, para obterem mais informações.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1. Foi criado na Universidade de Coimbra, por intermédio da sua Faculdade de Economia, um curso que confere um Diploma de Pós-Graduação em “Economia Social – Cooperativismo, Mutualismo e Solidariedade”. No ano lectivo passado, teve lugar a sua primeira edição, este ano vai decorrer a segunda. Esta iniciativa é da responsabilidade do Centro de Estudos Cooperativos e da Economia Social da FEUC (CECES/FEUC), contando com o patrocínio exclusivo do Montepio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O CECES/FEUC existe desde 1981, ocupando-se do cooperativismo desde a sua fundação, tendo mais tarde estendido o âmbito do seu interesse a toda a economia social. Conta com uma equipa multidisciplinar de professores e investigadores, oriundos de áreas diversas, tais como, a Economia, a Gestão, o Direito, a Sociologia e a Psicologia. Organizou já vários Cursos Livres e Colóquios com incidência na temática da referida Pós-Graduação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2. O objectivo desta Pós-Graduação é o estudo da economia social nas suas várias vertentes, com destaque para as cooperativas, mutualidades e instituições particulares de solidariedade social, no seu todo. Mas a economia social não será apenas estudada, em si própria, mas olhada também no quadro de problemáticas, onde assume uma especial relevância.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Destina-se, fundamentalmente, a titulares de uma licenciatura, mas será possível a admissão de candidatos que, não preenchendo esse requisito, tenham uma experiência profissional muito relevante, em qualquer organização da economia social; para isso 20% das vagas serão prioritariamente destinadas a esse tipo de candidatos. Pela sua conclusão com aprovação, será atribuído um Diploma de Pós-Graduação em “Economia Social – cooperativismo, mutualismo e solidariedade”, pela Universidade de Coimbra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;3. A duração total da Pós-Graduação excede as 80 horas, distribuídas ao longo de um trimestre e correspondendo a 20 ECTS. Terá lugar no decorrer dos meses de Março, Abril, Maio e Junho de 2011, com aulas às sextas-feiras de tarde e aos sábados de manhã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O curso compreende oito módulos temáticos, para além de seis conferências sobre temas de economia social, proferidas por especialistas, nacionais e estrangeiros e de um conjunto de testemunhos de experiências vividas, prestados por alguns protagonistas de organizações da economia social. São os seguintes os referidos módulos temáticos, pelos quais são responsáveis os professores da FEUC e membros do CECES abaixo indicados:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Introdução à economia social – cooperativismo, mutualismo e solidariedade, Prof. Doutor Rui Namorado [8 h].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Empreendedorismo social, políticas e mudança social, Dr.ª Sílvia Ferreira [8h].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Fundamentos da gestão das organizações da economia social, Profª. Doutora Teresa Carla Oliveira [8 h]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Empresas e sociedade: da ética à responsabilidade social, Prof. Doutor Filipe Almeida [8 h]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sistemas de normalização contabilística para entidades sem fins lucrativos, Profª. Doutora Ana Maria Rodrigues [8 h]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Direito cooperativo e da economia social, Prof. Doutor Rui Namorado [8 h]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Gestão da qualidade nas organizações da economia social, Prof.ª Doutora Patrícia Moura e Sá [8h]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O desenvolvimento local como estratégia, Dr. Bernardo Campos [8 h]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;4. Se, por razões de força maior, alguma das iniciativas previstas não se puder realizar, será substituída por outra de importância idêntica, à luz dos objectivos desta Pós-Graduação. Se for necessário proceder a modificações pontuais do calendário lectivo, nenhuma delas poderá implicar o prolongamento da parte de contacto presencial do curso, para além do dia 18 de Junho de 2011.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;5. Agradecemos a divulgação da existência desta Pós-Graduação, junto de possíveis interessados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela tem como “numerus clausus” 25 vagas, as quais podem ser preenchidas até 20% por candidatos indicados por entidades com as quais se tenha estabelecido previamente um convénio nesse sentido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As candidaturas serão feitas online, entre 6 de Dezembro de 2010 e 24 de Janeiro de 2011, no endereço: https://inforestudante.uc.pt/nonio/security/candidaturas.do. Poderá encontrar instruções de candidatura na página Web da Pós-Graduação, em https://woc.uc.pt/feuc/course/infocurso.do?idcurso=409&amp;amp;studiesPlanMain=false&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As propinas e emolumentos compreendem: 1) uma taxa de candidatura de 50 Euros; 2) propinas no montante de 300 Euros (que poderão ser pagas de uma só vez, até ao final de Março de 2011, ou por duas vezes, até ao final de Março e até ao final de Maio, em prestações de igual valor); 3) taxa de inscrição de 20 Euros (a pagar até ao final de Março). Os candidatos que forem admitidos serão avisados para formalizarem a matrícula até uma data a fixar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-5315654620460570270?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/5315654620460570270/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=5315654620460570270&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/5315654620460570270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/5315654620460570270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2011/01/economia-social.html' title='ECONOMIA SOCIAL'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-3410017603710054695</id><published>2010-12-19T05:26:00.000-08:00</published><updated>2010-12-19T05:31:08.770-08:00</updated><title type='text'>CAMUS, A POLTRONA E A HISTÓRIA - Ou três razões para ler Camus</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Maria Luísa MALATO BORRALHO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Professora e ensaísta &lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;1&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1944. Ouviam-se ainda os tiros dos combates nas ruas de Paris. A libertação da cidade fazia-se casa a casa, bairro a bairro. É preciso tomar a Comédie Française. Talvez Sartre. Mas ninguém sabe onde está. Será Albert Camus que o vai encontrar adormecido, numa sala de espectáculos vazia. Comenta com uma gargalhada: “Tu as mis ton fauteuil dans le sens de l’histoire!”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1952. Há alguns meses tinha sido publicado &lt;em&gt;L’Homme Révolté&lt;/em&gt;. Ainda que contasse com a reacção crítica de Sartre e dos seus apóstolos, Camus não esperava a virulência do artigo que Sartre encomendara a Francis Jeanson, publicada em &lt;em&gt;Les Temps Modernes&lt;/em&gt;. Pensa responder a Jeanson, mas acaba por escrever ao autor da encomenda: insurge-se no final contra a censura brutal daqueles que “n’ont jamais placé que leur fauteuil dans le sens de l’histoire”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há poucas coisas que ofendam mais que a traição de uma gargalhada dada em uníssono. Quando se tinham encontrado em 1943, durante a guerra e na estreia de &lt;em&gt;Les Mouches&lt;/em&gt;, cada um apreciava a obra do outro. Em 1938-1939, Camus tinha manifestado admiração pelas obras de Sartre, &lt;em&gt;La Nausée&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Le Mur&lt;/em&gt;. E Sartre seria desde logo sensível ao inusitado estilo de Camus em &lt;em&gt;L’Etranger&lt;/em&gt;, publicado em 1942. Toda a amizade sincera é paritária, mas Sartre sempre acreditou demasiado na sua superioridade e Camus sistematicamente duvidava de qualquer uma que pudesse ter. Frequentariam os mesmos círculos, as mesmas esplanadas, mas brincavam sobre a confusão que os mesmos rótulos lhes causavam: a Camus desagradava sobretudo o de existencialista, se por isso se entendesse a filosofia de Sartre: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;“Sartre et moi nous nous étonnons toujours de voir nos deux noms associés. Nous pensons même publier un jour une petite annonce où les soussignés affirmeront n’avoir rien en commun et se refuseront à répondre des dettes qu’ils pourraient contracter respectivement.” (Camus, 1981: 1424)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de 1952, acentuar-se-ão velhas e novas rupturas. Camus não gosta daquela razão concreta, de uma natureza que se descreve abstracta. Não partilha a ideia dos outros como inferno. Suspeita que o Existencialismo alimenta um niilismo que desresponsabiliza o indivíduo e o entrega inteiro ao fatalismo da História. Depois da ruptura, Sartre reservará a Camus (com alguma maldade) a admiração estilística, e a incompetência filosófica: talvez porque Camus gostava que o seu estilo se não notasse e apreciava especialmente a força dos argumentos óbvios. E ainda quando comenta a morte de Camus, Sartre lhe louva ambiguamente o “Humanismo teimoso, estreito e puro”. Sartre cultivava o seu estatuto de “condutor das massas”. E Camus parecia ter o condão de defender causas perdidas. Já em 1945, no meio da euforia da vitória dos aliados, quase só Camus tinha lamentado o lançamento da bomba atómica sobre Hiroshima:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;“On nous apprend, en effet, au milieu d’une foule de commentaires enthousiastes, que n’importe quelle ville d’importance moyenne peut être totalement rasée par une bombe de la grosseur d’un ballon de football. Des journaux américains, anglais et français se répandent en dissertations élégantes sur l’avenir, le passé, les inventeurs, le coût, la vocation pacifique, et les effets guerriers, les conséquences politiques et même le caractère indépendant de la bombe atomique. Nous nous résumons en une phrase: la civilisation mécanique vient de parvenir à son dernier degré de sauvagerie.” (Camus, 1981: 291) &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;2&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Comme il était agaçant, “le chieur”… O que acaba por dividir Sartre e Camus é, afinal, aquela poltrona da Comédie Française, virada para o sentido da História, aquela em que Sartre adormeceu, embalado pelo ritmo fácil de dizer o que os outros queriam ouvir. O dogmatismo bipolar, que sempre seduz as almas simplistas e preguiçosas, fará o resto. Camus era incompreensível com a mania das “nuances”, as ideias de “révolutions relatives”, “utopies modestes”, “efforts relatifs”. Não se entendiam aquelas críticas inoportunas aos campos de concentração russos para dissidentes políticos, os seus discursos contra a repressão dos movimentos operários em Berlim-Leste, a disponibilidade com que queimava a sua imagem juntando-se ao protesto dos pobres escritores húngaros depois da invasão de um país distante, aquela “moral de Cruz Vermelha” (segundo acusação de Francis Jeanson), que fazia Camus defender colaboracionistas e colonos brancos ou trotskistas e árabes nacionalistas, a ingenuidade da trégua para a população civil argelina ou a infantilidade da sua solução federativa, que uniria colonos e árabes sob uma mesma bandeira. Até a “Castor” o ataca, em defesa do seu amor canino: ah, &lt;em&gt;La Force des Choses&lt;/em&gt;!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quase tudo Camus defendeu em vão na sua época, até porque “la vérité en histoire s’identifie au succès”, o sucesso imediato, ainda que transitório (&lt;em&gt;Actuelles I&lt;/em&gt;): “Mas em política adiar não é ganhar?” (Mathias, 2010: 34). Hoje parece óbvio que Sartre mentiu “objectivamente”, ainda quando Camus afirmava “subjectivamente” a verdade. Hoje parece óbvio o que na época não se queria ver. Basta por vezes que as almas sejam menos preguiçosas para que o mundo seja menos doloroso. E por isso escrevemos este texto para imaginar Camus, na década de 50, do século XX, prometaicamente sozinho. “Cible de toutes les flèches” (Giraud, 2010: 105). É preciso imaginá-lo assim, “solidário e solitário”, para tomarmos consciência do nosso comodismo, em muitos sentidos, a origem do absurdo que ajudamos quotidianamente a construir, como se a nossa vida não tivesse nada a ver connosco e muito menos nos importasse a vida dos outros ou as consequências que em todas elas tem a nossa profunda e indelével indiferença: “Ça m’est égal”, repetia sistematicamente Meursault. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao contrário dos outros, contrariando-os, Albert Camus importa-se. E esta é talvez a primeira razão porque o devemos ler. Ou porque o leio. A admiração veio inesperadamente, ao ler &lt;em&gt;La Chute&lt;/em&gt;, aos vinte anos, e encontrei um juiz-penitente em “Mexico City”. Lá dentro, Clamence confundia a acusação e a defesa das suas cobardias, e eu confundia-as com as minhas. É noite. Ouve-se o impacto de um corpo que cai à água, um grito que desce o rio. Silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;“Je voulus courir et je ne bougeai pas. Je tremblais, je crois, de froid et de saisissement. Je me disais qu’il fallait faire vite et je sentais une faiblesse irrésistible envahir mon corps. J’ai oublié ce que j’ai pensé alors. ‘Trop tard, trop loin…’ ou quelque chose de ce genre: j’écoutais toujours immobile.” (Camus, 1981b: 1511)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Paul Ginestier (de quem eu era então aluna, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra) chamou-nos a atenção para o momento em que Clamence piscava o olho a Sartre: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;“Surtout je m’obligeais régulièrement à visiter les cafés spécialisés où se réunissaient nos humanistes professionnels.” (Camus, 1981b: 1521) 3&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O humanismo de Camus, persistente, grandioso e cheio de nuances, permite ainda hoje ver mais longe do que a poltrona de Sartre, baixa e acomodada ao sentido da história, feita à medida da nossa vontade de adormecer. A longo prazo (por vezes tão longo), há coisas mais importantes do que vencer: uma certa forma de resistência e persistência, a mesmíssima honestidade das amendoeiras argelinas que, da noite para o dia, se cobrem de flores nas margens do deserto e do Inverno.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;“Ne pas céder, tout est là. Ne pas consentir, ne pas trahir. Toute ma violence m’y aide et le point où elle me porte mon amour m’y rejoint et, avec lui, la furieuse passion de vivre qui fait le sens de mes journées.” (Camus, 1962: 76)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Camus sempre se preocupou muito (nos outros, mas desde logo em si) com a honestidade intelectual, a honestidade estética, a honestidade profissional. Em suma, com a honestidade moral, cúmulo de todas as outras. Porque a honestidade não é mais do que esta leitura do sentido literal da palavra. “Honesta” era a planta cuja força do caule lhe permitia crescer direita, a que não se acomodava à força das outras, nem vivia enrolada no poder alheio, confundindo-se com ele. Voltamos à questão da poltrona virada para o sentido da história. Mas ainda, através dela, a outras duas razões para ler Camus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segunda razão: Albert Camus acorda-nos para a vitalidade do real. No limite, a amendoeira não precisa de razões metafísicas para florir e dar fruto. Nem espera que a Primavera surja para florir: antecipa-se, tal é a força do seu tronco. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;“Je m’émerveillais de voir ensuite cette neige fragile résister à toutes les pluies et au vent de la mer. Chaque année, pourtant, elle persistait, juste ce qu’il fallait pour préparer le fruit.” (Camus, 1981: 836)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim devia ser o homem que, à sua imagem, em estado são e pela “força do seu carácter”, naturalmente criaria beleza e multiplicaria os bons frutos. Ou o escritor que, para ser do seu tempo, não pode ficar reduzido ao seu tempo, mas há-de romper o presente e projectar-se no futuro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;“Notre tâche d’homme est de trouver les quelques formules qui apaiseront l’angoisse infinie des âmes libres. Nous avons à recoudre ce qui est déchiré, à rendre la justice imaginable dans un monde si évidemment injuste, le bonheur significatif pour des peuples empoisonnés par le malheur du siècle.” (Ibid: 835-836)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Camus dizia não ter nunca conseguido resistir à luz, à felicidade de existir, à vida livre em que tinha crescido. Marcello Duarte Mathias, numa época em que o desejo de felicidade era inconfessável, escreveu um magnífico livro sobre &lt;em&gt;A Felicidade&lt;/em&gt; em Albert Camus (Mathias, 1978: passim). Se a tal formos sensíveis, o melhor será começar por retirar da prateleira &lt;em&gt;Les Noces&lt;/em&gt;, o primeiro livro em que Camus se liberta de uma estética da abstracção para consolidar uma estética da sensação. Aos adjectivos prefere os substantivos, menospreza os advérbios se para eles encontrar um verbo. Pol Guillard repara que desaparece a expressão “comme si”, demasiado frequente na primeira versão de &lt;em&gt;L’Envers et l’Endroit&lt;/em&gt; (Guillard, 1973: 52). Em Les Noces, a linguagem “concreta” é um desejo de nudez, que alguns aproximam da sua sensualidade, mas que é muito mais a proximidade táctil com a vida. &lt;em&gt;Le Premier Homme&lt;/em&gt;, o seu último livro, deixado incompleto, parece-nos ser aquele que melhor retoma esta estética da sensação. Mas entre os dois livros, nunca a lição será esquecida. No mesmo sentido em que Sophia de Mello Breyner escreve o ensaio sobre O Nu na Antiguidade, também Camus vai descrevendo as núpcias, o compromisso sacralizado, do indivíduo com a natureza que o rodeia: o paraíso são os outros, o que está para além de nós e nos dá a sensação de estarmos vivos, essa ternura de uma mão que toca na nossa:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;“Je décris et je dis: ‘Voici qui est rouge, qui est bleu, qui est vert. Ceci est la mer, la montagne, les fleurs’ […] Aux mystères d’Eleusis, il suffisait de contempler. Ici même, je sais que jamais je ne m’approcherai assez du monde. Il me faut être nu et puis plonger dans la mer, encore tout parfumé des essences de la terre, laver celles-ci dans celles-là, et nouer sur ma peau l’étreinte pour laquelle soupirent lèvres à lèvres depuis si longtemps la terre et la mer.” (Camus, 1981: 57)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Grande parte da alma religiosa de Camus está aqui, paradoxalmente, no reiterado ateísmo, nesta ausência de Deus a quem queira pedir prémios: a glória, os favores ou a imortalidade. Um verso de Píndaro serve de epígrafe a &lt;em&gt;Le Mythe de Sysiphe&lt;/em&gt;: “Ô mon ame, […] épuise le champ du possible”. Segundo Camus, para toda a utopia basta o que existe, para tudo tem de bastar, para tudo deve bastar. Estranha e belíssima oração a Santa Bárbara de Orão: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;“Vous qui êtes comme un quai où l’on fume une cigarette en rêvant, en attendant un coup de sifflet qui vous relancera vers les paysages de la terre, vous savez que je ne suis pas souvent religieux. Mais s’il m’arrive de l’être, vous savez que je n’ai pas besoin de Dieu et que je ne puis l’être qu’au moment où je veux jouer à l’être, parce qu’un train va partir et que ma prière sera sans lendemain.” (Camus, 2006: II, 57). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Religiosos, nós? &lt;em&gt;Toujours ou souvent&lt;/em&gt;? Quantas vezes na vida, quantas vezes por dia? Até para Meursault conhecer a eternidade bastará a clarividência de um instante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Terceira razão: a liberdade dos caminhos a percorrer. Abro um livro do liceu: &lt;em&gt;L’Etranger&lt;/em&gt;, em edição de bolso. Na altura, pouco me disse filosoficamente. Mas, saída dos romances de Herculano, Eça e Camilo, surpreendeu-me a secura das frases. Ou talvez essa secura fosse a das estacas que julgamos mortas e depois ganham raízes e folhas e frutos. “Aujourd’hui maman est morte”. Porquê a ternura de “maman”? Experimentava variantes do mesmo ritmo: “Aujourd’hui ma mère est morte”: mais seco ainda. Haveria uma literatura sem estilo? Mais parecia que a ausência de estilo era ainda uma ambiguidade do estilo. Procurei realçá-lo quando, em 1984, publiquei um livro sobre Camus: o que ao longo da vida fui admirando nele prendia-se quase sempre com essa inteireza, no estilo como no carácter de Albert Camus (Borralho, 1984: passim). Pierre-Louis Rey sintetizou o que era uma crítica comum: “Simplicité de L’Etranger, virtuosité de La Chute, lyrisme du Premier Homme, on lit chaque fois un nouveau Camus” (Rey, 2010: 19). E viu nela uma intenção, já expressa em Carnets, em 1943:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;“En fait il [le roman] exige le style le plus difficile, celui qui se soumet tout entier à l’objet. On peut ainsi imaginer un auteur écrivant chacun de ses romans dans un style different.” (Camus, apud Rey, 2010: 19)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A plasticidade estilística de Camus equivale às nuances do pensamento preciso, àquela plasticidade ideológica que tanto impacientava Sartre. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em tudo se deve ponderar o “ajuste do fundo à forma”, velha máxima horaciana. Nos dois espaços privilegiados por Camus, o Deserto e o Mar, as rotas são sempre caminhos provisórios e tanto o berbere como o marinheiro os vai sulcando com liberdade, mas atendendo à duna e à onda, procurando uma oscilante “justa medida”, um fugitivo “fio da navalha”. Voltamos à poltrona estática, disposta no sentido da História. Mas qual é o sentido da História? Como pensar que ela é uma via de sentido único e veredas estreitas?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Créer, c’est ainsi donner une forme à son destin.”, dirá Camus em &lt;em&gt;Le Mythe de Sysiphe&lt;/em&gt;. Melhor se diria que a História é Deserto e tem dunas. Que é Mar e tem ondas. Mas para onde viraremos a poltrona?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="mso-special-character: footnote;"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT; mso-fareast-theme-font: minor-fareast;"&gt;1&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp; Membro do Projecto &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;U&amp;amp;D “&lt;span style="mso-bidi-font-style: italic;"&gt;Utopias literárias e pensamento utópico: a cultura portuguesa e a tradição intelectual do Ocidente – II”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;, financiado pela &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;FCT e&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt; sedeado no Instituto de Literatura Comparada &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Margarida Losa, &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Faculdade de Letras da Universidade do&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt; Porto (POCTI/ELT/46201/2002).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;2 Cf. “Il va falloir choisir, dans un avenir plus au moins proche, entre le suicide colectif ou l’utilisation intelligente des conquêtes scientifiques.” (“Combat”, 8 août 1945, in Camus, 1981: 291).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;3 Cf. Ginestier, 1979: 65.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BIBLIOGRAFIA&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;BORRALHO, Maria Luiza, 1984, Camus, Porto: Rés&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;CAMUS, Albert, 1962, Carnets, Paris: Gallimard&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;CAMUS, Albert, 1981, Essais, Paris: Pléiade/ NRF&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;CAMUS, Albert, 1981b, Théâtre, Récits, Nouvelles, Pléiade, Paris: Gallimard&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;CAMUS, Albert, 2006, Œuvres complètes, 4 vols., Pléiade, Paris: Gallimard&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;GINESTIER, Paul, 1979, Pour Connaître la Pensée de Camus, Paris: Bordas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;GIRAUD, Henri-Christian, 2010, Politique de Camus, “Le Figaro. Albert Camus: l’Ecriture, la Révolte, la Nostalgie”, Hors-Série, Jan., p. 105.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;GIULLARD, Pol, 1973, Camus, Paris: Bordas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MATHIAS, Marcello Duarte, 1978, A Felicidade em Albert Camus, Amadora: Bertrand&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MATHIAS, Marcello Duarte, 2010, Os Dias e os Anos. Diário. 1970-1993, Lisboa : D. Quixote&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;REY, Pierre-Louis, 2010, “Lire Camus aujourd’hui”, Le Magazine Littéraire. Hors-Série, n.º 18, jan-fév., p. 19&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText" style="line-height: 115%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-3410017603710054695?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/3410017603710054695/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=3410017603710054695&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/3410017603710054695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/3410017603710054695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2010/12/camus-poltrona-e-historia-ou-tres.html' title='CAMUS, A POLTRONA E A HISTÓRIA - Ou três razões para ler Camus'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-8337629007646424107</id><published>2010-11-27T16:24:00.000-08:00</published><updated>2010-11-27T16:24:28.002-08:00</updated><title type='text'>El difícil reto de competir en un mundo global</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.publico.es/dinero/348953/el-dificil-reto-de-competir-en-un-mundo-global"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Productividad y competitividad, las claves para salir de la crisis&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;En 1963, un imberbe Bob Dylan lanzaba un aviso a quienes se resistían a la revolución que se avecinaba: "Mejor que empecéis a nadar u os hundiréis como una piedra". Un consejo que, para muchos, podría aplicarse la maltrecha economía española para salir del atolladero: como en aquella canción, los tiempos están cambiando. Numerosas instancias creen que la competitividad, un concepto tan relevante como difícil de delimitar ("escurridizo", como dijo el Nobel Paul Krugman) es, con la productividad, uno de los antídotos contra la crisis. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;La competitividad podría traducirse como la capacidad de una economía para desenvolverse en el contexto global: vender el mejor producto al mejor precio. Por eso, depende de muchos factores: precios y costes, calidad de los bienes que produce... y productividad, o capacidad de maximizar la producción con los menores recursos posibles. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;El problema de competitividad de España no es nuevo, pero la crisis global, el reventón inmobiliario, el acoso de los mercados y la competencia de los países emergentes lo ha hecho más evidente. Ya en 2004, un estudio de la Fundación La Caixa advertía de la "manifiesta" dificultad del país para mantener su competitividad. Sugería que había tocado techo como economía poco sofisticada, al basar su crecimiento en áreas de poco valor añadido (construcción y servicios). Y avisaba: una vez alcanzado ese nivel, "ya no se trata de imitar, sino de innovar".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ambos conceptos, competitividad y productividad, son citados con profusión (78 y 16 veces, respectivamente) en el documento Transforma España, presentado este mes al rey Juan Carlos por la Fundación Everis y suscrito por 17 de los 37 líderes empresariales que ayer despacharon con el presidente José Luis Rodríguez Zapatero en la Moncloa. ¿Puede una reunión de tres horas y una foto salvar una situación como la actual? "Esto no se soluciona en cinco minutos ni en un año; lleva más tiempo y hay que apostar de manera mucho más seria. Ahora, lo importante es imprimir confianza", dice Manuel Balmaseda, economista jefe de la cementera Cemex. "La pregunta añade es cuáles van a ser las bases de crecimiento a futuro, y de eso tenemos que convencer al mundo: que no va a ser sobre la base de la construcción". &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ahí, la productividad y la competitividad "son claves". En su opinión, "la apuesta tiene que dirigirse al largo plazo, a la inversión en capital humano y físico (infraestructuras y educación), y a hacer nuestro mercado más eficiente". A corto plazo, aconseja implementar "de forma agresiva" la reforma laboral, reducir la burocracia y acometer la reforma de las pensiones, que, dice, "ya era algo pendiente" antes de la crisis. Alfonso Arellano, de Fedea, comparte gran parte del diagnóstico. Pide que, dado el "nulo" margen del Ejecutivo para impulsar el gasto, se mejore el clima de negocios: "Que se puedan crear empresas más fácilmente". Además, "no se trata de bajar impuestos o de despedir funcionarios, sino de hacerlos más productivos; y mejorar el sistema público de empleo, que compita con el privado".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;En 2004, La Caixa ya lo advertía: "Ya no se trata de imitar sino de innovar"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Balbino Prieto, presidente del Club de Exportadores, cree que "para ser fuertes en el exterior, primero debemos serlo aquí". Y opina que "17 normativas [autonómicas] distintas impiden la aparición de empresas fuertes y desalientan al inversor extranjero".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;El profesor de Economía de la Universidad de Málaga Alberto Montero, de orientación progresista, no comparte la idea de competir vía precios y salarios. Si China es el referente, "apaga y vámonos". Su receta es "la que nadie quiere: la de la protección". Parece una opción políticamente incorrecta, pero a su juicio, la famosa guerra de las divisas no es más que eso: "Es lo que hace China depreciando el yuan: fomentar sus exportaciones y proteger sus importaciones".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-8337629007646424107?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/8337629007646424107/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=8337629007646424107&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/8337629007646424107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/8337629007646424107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2010/11/el-dificil-reto-de-competir-en-un-mundo.html' title='El difícil reto de competir en un mundo global'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-4980110842645698822</id><published>2010-10-10T16:31:00.000-07:00</published><updated>2010-10-10T16:31:58.838-07:00</updated><title type='text'>"O problema principal é o défice externo"</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://aeiou.expresso.pt/o-problema-principal-e-o-defice-externo=f606674"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;A questão tão fraturante do défice público é "um problema de segunda ordem", diz o economista Ricardo Cabral, professor da Universidade da Madeira, em entrevista ao Expresso.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-4980110842645698822?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/4980110842645698822/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=4980110842645698822&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/4980110842645698822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/4980110842645698822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2010/10/o-problema-principal-e-o-defice-externo.html' title='&quot;O problema principal é o défice externo&quot;'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-6743378466605587710</id><published>2010-07-22T16:23:00.000-07:00</published><updated>2010-07-22T16:23:47.264-07:00</updated><title type='text'>ECONOMIA SOCIAL: TENDÊNCIAS E DESAFIOS NO CONTEXTO PORTUGUÊS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As organizações da economia social, nos seus diversos sectores, envolvendo mulheres e homens que lhes dedicam o seu tempo e esforço, a mais das vezes voluntário, merecem mais do que a consideração de palavras de circunstância, que o Estado lhes reconheça o trabalho em prol do desenvolvimento das comunidades nas quais se inserem, honrando o próprio compromisso constitucional.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A economia social tem potencial para desafiar as dificuldades, encontrando respostas realistas aos desafios da crise que, como dizem os mais avisados, é mais do que uma crise do sistema económico e financeiro, é uma crise de consciência e de valores. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste sector, como nos outros, a arte da mudança está em sermos capazes de encontrar o que, em cada momento, ousemos criar de diferente que possa ser, em liberdade, compreendido e apropriado pelo maior número de cidadãos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A economia social, em Portugal, dispõe de um peso significativo no emprego e na criação de riqueza, ainda não quantificados com rigor, mas que um estudo credível intitulado “O Sector não lucrativo português numa perspectiva comparada”, de autoria de uma equipa coordenada por Raquel Campos Franco, com dados de 2002, aponta como representando 4,2% do PIB. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Portugal é também um caso exemplar, ou pelo menos singular, no plano institucional: a Economia Social encontra consagração constitucional sob a designação de “sector cooperativo e social”, através dos artigos 80º e 82º da Constituição da República.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este sector entrou, por outro lado, decisivamente na agenda europeia. Para que tal tenha ocorrido não é alheia a crise, da qual lentamente estamos a emergir, mas também o facto de representar 10% do conjunto das empresas europeias, 2 milhões de organizações, 6% do emprego total dispondo de um elevado potencial para gerar e manter empregos estáveis, contribuindo para um modelo económico sustentável em que as pessoas são mais importantes que o capital.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No caso de Portugal, a economia social enraíza numa tradição que vem de longe, em práticas de entreajuda e partilha de trabalho e de recursos entre os cidadãos, no exercício da liberdade de associação, na auto organização em prol do prosseguimento de objectivos económicos ou altruístas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As instituições que ao longo do tempo têm corporizado, e sido protagonistas, deste movimento são conhecidas dos portugueses: cooperativas, misericórdias, mutualidades, instituições particulares de solidariedade social, associações de desenvolvimento local e regional, além de outras como as fundações, que nascem sob impulso da necessidades de enfrentar desafios nascidos nas comunidades aplicando as suas energias na satisfação das aspirações dos cidadãos a uma vida mais digna.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A economia social, designação consagrada pela UE, é um sector aberto no qual se discute o próprio conceito, sendo denominado, conforme as escolas de pensamento, os continentes, regiões e países como “economia social”,“economia solidária” ou “terceiro sector”, mantendo, no entanto, em comum um conjunto de princípios distintivos:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Primado da pessoa e do objecto social sobre o capital;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Adesão voluntária e livre;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Controlo democrático pelos seus membros;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Defesa dos princípios de solidariedade e responsabilidade;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Autonomia de gestão e independência face aos interesses públicos;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Afectação dos excedentes a objectivos como o desenvolvimento sustentável, melhoria dos serviços prestados aos próprios membros e ao interesse geral.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos diversos sectores de actividade em que situam a sua acção as organizações da economia social, debatem-se com os mesmos problemas que afectam a economia, exigem novas respostas para fazer face a novos desafios, mas, pela sua própria natureza, não ameaçam deslocalizar investimentos, abarcam com a sua acção todo o território nacional e beneficiam de proximidade com as aspirações e problemas dos cidadãos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A economia social está em condições de aliar rentabilidade e solidariedade; contribuir para corrigir três grandes desequilíbrios no mercado de trabalho: o desemprego, a instabilidade de emprego e a exclusão social; reforçar a coesão social, económica e regional; gerar capital social; promover a cidadania activa e a solidariedade assente num modelo de economia com valores democráticos, que põe as pessoas em primeiro lugar, para além de apoiar o desenvolvimento sustentável, a inovação social, ambiental e tecnológica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi para responder a este desafio que o governo decidiu fazer uma aposta na parceria com o sector da economia social consagrando essa politica no seu programa. Para dar um primeiro passo na concretização dessa política foi criada, recentemente, a Cooperativa António Sérgio para a Economia Social.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Qual o significado contemporâneo do projecto no qual a criação desta organização se integra? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1 – O Estado coloca a economia social, e as suas organizações, na agenda política correspondendo, aliás, a um desafio lançado pelas instituições europeias. A economia social, solidária, ou terceiro sector, como lhe quisermos chamar é chamada a desempenhar um papel central nas políticas públicas deixando de ser um sector, em regra, considerado como meramente complementar das funções desempenhadas pelos sectores privado e público;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2 – O Estado deixa de se assumir como Estado-tutela passando a assumir-se como Estado-parceiro o que representa uma mudança profunda no seu posicionamento face à sociedade civil e às suas organizações representativas. Trata-se, no caso desta Cooperativa, quer do ponto de vista do Estado quer do das organizações que a integram, da assumpção de um modelo de organização que ensaia a aplicação de um novo conceito no qual se fundem as tradições, interesses e concepções inerentes à esfera de acção do Estado e das organizações da sociedade civil. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pode parecer um pequeno passo. Mas é uma inovação significativa em resposta ao fracasso da ideologia neo-liberal, correspondendo às tendências actuais que exigem que as organizações da economia social se reagrupem ultrapassando o território restrito das suas inscrições sectoriais, partilhando os seus objectivos com os poderes públicos em espaços comuns de reflexão, regulação e acção. São estes os caminhos que estamos a trilhar com a criação da Cooperativa António Sérgio que é ela própria um projecto ao serviço da modernização e desenvolvimento do sector. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi ontem aprovado pelo Governo o Conselho Nacional para a Economia Social.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-6743378466605587710?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/6743378466605587710/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=6743378466605587710&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/6743378466605587710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/6743378466605587710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2010/07/economia-social-tendencias-e-desafios.html' title='ECONOMIA SOCIAL: TENDÊNCIAS E DESAFIOS NO CONTEXTO PORTUGUÊS'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-8776362690368761503</id><published>2010-06-29T02:38:00.000-07:00</published><updated>2010-06-29T03:00:11.719-07:00</updated><title type='text'>A terceira depressão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Receio que estejamos nos estágios iniciais de uma terceira depressão. E o custo para a economia mundial será imenso&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Recessões são comuns; depressões são raras. Pelo que sei, houve apenas duas eras qualificadas como "depressões" na ocasião: os anos de deflação e instabilidade que acompanharam o Pânico de 1873, e os anos de desemprego em massa, após a crise financeira de 1929-31.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Nem a Longa Depressão do século 19 nem a Grande Depressão, no século 20, registraram declínio contínuo. Pelo contrário, ambas tiveram períodos de crescimento. Mas esses períodos de melhora jamais foram suficientes para desfazer os danos provocados pela depressão inicial e foram seguidos de recaídas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Receio que estejamos nos estágios iniciais de uma terceira depressão. Que provavelmente vai se assemelhar mais à Longa Depressão do que a uma Grande Depressão mais severa. Mas o custo - para a economia mundial e, sobretudo, para as milhões de pessoas arruinadas pela falta de emprego - será imenso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;E essa terceira depressão tem a ver, principalmente, com o fracasso político. Em todo o mundo - e, mais recentemente, no desanimador encontro do G-20 - os governos se mostram obcecados com a inflação quando a ameaça é a deflação, e insistem na necessidade de apertar o cinto, quando o problema de fato são os gastos inadequados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Em 2008 e 2009, parecia que tínhamos aprendido com a história. Ao contrário dos seus predecessores, que elevavam as taxas de juro para enfrentar uma crise financeira, os atuais líderes do Federal Reserve e do Banco Central Europeu (BCE) cortaram os juros e partiram em apoio aos mercados de crédito. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário dos governos do passado, que tentaram equilibrar os orçamentos para combater uma economia em declínio, os governos hoje deixam os déficits crescerem. E melhores políticas ajudaram o mundo a evitar o colapso total: podemos dizer que a recessão causada pela crise acabou no verão (no Hemisfério Norte) passado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Mas os futuros historiadores vão nos dizer que esse não foi o fim da terceira depressão, da mesma maneira que a retomada econômica em 1933 não foi o fim da Grande Depressão. Afinal, o desemprego - especialmente a longo prazo - continua em níveis que seriam considerados catastróficos há alguns anos. E tanto Estados Unidos como Europa estão perto de cair na mesma armadilha deflacionária que atingiu o Japão. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Diante desse quadro, você poderia esperar que os legisladores entendessem que não fizeram o suficiente para promover a recuperação. Mas não. Nos últimos meses observamos o ressurgimento da ortodoxia do equilíbrio orçamentário e da moeda forte. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;O ressurgimento dessas teses antiquadas é mais evidente na Europa. Mas, em termos práticos, os EUA não estão agindo muito melhor. O Fed parece consciente dos riscos de deflação - mas o que propõe fazer é: nada. O governo Obama entende os perigos de uma austeridade fiscal prematura - mas, como republicanos e democratas conservadores não aprovam uma ajuda adicional aos governos estaduais, essa austeridade se impõe de qualquer maneira, com os cortes nos orçamentos estaduais e municipais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Por que essa virada da política? Os radicais com frequência referem-se às dificuldades da Grécia e outros países na periferia da Europa para justificar seus atos. E é verdade que os investidores atacaram os governos com déficits incontroláveis. Mas não há evidência de que uma austeridade a curto prazo, ante uma economia deprimida, vai tranquilizar os investidores. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Pelo contrário: a Grécia concordou com um plano de austeridade, mas viu seus riscos se ampliarem; a Irlanda estabeleceu cortes brutais dos gastos públicos e foi tratada pelos mercados como um país com risco maior que a Espanha, que até agora reluta em adotar medidas drásticas propugnadas pelos radicais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;É como se os mercados entendessem o que os legisladores não compreendem: que, embora a responsabilidade fiscal alongo prazo seja importante, cortar gastos no meio de uma depressão vai aprofundar essa depressão e abrir caminho para a deflação, o que é contraproducente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Portanto, não acho que as coisas tenham a ver de fato com a Grécia, ou com qualquer visão realista sobre o que priorizar: déficits ou empregos. Em vez disso, trata-se da vitória de teses conservadoras que não se baseiam numa análise racional e cujo principal dogma é que, nos tempos difíceis, é preciso impor sofrimento a outras pessoas para mostrar liderança.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;E quem pagará o preço pelo triunfo dessas teses ? A resposta: dezenas de milhões de desempregados, muitos deles sujeitos a ficar sem emprego por anos e outros que nunca mais voltarão a trabalhar.&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100629/not_imp573482,0.php"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;em&gt;Paul Krugman - O Estado de S.Paulo&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;THE NEW YORK TIMES&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-8776362690368761503?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/8776362690368761503/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=8776362690368761503&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/8776362690368761503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/8776362690368761503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2010/06/terceira-depressao.html' title='A terceira depressão'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-7868467168173607969</id><published>2010-05-31T15:58:00.000-07:00</published><updated>2010-05-31T15:58:09.614-07:00</updated><title type='text'>Solução para a crise: melhores vizinhos</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Nos anos 40, o Mississípi descobriu que a solução para a crise passava pela comunidade. Hoje, essa lição ainda é útil&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fascinante "Bowling Alone", Robert Putnam conta a história de Tupelo, cidade perdida no Mississípi. No final da década de 30, Tupelo era o símbolo do pós-recessão: sem recursos naturais nem universidades, sem indústria nem auto-estradas. Em 1936, a cidade tinha sido varrida pelo quarto pior tornado da história, mas quando nada parecia funcionar entre as ruínas, George McClean - um sociólogo universitário - chegou a Tupelo com uma ideia. McClean achava que qualquer recuperação económica só seria possível se a cidade crescesse primeiro como comunidade. Começou pela base - comprou um touro cobridor para dar gás à indústria leiteira - e usou o dinheiro de todos para encontrar um modelo económico alternativo. Na nova Tupelo, todas as empresas que quisessem trabalhar na cidade eram obrigadas a pagar salário altos. E nesta nova cidade, onde a comunidade era a base do modelo económico, até a Câmara do Comércio deu lugar a um fundação, mais horizontal na distribuição dos recursos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, George McClean não sobreviveria à concorrência num mundo globalizado, mas a ideia de que o capital social é essencial para o crescimento económico deixou escola. Robert Putnam preocupava-se porque os americanos jogavam cada vez menos bowling em família, num sinal de desagregação social com custos económicos evidentes. Robert Fukuyama acrescentaria que são as economias onde os cidadãos partilham altos níveis de confiança que vão dominar este século. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exageros teóricos? Nem por isso. Nesta crise e face à evidente desagregação do Estado- -providência, criou-se a ideia de que a solução passa por centralizar a gestão, apostando numa reformulação do federalismo comunitário - menos Estado, mais controlo, mais Europa. E tudo porque esta crise colocou a cabeça dos porcos (PIIGS) no cepo. E que cepo: Guido Westerwelle, MNE germânico, dizia há uns dias que a UE deveria poder cortar imediatamente os fundos de coesão aos países que fujam ao défice. Arrepiante? Sem dúvida. Autoritário? Com certeza. Mais ainda porque cimenta a ideia de que Portugal e as regiões podem ser controladas como marionetas, com orçamentos previamente controlados e ameaças dos irmãos mais ricos. O que o Bruxelas não contempla - mas que o federalismo sempre debateu - é a necessidade (chamem-lhe subsidiariedade se quiserem) de devolver o poder às comunidades. O poeta britânico G.K. Chesterton costumava dizer que o problema do capitalismo não era haver capital a mais - mas existirem capitalistas a menos. A única forma de o conseguir sem corromper os incentivos do mercado, ou derivar para o exagero da extrema-esquerda, é devolver a prosperidade às economias locais. Durante anos, a concorrência de preços deu cabo dos negócios locais, até que, agora, somos todos reféns dos monopólios em grande escala. Este debate - pela comunidade - foi um dos temas que levou os liberais-democratas ao poder no Reino Unido. Lá, como no Mississípi, a pobreza do Estado foi vista como uma oportunidade para um novo género de empresas - companhias civis, locais e participadas, que sirvam de complemento ao mercado livre. Uma economia mutualista devolveria poder e responsabilidade, envolvendo os desavindos. As 150 mil pessoas que, no sábado, encheram as ruas de Lisboa não estão nem integradas, nem motivadas. Não fazem parte, na maioria dos casos, do modelo que promove o mérito e o crescimento, melhores remunerações e oportunidades de emprego. Para muitos desses desavindos, a solução passa por ter mais Estado. Mas a solução, a verdadeira solução, é ter mais - e melhores - vizinhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/62267-solucao-crise-melhores-vizinhos"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Miguel Pacheco, I&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-7868467168173607969?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/7868467168173607969/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=7868467168173607969&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/7868467168173607969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/7868467168173607969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2010/05/solucao-para-crise-melhores-vizinhos.html' title='Solução para a crise: melhores vizinhos'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-6298580824724899587</id><published>2010-05-14T10:49:00.001-07:00</published><updated>2010-05-31T15:58:58.154-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-6298580824724899587?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/6298580824724899587/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=6298580824724899587&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/6298580824724899587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/6298580824724899587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2010/05/httpwww.html' title=''/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-5772411258099121183</id><published>2010-03-25T14:01:00.000-07:00</published><updated>2010-03-25T14:01:42.038-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CAMUS'/><title type='text'>Os Justos, de Albert Camus, depois do 11 de Setembro</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;Maria Luísa Malato (Faculdade de Letras da Universidade do Porto)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há datas em que vemos morrer o mundo tal como o conhecíamos. Nem sempre nos damos conta dessa morte, embora ela tenha sido anunciada, ou lentamente se consciencialize o luto, nas fases clássicas do modelo de Kübler-Ross: negação, cólera, negociação, depressão e aceitação. Mudamos nós e muda o mundo: individual e colectivamente, perante a falência dos valores em que fomos educados e a emergência da nova ordem de paradigmas em que nos pedem para viver. Primeiro, assistimos incrédulos. Depois, criamos eixos do mal. Ponderamos o tipo de aliados. Constatamos os longos fracassos. Aceitamos finalmente “viver sem”, porque temos de viver com tudo o que entretanto aprendemos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só depois organizamos o tempo histórico segundo esses ritmos de aprendizagem. Antes e depois do 11 de Setembro. Antes e depois do Holocausto. Antes e depois da Revolução Soviética. Antes e depois da Revolução Francesa… Essa organização é o desejo de compreendermos a nossa sociedade, aqui e agora, e é ele que nos faz ir buscar autores de outras épocas e de outras mortes, sempre em distinto retorno. A “redescoberta” da obra de Albert Camus neste princípio de milénio talvez tenha também a ver com essa “nostalgia de nós” que nos faz rever leituras e procurar no passado lições para o presente. Camus sabe que a Guerra de 39-45 e o Holocausto assinalaram o fim da sua juventude: “todas as gerações, sem dúvida, se julgam fadadas para refazer o mundo. A minha sabe, no entanto, que não poderá refazê-lo. A sua tarefa é talvez maior. Consiste ela em impedir que se desfaça, partindo unicamente das suas negações” (Discursos da Suécia). A geração actual, que cresce entre a memória de cataclismos passados e o anúncio de cataclismos futuros, talvez compreenda melhor estas palavras do que “a geração” que existiu abstractamente entre elas: a que acreditava nos fins da História, marxistas ou demo-liberais, no desaparecimento das guerras frias depois da queda do muro de Berlim, ou no paradisíaco choque tecnológico de Tofler. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Surpreende-nos por isso um pouco que, neste contexto, a obra de Camus Os Justos (1949), traduzida por António Quadros, não tenha sido reeditada em Portugal. Mas é também significativo que a homenagem feita a Camus no CCB, a 10 de Janeiro deste ano, tenha incluído a projecção do filme Os Justos (2007), realizado a partir de uma encenação de Guy-Pierre Couleau. Os Justos, peça inspirada num facto histórico, é a “mise-en-scène” de uma “nova ordem”: uma célula terrorista, na Rússia czarista, prepara um atentado contra o Grão-Duque, a imagem do tirano, um obstáculo à Utopia de “uma terra de liberdade que acabará por libertar o mundo inteiro”. A intriga é progressivamente a consciência desse orgulho desmedido do libertador, que a natureza se encarregará de castigar: “Não pertencemos a este mundo: somos os justos. É-nos estranho um certo calor”. “Talvez seja essa a justiça do mundo”, concluirá uma das personagens. Escrita no pós-guerra, pressupõe as questões que derivam da consciência do cataclismo, mas também aquela última questão só possível depois de tudo aceitarmos como inevitável: até onde pode ir o nosso “viver sem”? Do que é que prescindimos (ou parecemos dispostos a prescindir) em nome da “nossa segurança”, da “estabilidade da nova ordem”? Porque todo o mecanismo de estabelecimento dessa nova ordem está imbuído de inevitabilidade e de eficácia. Percorre a futura nova ordem um não dissimulado mecanismo silogístico em que a premissa individual só demonstra o carácter absoluto da premissa geral. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aceitemos. A aceitação é sempre uma forma de compreensão. Mas, ainda depois de aceitar, teremos de saber “como nos vamos comportar” perante a imperfeição do mundo? O âmago de O Homem Revoltado (1951) ou de A Queda (1956) está já em Os Justos (1949): “Decidimos não agir, mas isso equivale pelo menos a aceitar a eliminação do outro, na condição de lamentar harmoniosamente a imperfeição humana. Ou Imaginamos substituir a acção pelo diletantismo trágico, mas isso leva-nos a considerar a vida humana como uma vantagem lúdica. Podemos também propor o empreendimento de uma acção que não seja gratuita. Mas neste caso, não existindo qualquer valor superior que oriente a acção, tudo será decidido tendo em conta a eficácia imediata” (O Homem Revoltado). O mundo de Os Justos é, num primeiro plano, esta reflexão sobre a eficácia, numa sociedade de mestres e escravos, representada, no primeiro acto, pelo protagonismo de Stepan: “É preciso disciplina”, “Nada do que serve a causa pode ser desaconselhado”, “Sim, sou brutal (…), não estamos aqui para nos deslumbrarmos, mas para conseguirmos ter êxito”. O contraponto é feito entre Stepan e Kaliayev, denominado “o Poeta”: Kaliayev que se recusa a lançar a bomba para a carruagem do Grão-Duque quando o vê acompanhado por duas crianças. Kaliayev que se diverte quando toma identidades secretas, que inventa um toque de campainha para se fazer anunciar aos companheiros, que ama a vida, a beleza e a alegria mais ainda do que a justiça: “Amar-me-ias tu, ligeira e despreocupada?”, pergunta Dora. – “Morro do desejo de te dizer que sim”, responde Kaliayev. Edmond Burke, comentador dos excessos da Revolução Francesa, identificara já esse estranho sublime do homem em ruptura, um delicado equilíbrio entre o perigo e o deleite que o perigo proporciona: “as paixões que dizem respeito à conservação do indivíduo baseiam-se na consciência da dor e do perigo, ao passo que as que visam a criação têm a sua origem na alegria e no prazer” (The Philosophical Enquiry, I, 8). Os planos e os actos seguintes de Os Justos serão uma progressiva desmontagem da eficácia e dos seus limites. Os limites da eficácia são a fragilidade das crianças e a seriedade do seu olhar: “nunca aguentei esse olhar”. Os que libertamos e não querem ser libertados. Os que matamos e depois sabemos serem melhores do que os que salvamos. Os outros que depois da nossa morte social nos usarão para os seus interesses pessoais. A honra ou a delicadeza que se tornarão luxos de privilegiados. Até chegarmos a perder essa ternura extrema de viver ou morrer sem o orgulho da vitória, como reivindica Kaliayev: “o sol brilha, os rostos se inclinam docemente, o coração esquece a altivez, os braços abrem-se”. Camus tem em comum com Burke essa tensão ambivalente entre o perigo e a alegria: ambos compreendem essa vertigem irracional que leva “os justos” a desejar lançar a bomba, e os faz caminhar sem medo para a morte: aliás, “é tão mais fácil morrer pelas nossas contradições do que viver nelas”. Mas ambos recuam, como Kaliayev, perante os abusos em nome da justiça, da liberdade ou da fraternidade: “viste as crianças?”. Há em todo o sublime desconcerto do mundo uma ironia trágica que, a partir de uma certa desmesura, confunde as vítimas e os carrascos. Mary Wollstonecraft afirmava que Burke, se fosse francês, seria revolucionário, exactamente na medida em que, como inglês, era contra-revolucionário. Também simbolicamente o carrasco de Kaliayev será um companheiro de cela que, por o executar, verá descontado o tempo da pena. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Difícil é não verter sangue inocente quando se atinge o fio da navalha. Mas que desafio mais importante tem hoje a nossa época de eficácia?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;[Publicado em As Artes entre as Letras, n.º 22, 24/3, Porto, 2010, p. 9]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-5772411258099121183?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/5772411258099121183/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=5772411258099121183&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/5772411258099121183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/5772411258099121183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2010/03/os-justos-de-albert-camus-depois-do-11.html' title='Os Justos, de Albert Camus, depois do 11 de Setembro'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-4509658112928791200</id><published>2010-01-28T08:00:00.000-08:00</published><updated>2010-01-28T08:01:02.283-08:00</updated><title type='text'>OBAMA - DISCURSO DO ESTADO DA UNIÃO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Señora presidenta de la Cámara, vicepresidente Biden, miembros del Congreso, distinguidos invitados, conciudadanos:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nuestra Constitución establece que, periódicamente, el presidente informe al Congreso del estado de nuestra Unión. Nuestros dirigentes han cumplido ese deber desde hace 220 años. Lo han hecho en periodos de prosperidad y tranquilidad. Y lo han hecho en medio de la guerra y la depresión; en momentos de grandes luchas y grandes esfuerzos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Es tentador remontarnos a esos momentos y postular que nuestro progreso era inevitable, que Estados Unidos estaba destinado a triunfar. Pero, cuando el ejército de la Unión se vio rechazado en la batalla de Bull Run y cuando los aliados desembarcaron en la playa de Omaha, la victoria era muy dudosa. Cuando el mercado se hundió en el Martes Negro y cuando los manifestantes por los derechos civiles fueron apaleados en el Domingo Sangriento, el futuro era cualquier cosa menos seguro. Fueron instantes que pusieron a prueba el valor de nuestras convicciones y la fuerza de nuestra Unión. Y, a pesar de nuestras divisiones y nuestras diferencias, nuestras vacilaciones y nuestros miedos, Estados Unidos se impuso porque decidimos avanzar como una nación, como un pueblo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ahora, una vez más, nos enfrentamos a una prueba. Y una vez más, debemos responder a la llamada de la historia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hace un año, tomé posesión en medio de dos guerras, una economía sacudida por una grave recesión, un sistema financiero al borde del colapso y un gobierno profundamente endeudado. Expertos de todo el espectro político nos advirtieron de que, si no actuábamos, podíamos sufrir una segunda depresión. De modo que actuamos, de manera inmediata y agresiva. Y un año más tarde, lo peor de la tempestad ya ha pasado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pero la desolación sigue presente. Uno de cada diez estadounidenses sigue sin encontrar trabajo. Muchas empresas se han hundido. El valor de las viviendas ha descendido. Los pueblos y las comunidades rurales se han visto especialmente afectados. Para quienes ya habían conocido la pobreza, la vida se ha vuelto mucho más dura.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta recesión ha aumentado además las cargas que las familias estadounidenses soportan desde hace decenios: la carga de trabajar más y más tiempo por menos dinero; de no poder ahorrar lo suficiente para jubilarse ni enviar a los hijos a la universidad.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Es decir, conozco las angustias presentes en nuestras vidas. No son nuevas. Esas luchas son la razón por la que presenté mi candidatura a la presidencia. Esas luchas son las que he observado durante años en lugares como Elkhart, Indiana, y Galesburg, Illinois. Oigo hablar de ellas en las cartas que leo cada noche. Las más penosas de leer son las que están escritas por niños, en las que preguntan por qué tienen que irse de su casa o cuándo va a poder volver a trabajar su madre o su padre.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para estos estadounidenses, y para muchos otros, el cambio no se ha producido con la suficiente rapidez. Algunos se sienten frustrados; algunos están indignados. No entienden por qué parece que la mala conducta en Wall Street se ve recompensada y el trabajo esforzado en la vida corriente, no; ni por qué Washington no ha sabido o no ha querido resolver ninguno de nuestros problemas. Están cansados de partidismos, de gritos, de mezquindades. Saben que no podemos permitírnoslos en estos momentos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos enfrentamos, pues, a retos grandes y difíciles. Y lo que esperan los estadounidenses --lo que merecen-- es que todos nosotros, demócratas y republicanos, resolvamos nuestras diferencias; que nos sobrepongamos al peso entorpecedor de nuestras disputas políticas. Porque, aunque quienes nos eligieron para nuestros puestos tienen distintos orígenes, distintas experiencias y distintas creencias, las angustias que sufren son las mismas. Las aspiraciones que tienen son comunes a todos. Un puesto de trabajo que permita pagar las facturas. Una oportunidad de progresar. Y, sobre todo, la capacidad de dar a nuestros hijos una vida mejor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Y saben qué más tienen en común? Tienen en común la terca capacidad de resistencia ante las adversidades. Después de uno de los años más difíciles de nuestra historia, siguen trabajando, fabricando coches y enseñando a los niños, creando empresas y volviendo a estudiar, entrenando a los equipos de sus hijos y ayudando a sus vecinos. Como decía una mujer en una carta, "Estamos pasándolo mal pero llenos de esperanza, luchando pero animados".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ese espíritu, esa enorme decencia y esa gran fuerza, son los que hacen que nunca haya estado más esperanzado que esta noche sobre el futuro de Estados Unidos. A pesar de nuestras dificultades, nuestra Unión es fuerte. No nos rendimos. No abandonamos. No permitimos que el miedo ni las divisiones quiebren nuestro espíritu. En esta nueva década, ha llegado el momento de que el pueblo estadounidense tenga un gobierno que esté a la altura de su decencia, que encarne su fuerza. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Y esta noche me gustaría hablar sobre la forma de que, todos juntos, podamos hacer realidad esa promesa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ese camino empieza por la economía.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nuestra tarea más urgente, al asumir el cargo, era apuntalar a los bancos que habían contribuido a esa crisis. No fue fácil hacerlo. Si hay algo que ha unido a demócratas y republicanos, fue que todos odiamos tener que rescatar a los bancos. Yo lo detesté. Ustedes lo detestaron. Fue una medida tan poco popular como una endodoncia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sin embargo, cuando presenté mi candidatura a la presidencia, prometí que no haría sólo lo que fuera popular; haría lo que fuera necesario. Y, si hubiéramos permitido la crisis del sistema financiero, el desempleo sería el doble del que es hoy. Desde luego, más empresas habrían cerrado. Seguro que se habrían perdido más hogares.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Así que apoyé los esfuerzos del gobierno anterior para crear el programa de rescate financiero. Y, cuando asumimos el programa, lo hicimos más transparente y responsable. Como consecuencia, hoy los mercados están estabilizados y hemos recuperado la mayor parte del dinero que gastamos en los bancos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para recuperar el resto, he propuesto una cuota a los grandes bancos. Ya sé que Wall Street no mira la idea con buenos ojos, pero, si esas empresas pueden permitirse el lujo de volver a repartir grandes primas, también pueden permitirse una cuota modesta para devolver el dinero a los contribuyentes que les rescataron cuando lo necesitaban.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mientras estabilizábamos el sistema financiero, también tomamos medidas para hacer que nuestra economía volviera a crecer, salvar el mayor número posible de puestos de trabajo y ayudar a los estadounidenses que hubieran perdido su empleo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por ese motivo hemos prolongado o incrementado las prestaciones de desempleo para más de 18 millones de estadounidenses; hemos hecho que el seguro de salud sea un 65% más barato para las familias que obtienen su cobertura a través de la Ley de Reconciliación Presupuestaria (COBRA); y hemos aprobado 25 recortes fiscales.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lo repito: hemos recortado impuestos. Hemos recortado impuestos para el 95% de las familias trabajadoras. Hemos recortado impuestos para las pequeñas empresas. Hemos recortado impuestos para los compradores de una primera vivienda. Hemos recortado impuestos para los padres que tratan de cuidar de sus hijos. Hemos recortado impuestos para ocho millones de estadounidenses que están pagando la universidad. Como consecuencia, millones de ciudadanos tienen más dinero para gastarlo en gasolina, alimentos y otras necesidades, y todo eso contribuye a mantener más puestos de trabajo. Y no hemos subido los impuestos sobre la renta ni un centavo a ninguna persona. Ni un solo centavo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gracias a las medidas que hemos tomado, hay unos dos millones de estadounidenses trabajando que, si no, estarían en el paro. De ellos, 200.000 trabajan en la construcción y las energías limpias, 300.000 son profesores y otros profesionales de la educación. Decenas de miles son policías, bomberos, funcionarios de prisiones y trabajadores de los servicios de emergencia. Y estamos camino de añadir un millón y medio más de empleos a ese total de aquí a final de año.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;El plan que ha hecho posible todo esto, desde los recortes fiscales hasta los puestos de trabajo, es la Ley de Recuperación. Efectivamente, la Ley de Recuperación, también conocida como la Ley de Estímulo. Economistas de derechas y de izquierdas han asegurado que esta ley ha ayudado a salvar puestos de trabajo y a evitar la catástrofe. Pero no es verdad sólo porque lo digan ellos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No hay más que hablar con la pequeña empresa de Phoenix que va a triplicar su plantilla gracias a la Ley de Recuperación. O con el fabricante de ventanas de Filadelfia que dice que antes era escéptico sobre esa ley, hasta que tuvo que añadir dos turnos más de trabajo por todo el negocio que había impulsado. O con la profesora que está sacando adelante a sus dos hijos por sí sola y a la que su director dijo la última semana que, gracias a la Ley de Recuperación, no la iban a despedir después de todo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hay historias de este tipo en todo el país. Y después de dos años de recesión, la economía está volviendo a crecer. Los fondos de pensiones han empezado a recuperar parte de su valor. Las empresas están empezando a invertir otra vez y algunas, poco a poco, a contratar más personal.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sin embargo, soy consciente de que, por cada historia que termina bien, hay otras, de hombres y mujeres que se despiertan con la angustia de no saber de dónde va a salir su próximo sueldo; que envían currículums todas las semanas y no reciben ninguna respuesta. Por eso el empleo debe ser nuestra gran prioridad en 2010, y por eso hago esta noche un llamamiento a elaborar una nueva ley de empleo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;El verdadero motor de la creación de empleo en este país serán siempre sus empresas. Pero el gobierno puede sentar las condiciones necesarias para que las empresas se expandan y contraten a más trabajadores. Deberíamos empezar donde empiezan casi todos los nuevos puestos de trabajo: en las empresas pequeñas, las compañías que se ponen en marcha cuando un empresario se atreve a intentar hacer realidad un sueño, o un trabajador decid que ha llegado la hora de convertirse en su propio jefe.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esas empresas han capeado el temporal de la recesión a base de valentía y empeño, y están listas para crecer. Sin embargo, cuando uno habla con los pequeños empresarios de sitios como Allentown, Pennsylvania, o Elyria, Ohio, resulta que, aunque los bancos de Wall Street están volviendo a prestar dinero, se lo prestan sobre todo a las grandes empresas. Para las pequeñas empresas de todo el país, la financiación sigue siendo difícil.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por eso, esta noche, propongo que apartemos 30.000 millones de dólares del dinero que han devuelto los bancos de Wall Street y lo utilicemos para ayudar a los bancos locales a ofrecer a las pequeñas empresas los créditos que necesitan para mantenerse a flote. Propongo también un nuevo crédito fiscal para pequeñas empresas, destinado a más de un millón de pequeñas empresas siempre que contraten nuevos trabajadores o aumenten los salarios. Y, ya que estamos, vamos a eliminar también todos los impuestos sobre las ganancias de capital en las inversiones en pequeñas empresas y a ofrecer incentivos fiscales para todas las empresas, grandes o pequeñas, con el fin de que inviertan en nuevas plantas y nuevo equipamiento.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A continuación, vamos a hacer que los estadounidenses trabajen hoy construyendo las infraestructuras de mañana. Desde las primeras líneas de ferrocarril hasta el sistema de autopistas interestatales, nuestra nación siempre ha contado con construcciones competitivas. No hay razón para que Europa y China tengan los trenes más rápidos o las plantas nuevas capaces de fabricar productos con energías limpias. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mañana visitaré Tampa, en Florida, donde pronto comenzarán las obras para la construcción de un nuevo tren de alta velocidad financiado por la Ley de Recuperación. Hay proyectos como ése en todo el país que crearán empleo y ayudarán a trasladar bienes, servicios e información por todo el país. Debemos poner a trabajar a más estadounidenses en la construcción de instalaciones de energías limpias y ofrecer descuentos a quienes conviertan sus viviendas en unos lugares con mayor eficacia energética, que proporciona empleo a más gente en el sector de las energías limpias. Para animar a esas empresas y otras semejantes a que no se vayan del país, ha llegado el momento de acabar con las desgravaciones fiscales para empresas que se llevan puestos de trabajo al extranjero y dárselas a las que creen empleo en Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;La Cámara de Representantes ha aprobado un proyecto de ley de empleo que incluye alguna de estas medidas. Insto al Senado a que, como primer punto en la agenda de este año, haga lo mismo. La gente está sin trabajo. Está pasándolo mal. Necesita nuestra ayuda. Y yo quiero tener una ley de empleo sobre mi mesa sin más tardar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pero la verdad es que estas medidas no van a compensar, de todas formas, los siete millones de puestos de trabajo que hemos perdido en los últimos dos años. La única forma de avanzar hacia el pleno empleo es sentar las bases de un crecimiento económico a largo plazo y abordar, por fin, los problemas que las familias estadounidenses afrontan desde hace años.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;No podemos permitirnos otra supuesta "expansión" económica como la de la última década -la que algunos denominan "década perdida"-, en la que el empleo creció más despacio que durante ningún periodo de expansión anterior; en la que la renta de las familias norteamericanas cayó mientras el coste de la sanidad y la educación alcanzaba niveles sin precedentes; en la que la prosperidad se construyó sobre una burbuja inmobiliaria y la especulación financiera.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde el día en que tomé posesión, me han dicho que afrontar nuestros retos más amplios era demasiado ambicioso, que serían unos esfuerzos muy polémicos, que nuestro sistema político estaba demasiado paralizado y que era mejor esperar un tiempo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para quienes hacen esas afirmaciones, no tengo más que una pregunta: &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cuánto debemos esperar? ¿Cuánto tiempo debe aparcar Estados Unidos su futuro?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Washington lleva decenios diciéndonos que esperemos, mientras los problemas iban empeorando. Mientras tanto, China no ha esperado para modernizar su economía. Alemania no ha esperado. India no ha esperado. Esos países no están quietos. Esos países no se disputan la segunda plaza. Están dando más importancia a las matemáticas y las ciencias. Están reconstruyendo sus infraestructuras. Están haciendo grandes inversiones en energías limpias porque quieren esos puestos de trabajo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pues bien, yo no acepto una segunda plaza para Estados Unidos. Por difícil que resulte, por incómodos y polémicos que puedan ser los debates, ha llegado el momento de ponernos serios y empezar a arreglar los problemas que impiden nuestro crecimiento.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Un punto de partida es una seria reforma financiera. No estoy interesado en castigar a los bancos, estoy interesado en proteger nuestra economía. Un mercado financiero fuerte y saludable permite que las empresas accedan a los créditos y creen nuevos puestos de trabajo. Canaliza los ahorros de las familias hacia inversiones que elevan las rentas. Pero eso sólo puede ocurrir si nos protegemos frente a la temeridad que estuvo a punto de hundir toda nuestra economía.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Debemos asegurarnos de que los consumidores y las familias de clase media tengan la información que necesitan para tomar decisiones económicas. No podemos permitir que las instituciones financieras, incluidas las que se encargan de nuestros depósitos, corran riesgos que pongan en peligro toda la economía.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;La Cámara ha aprobado ya una reforma financiera que incluye muchos de estos cambios. Y los grupos de presión ya están intentando eliminarla. No podemos dejar que ganen esta pelea. Y, si el proyecto de ley que acabe encima de mi mesa no cumple los requisitos de la verdadera reforma, lo devolveré.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Después, debemos estimular la innovación en Estados Unidos. El año pasado, hicimos la mayor inversión de la historia en investigación básica, una inversión que puede desembocar en las celdas solares más baratas del mundo o en un tratamiento que mate las células cancerígenas pero deje intactas las sanas. Y ningún sector está más maduro para esa innovación que la energía. Podemos ver los resultados de las inversiones del año pasado en la empresa de Carolina del Norte que va a crear 1.200 puestos de trabajo en todo el país para ayudar a fabricar baterías avanzadas; o en la de California que va a emplear a 1.000 personas para hacer paneles solares.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ahora bien, para crear más empleo en el área de las energías limpias, necesitamos más producción, más eficacia y más incentivos. Eso significa construir una nueva generación de centrales nucleares limpias y seguras. Significa tomar decisiones difíciles como la de abrir nuevas zonas costeras para la extracción de gas y petróleo. Significa hacer una inversión continua en biocombustibles avanzados y tecnologías limpias del carbón. Y significa también aprobar un proyecto de ley integral sobre la energía y el clima con incentivos que hagan que la energía limpia sea la más rentable en Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agradezco a la Cámara que haya aprobado ese proyecto de ley. Este año, estoy deseando ayudar a mejorar la colaboración entre los dos partidos en el Senado. Sé que ha habido dudas sobre si nos podemos permitir esos cambios en una situación económica difícil; y sé que hay quienes no están de acuerdo con las abrumadoras pruebas científicas sobre el cambio climático. Pero, aunque uno tenga dudas, ofrecer incentivos a la eficacia energética y las energías limpias es lo mejor para nuestro futuro, porque el país que esté a la vanguardia de la economía de energías limpias será el país que estará a la vanguardia de la economía mundial. Y ese país debe ser Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;En tercer lugar, debemos exportar más bienes. Porque, cuantos más productos fabriquemos y vendamos a otros países, más puestos de trabajo tendremos aquí. Por tanto, esta noche, vamos a fijarnos un nuevo objetivo: duplicar nuestras exportaciones durante los próximos cinco años, un incremento que sostendrá dos millones de puestos de trabajo en Estados Unidos. Para facilitar esa meta, vamos a poner en marcha una Iniciativa Nacional de Exportaciones que ayudará a los agricultores y las pequeñas empresas a aumentar sus exportaciones, y reformará los controles de la exportación sin que eso afecte a la seguridad nacional.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Debemos buscar activamente nuevos mercados, como hacen nuestros competidores. Si Estados Unidos permanece al margen mientras otros países firman acuerdos comerciales, perderemos la oportunidad de crear empleo dentro de nuestras fronteras. Pero ser consciente de esas ventajas significa también garantizar el cumplimiento de esos acuerdos para que nuestros socios comerciales respeten las reglas. Y por eso vamos a intentar seguir elaborando un acuerdo comercial en Doha que abra los mercados mundiales y vamos a reforzar nuestras relaciones comerciales en Asia y con socios clave como Corea del Sur, Panamá y Colombia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;En cuarto lugar, debemos invertir en la capacidad y la educación de nuestra gente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este año, hemos roto el pulso entre la izquierda y la derecha con la puesta en marcha de un concurso nacional para mejorar nuestras escuelas. La idea es sencilla: en vez de recompensar el fracaso, sólo vamos a recompensar el éxito. En vez de financiar el statu quo, sólo vamos a invertir en reformas, unas reformas que incremente el triunfo escolar, inspire a los estudiantes a sacar buenas notas en matemáticas y ciencias y transforme las escuelas con más problemas que privan a demasiados jóvenes de su futuro, tanto en comunidades rurales como en los barrios más desfavorecidos de las ciudades. En el siglo XXI, uno de los mejores programas para luchar contra la pobreza es una educación de primera categoría. En este país, no puede ser que el éxito de nuestros hijos dependa más de dónde viven que de su talento.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cuando renovemos la Ley de Educación Elemental y Secundaria, trabajaremos con el Congreso para extender estas reformas a los cincuenta estados. No obstante, en esta economía, un título de bachillerato ya no garantiza un buen trabajo. Insto al Senado a que haga como la Cámara y apruebe un proyecto de ley que revitalizará nuestras universidades públicas, que son una vía de posibilidades para muchos hijos de familias trabajadoras. Para que la universidad sea más asequible, esta ley acabará por fin con las subvenciones injustificadas a los contribuyentes que van a parar a los bancos por los préstamos estudiantiles. Es mejor que tomemos ese dinero y demos a las familias un crédito fiscal de 10.000 dólares para sufragar cuatro años de universidad y aumentemos las becas federales. Y vamos a decir a otro millón de estudiantes que, cuando se gradúen, no tendrán que pagar más que el 10% de su renta en préstamos estudiantiles, y que toda su deuda se perdonará al cabo de 20 años, 10 años si se meten a trabajar en el servicio público. Porque, en los Estados Unidos de América, nadie debería arruinarse porque ha querido ir a la universidad. Y ya es hora de que las universidades se tomen en serio el deber de recortar sus gastos, porque ellas también tienen que contribuir a resolver este problema.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pero el precio de la universidad no es más que una de las cargas que afronta la clase media. Por eso, el año pasado, pedí al vicepresidente Biden que presidiera un grupo de trabajo sobre las Familias de Clase Media. Por eso estamos casi duplicando el crédito fiscal para cuidados infantiles, y estamos haciendo que sea más fácil ahorrar para la jubilación dando a todos los trabajadores acceso a una cuenta de pensiones y ampliando el crédito fiscal a quienes empiezan a ahorrar. Por eso estamos trabajando para elevar el valor de la mayor inversión de una familia: su casa. Las medidas que tomamos el año pasado para reforzar el mercado inmobiliario han permitido que millones de ciudadanos pidan nuevos préstamos y ahorren una media de 1.500 dólares en pagos de hipoteca. Este año, incrementaremos la refinanciación para que los propietarios de viviendas puedan pasarse a hipotecas más asequibles. Y para poder aliviar la deuda de las familias de clase media es precisamente para lo que seguimos necesitando una reforma del seguro de salud.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que no haya equívocos: yo no decidí abordar este tema para apuntarme una victoria legislativa. Y a estas alturas debe de estar bastante claro que no decidí abordar la reforma sanitaria porque era políticamente conveniente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Decidí ocuparme de la sanidad por las historias que he oído contar a ciudadanos con enfermedades preexistentes cuyas vidas dependen de que consigan cobertura; pacientes a los que se ha negado esa cobertura; y familias --incluso algunas con seguro-- que, con una enfermedad más, corren peligro de caer en la ruina.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Después de casi un siglo de intentarlo, estamos más cerca que nunca de aportar más seguridad a las vidas de muchos estadounidenses. La estrategia que hemos adoptado protegería a todos los ciudadanos de las peores prácticas de las aseguradoras. Daría a las pequeñas empresas y a los ciudadanos sin seguro una oportunidad de escoger un plan de salud asequible en un mercado competitivo. Exigiría que todos los planes de seguros incluyeran los cuidados preventivos. Y, por cierto, quiero reconocer la labor de nuestra primera dama, Michelle Obama, que este año va a crear un movimiento nacional para abordar la epidemia de la obesidad infantil y hacer que nuestros hijos estén más sanos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nuestra estrategia protegería el derecho de los ciudadanos que tienen seguro a mantener su médico y su plan. Reduciría los costes y las primas de millones de familias y empresas. Y, según la Oficina de Presupuestos del Congreso -la organización independiente a la que todas las partes consideran asignan la tarea de llevar las cuentas del Congreso-, nuestra estrategia reduciría el déficit hasta en un billón de dólares durante las dos próximas décadas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aun así, ésta es una cuestión compleja y, cuanto más se debatía, más escepticismo despertaba. Asumo mi parte de responsabilidad por no explicarla con más claridad a los ciudadanos. Y sé que, con todas las presiones y todos los tira y aflojas, este proceso dejó a la mayoría de los estadounidenses sin saber en qué iba a ayudarles.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Pero también sé que este problema no va a desaparecer. Para cuando termine de hablar aquí esta noche, más estadounidenses habrán perdido su seguro. Este año lo perderán millones. Nuestro déficit aumentará. Las primas subirán. A algunos pacientes les negarán los cuidados que necesitan. Los pequeños empresarios seguirán eliminando los seguros por completo. Yo no voy a abandonar a estos estadounidenses, y tampoco deben hacerlo quienes están en esta Cámara.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cuando se hayan enfriado los ánimos, quiero que todo el mundo vuelva a echar un vistazo al plan que hemos propuesto. Si muchos médicos, enfermeros y expertos en sanidad, que conocen nuestro sistema mejor que nadie, piensan que esta estrategia es una inmensa mejora respecto al statu quo, es por algo. Pero si alguien, del partido que sea, tiene una estrategia mejor, que disminuya las primas, reduzca el déficit, proteja a los que no tienen seguro, refuerce Medicare para los ancianos e impida los abusos de las compañías de seguros, que me lo haga saber. Lo que yo le pido al Congreso es lo siguiente: no deis la espalda a la reforma. No en este momento. No cuando estamos tan cerca. Vamos a encontrar una forma de colaborar y rematar la tarea por el bien del pueblo estadounidense.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ahora bien, aunque la reforma de la sanidad redujera nuestro déficit, no basta para sacarnos del enorme agujero fiscal en el que nos encontramos. Ése es un problema que hace que los demás sean mucho más difíciles de resolver, y que ha sido objeto de muchos enfrentamientos políticos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Empezaré a hablar de los gastos de gobierno con una aclaración. Al principio de la década pasada, Estados Unidos tenía un superávit presupuestario de más de 200.000 millones de dólares. Cuando yo tomé posesión, llevábamos un año con un déficit de más de 1 billón de dólares y unos déficits proyectados de 8 billones de dólares durante la próxima década. La mayor parte se debía a no haber pagado dos guerras, dos recortes fiscales y un carísimo programa de medicamentos con receta. Además, los efectos de la recesión habían contribuido con un agujero de 3 billones de dólares en nuestro presupuesto. Eso fue antes de que yo llegara.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Si hubiera asumido el cargo en una época normal, nada me habría gustado más que empezar a reducir el déficit. Pero llegamos en medio de una crisis, y nuestros esfuerzos para evitar una segunda Depresión han sumado otro billón de dólares más a nuestra deuda nacional.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estoy totalmente convencido de que hicimos lo que había que hacer. Pero, en todo el país, las familias están apretándose el cinturón y tomando decisiones difíciles. El gobierno federal debería hacer lo mismo. Por tanto, esta noche, voy a proponer unas medidas concretas para devolver el billón de dólares que hizo falta el año pasado para rescatar la economía.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A partir de 2011, estamos preparados para congelar los gastos de gobierno durante tres años. Los gastos relacionados con nuestra seguridad nacional, Medicare, Medicaid y la Seguridad Social no se verán afectados. Pero todos los demás programas a discreción del gobierno, sí. Como cualquier familia que anda justa de dinero, nos atendremos a un presupuesto para invertir en lo que necesitamos y sacrificar lo que no. Y si tengo que hacer respetar esta disciplina mediante un decreto, lo haré.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seguiremos repasando el presupuesto partida por partida para eliminar programas que no podemos permitirnos y no funcionan. Ya hemos identificado 20.000 millones de dólares en ahorros para el próximo año. Con el fin de ayudar a las familias trabajadoras, vamos a prolongar nuestros recortes fiscales para la clase media. Pero en una época de déficits sin precedentes, no vamos a seguir con los recortes fiscales para las compañías petrolíferas, los gestores de fondos de inversión ni quienes ganan más de 250.000 dólares al año. No podemos permitírnoslo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Incluso aunque paguemos lo que hayamos gastado durante mi mandato, seguiremos teniendo que afrontar el enorme déficit que teníamos cuando llegué al cargo. Más importante, el coste de Medicare (la asistencia sanitaria a las personas mayores), Medicaid (la asistencia sanitaria de beneficencia) y la Seguridad Social (el sistema de pensiones) seguirá disparándose. Por eso he convocado una Comisión Fiscal, con participación de los dos partidos, inspirada en una propuesta del republicano Judd Gregg y el demócrata Kent Conrad. Éste no puede ser uno de esos trucos de Washington que nos permite hacer como si hubiéramos resuelto el problema. La Comisión tendrá que ofrecer una serie concreta de soluciones en un plazo fijo. Ayer, el Senado bloqueó un proyecto de ley que habría creado esa comisión. Por consiguiente, voy a firmar un decreto que nos permita seguir avanzando, porque me niego a pasar este problema a otra generación de estadounidenses. Y mañana, cuando llegue la votación, el Senado debería restablecer la ley de ingresos sobre la marcha, que fue uno de los motivos principales por los que tuvimos superávits sin precedentes en los años noventa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sé que, dentro de mi propio partido, algunos dirán que no podemos ocuparnos del déficit ni congelar el gasto de gobierno cuando tantos están pasándolo tan mal. Estoy de acuerdo, y por eso esta congelación no entrará en vigor hasta el año que viene, cuando la economía sea más fuerte. Pero quiero que quede clara una cosa: si no tomamos medidas significativas para contener nuestra deuda, podría hacer daño a nuestros mercados, aumentar el precio de los préstamos y poner en peligro nuestra recuperación; todo lo cual, a su vez, podría tener un efecto todavía peor en el crecimiento del empleo y las rentas familiares. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde algunos escaños de la derecha, supongo que oiremos un argumento diferente: que si invertimos menos en nuestro pueblo, prolongamos los recortes fiscales a los ricos, eliminamos más normas y mantenemos el statu quo en sanidad, nuestros déficits desaparecerán. Lo malo es que eso es lo que hicimios durante ocho años. Es lo que nos metió en esta crisis. Es lo que contribuyó a que tengamos estos déficits. Y no podemos volver a hacerlo. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;En vez de librar las mismas batallas cansinas que llevan décadas dominando Washington, ha llegado el momento de que probemos algo nuevo. Invirtamos en nuestros ciudadanos sin dejarles inmersos en una montaña de deuda. Hagamos frente a nuestra responsabilidad con quienes nos han traído aquí. Probemos con el sentido común. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para ello, debemos reconocer que nos enfrentamos a un déficit de algo más que unos dólares. Nos enfrentamos a un déficit de confianza, dudas profundas y corrosivas obre el funcionamiento de Washington que llevan años creciendo. Para recobrar esa credibilidad debemos actuar en los dos extremos de Pennsylvania Avenue con el fin de poner fin a la desmesurada influencia de los lobbies, hacer nuestro trabajo de manera abierta y dar a nuestro pueblo el gobierno que se merece. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A eso vine a Washington. Por eso, por primera vez en la historia, mi administración publica en la red el nombre de los que visitan la Casa Blanca. Y por eso hemos excluido a los lobbistas de cargos de responsabilidad estratégica y puestos en consejos y comisiones federales. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pero no podemos quedarnos ahí. Ha llegado la hora de exigir a los grupos de presión que revelen cada contacto que hagan en nombre de un cliente con mi administración y con el Congreso. Y ha llegado la hora de fijar unos límites estrictos a las contribuciones que puedan hacer los lobbistas a los candidatos para puestos federales. La semana pasada, el Tribunal Supremo revocó un siglo de legislación para abrir la posibilidad de que los intereses especiales -incluidos extranjeros- puedan gastar sin límites en nuestras elecciones. No creo que las elecciones deban financiarse con dinero de los intereses más poderosos del país ni, peor aún, de entidades extranjeras. La decisión debe ser del pueblo estadounidense, y por eso insto a demócratas y republicanos a que aprueben un proyecto de ley que contribuya a remediar este problema. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Insto asimismo al Congreso a que prosiga el camino de la reforma de las partidas destinadas de antemano. Han recortado parte del gasto y han adoptado cambios importantes. Pero para restablecer la confianza del público son necesarias más cosas. Por ejemplo, algunos miembros del Congreso colocan en la red peticiones de asignaciones de partidas. Hoy pido al Congreso que publique todas las peticiones en una sola página web antes de cada votación, para que los estadounidenses sepan cómo se gasta su dinero. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por supuesto, ninguna de estas reformas se llevará a cabo si no reformamos también nuestra forma de trabajar juntos. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No soy ingenuo. Nunca pensé que el mero hecho de elegirme fuera a a traer la paz, la armonía y una era de colaboración entre los dos partidos. Sabía que las dos formaciones habían alimentado divisiones profundamente arraigadas. Y, en ciertos temas, hay diferencias filosóficas que siempre nos harán discrepar. Esas diferencias, sobre el papel del gobierno en nuestras vidas, se producen desde hace más de 200 años. Son la esencia misma de nuestra democracia. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lo que causa frustración al pueblo norteamericano es un Washington en el que cada día es un día de elecciones No podemos estar siempre en campaña, con el único objetivo de ver quién puede conseguir más titulares bochornosos sobre su rival, la convicción de que, si tú pierdes, yo salgo ganando. Ningún partido debe retrasar ni obstaculizar cada proyecto de ley simplemente porque puede hacerlo. La confirmación de personas muy cualificadas para ocupar cargos públicos no debe depender de proyectos o agravios de unos cuantos senadores. Washington puede pensar que decir algo del otro bando, por falso que sea, forma parte del juego. Pero ese tipo de politiqueo es precisamente el que ha hecho que los partidos hayan dejado de ayudar a los ciudadanos. Peor aún, está sembrando más divisiones entre nuestros ciudadanos y más desconfianza en el gobierno. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por tanto, no, no voy a renunciar a cambiar el tono de nuestra política. Sé que es un año de elecciones. Y después de la semana pasada, está claro que la fiebre de la campaña ha llegado antes que nunca. Pero tenemos que gobernar. A los demócratas, les recuerdo que todavía tenemos la mayoría más grande en décadas, y la gente espera que resolvamos algunos problemas, no que vayamos a escondernos. Y si la dirección republicana va a insistir en que se necesitan sesenta votos en el Senado para hacer cualquier cosa, entonces la responsabilidad de gobernar también es de ellos. Decir que no a todo puede ser buena política a corto plazo, pero no es gobernar. Estamos aquí para servir a nuestros ciudadanos, no cultivar nuestras ambiciones. Vamos a demostrar al pueblo que podemos trabajar juntos. Esta semana voy a hablar ante una reunión de republicanos de la Cámara. Y me gustaría empezar a celebrar reuniones mensuales con las direcciones de los dos partidos. Sé que lo aguardan con impaciencia. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante toda nuestra historia, ningún problema ha unido más a nuestro país que la seguridad. Por desgracia, parte de la unidad que sentimos después del 11-S se ha disipado. Podemos discutir todo lo que se quiera sobre quién tiene la culpa de ello, pero no me interesa remover el pasado. Sé que todos amamos a este país. Todos estamos entregados a su defensa. Así que vamos a dejar de lado las bravatas de patio de colegio sobre quién puede más. Vamos a rechazar la falsa alternativa entre proteger a nuestra gente y hacer respetar nuestros valores. Vamos a dejar atrás el miedo y las divisiones, y a hacer lo que haga falta para defender nuestra nación y labrar un futuro más esperanzado, para Estados Unidos y para el mundo. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ésa es la tarea que comenzamos el año pasado. Desde mi primer día en el puesto, hemos renovado nuestra atención a los terroristas que amenazan a nuestro país. Hemos hecho inversiones importantes en seguridad interior y hemos desbaratado planes que amenazaban con eliminar vidas de estadounidenses. Estamos solucionando los fallos imperdonables que han quedado al descubierto con el intento de atentado del día de Navidad, con más seguridad en las líneas aéreas y una actuación más rápida por parte de nuestros servicios de inteligencia. Hemos prohibido la tortura y reforzado las relaciones con otros países, desde el Pacífico hasta la Península Arábiga, pasando por el sur de Asia. Y en el último año, hemos capturado o matado a cientos de combatientes y afiliados de Al Qaeda, entre ellos muchos líderes; muchos más que en 2008. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;En Afganistán, estamos aumentando nuestras tropas y entrenando a las Fuerzas de Seguridad afganas para que puedan empezar a hacerse cargo de la situación en julio de 2011 y nuestros soldados puedan empezar a volver a casa. Recompensaremos el buen gobierno, reduciremos la corrupción y apoyaremos los derechos de todos los afganos, hombres y mujeres. Contamos con el apoyo de socios y aliados que también han reforzado su presencia y que mañana se reunirán en Londres para reafirmar nuestro objetivo común. Nos aguardan tiempos difíciles. Pero estoy seguro de que triunfaremos. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mientras orientamos la lucha hacia Al Qaeda, estamos dejando Irak a su pueblo, de manera responsable. Como candidato, prometí que acabaría esta guerra, y es lo que estoy haciendo como presidente. Todas nuestras tropas de combate estarán fuera de Irak para finales del próximo mes de agosto. Apoyaremos al gobierno iraquí durante la celebración de las elecciones y seguiremos colaborando con el pueblo iraquí para promover la paz y la prosperidad regional. Pero que quede claro que esta guerra está terminando, y todos nuestros soldados volverán a casa. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta noche, todos nuestros hombres y mujeres de uniforme -en Irak, Afganistán y todo el mundo- deben saber que cuentan con nuestro respeto, nuestra gratitud y todo nuestro apoyo. Y, así como ellos deben tener los recursos que necesitan en la guerra, todos tenemos la responsabilidad de apoyarles cuando vuelven a nuestro país. De ahí que hayamos hecho el mayor aumento de las inversiones para los veteranos en décadas. Por eso estamos construyendo un edificio del siglo XXI para la Administración de Veteranos. Y por eso Michelle se ha asociado con Jill Biden para orquestar un compromiso nacional de apoyo a las familias militares. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A la vez que libramos dos guerras, nos enfrentamos al que es tal vez el mayor peligro para el pueblo estadounidense: la amenaza de las armas nucleares. He asumido la visión de John F. Kennedy y Ronald Reagan con una estrategia que invierta la tendencia a la difusión de estas armas y busque un mundo sin ellas. Para reducir nuestras reservas y nuestros lanzamisiles, sin dejar de garantizar el elemento disuasorio, Estados Unidos y Rusia están completando unas negociaciones sobre el tratado de control de armas de más alcance en casi veinte años. Y, en la Cumbre de seguridad nuclear del mes de abril, reuniremos a 44 países con un claro objetivo: asegurar todos los materiales nucleares vulnerables del mundo en un plazo de cuatro años, para que nunca puedan caer en manos de terroristas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estos esfuerzos diplomáticos nos han dado asimismo más fuerza para tratar con los países que insisten en violar los acuerdos internacionales y en intentar adquirir esas armas. Por eso ahora Corea del Norte afronta un aislamiento cada vez mayor y unas sanciones más fuertes; sanciones que están aplicándose con toda energía. Por eso la comunidad internacional está más unida y la República Islámica de Irán más aislada. Y, mientras los líderes iraníes sigan ignorando sus obligaciones, no puede haber duda: ellos también tendrán que arrostrar unas consecuencias cada vez más graves.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ése es el tipo de liderazgo que estamos ejerciendo: un compromiso que favorece la seguridad y la prosperidad de todo el mundo. Estamos trabajando, a través del G-20, para sostener una recuperación mundial duradera. Estamos colaborando con comunidades musulmanas de todo el mundo para fomentar la ciencia, la educación y la innovación. Hemos pasado de ser espectadores a estar en primera línea de la lucha contra el cambio climático. Ayudamos a países en vías de desarrollo a alimentarse por sí mismos y continuamos la lucha contra el sida. Y estamos poniendo en marcha una nueva iniciativa que nos dará la capacidad de reaccionar con más rapidez y más eficacia al bioterrorismo y las enfermedades infecciosas, un plan que luchará contra las amenazas en nuestro país y reforzará la salud pública en el extranjero.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estados Unidos lleva a cabo estas acciones, como ocurre desde hace sesenta años, porque nuestro destino está unido al de otros. Pero también lo hacemos porque es lo debido. Por eso, esta noche, mientras estamos aquí reunidos, más de 10.000 estadounidenses trabajan con muchos países para ayudar al pueblo de Haití a recuperarse y reconstruir.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por eso estamos con la niña que sueña con ir a la escuela en Afganistán; apoyamos los derechos humanos de las mujeres que se manifiestan por las calles de Irán; y defendemos al joven al que se le ha negado un trabajo por culpa de la corrupción en Guinea. Porque Estados Unidos siempre debe estar al lado de la libertad y la dignidad humana.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;En el extranjero, nuestra mayor fuerza la han constituido siempre nuestros ideales. Lo mismo ocurre dentro de nuestras fronteras. Vemos unidad en nuestra increíble diversidad, aprovechamos la promesa consagrada en nuestra Constitución: la idea de que todos somos iguales, que no importa quién sea o qué aspecto tenga una persona, si respeta la ley debe estar protegida por ella; que, si se adhiere a nuestros valores comunes, debe recibir el mismo trato que cualquier otra.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Debemos renovar continuamente esta promesa. Mi gobierno cuenta con una División de Derechos Civiles que está volviendo a perseguir las violaciones de los derechos civiles y la discriminación laboral. Hemos reforzado, por fin, nuestras leyes para prevenir los crímenes impulsados por el odio. Este año, trabajaré con el Congreso y con el ejército para revocar la ley que niega a los ciudadanos homosexuales el derecho a servir al país que aman por ser quienes son. Vamos a atacar drásticamente las infracciones de la ley sobre igualdad de salario, de forma que las mujeres obtengan la misma remuneración por una jornada igual de trabajo. Y debemos continuar la tarea de arreglar nuestro defectuoso sistema de inmigración, asegurar nuestras fronteras, aplicar nuestras leyes y garantizar que cualquiera que se atenga a las reglas pueda contribuir a nuestra economía y enriquecer nuestra nación. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Al final, son nuestros ideales y nuestros valores los que construyeron Estados Unidos. Unos valores que nos permitieron crear una nación compuesta por inmigrantes de todos los rincones del planeta; unos valores que todavía impulsan a nuestros ciudadanos. Cada día, los estadounidenses cumplen sus responsabilidades con respecto a sus familias y sus empresas. Una y otra vez, echan una mano a sus vecinos y hacen su contribución a su país. Se enorgullecen de su trabajo y tienen un espíritu generoso. Éstos no son valores republicanos ni valores demócratas, valores de empresarios ni valores de trabajadores. Son valores americanos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por desgracia, son demasiados los ciudadanos que han perdido la fe en que nuestras principales instituciones -nuestras empresas, nuestros medios de comunicación y, por qué no, nuestro gobierno- sigan reflejando esos mismos valores. Cada una de esas instituciones está llena de hombres y mujeres honrados que hacen una labor importante para contribuir a la prosperidad de nuestro país. Pero, cada vez que un consejero delegado se premia por un fracaso o un banquero nos pone a todos en peligro por su propia condicia personal, las dudas de la gente aumentan. Cada vez que los lobbistas manipulan el sistema o los políticos se despedazan en vez de ayudar a levantar el país, perdemos la fe. Cuantas más veces reducen los "expertos" de las tertulias de televisión los debates serios a discusiones estúpidas y las grandes cuestiones a frases sonoras, más se alejan nuestros ciudadanos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No es de extrañar que haya tanto cinismo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No es de extrañar que haya tanta desilusión.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Yo hice campaña con la promesa de cambio; un cambio en el que podemos creer, decía el eslogan. Y ahora mismo sé que hay muchos estadounidenses que no están seguros de si todavía creen que podemos cambiar o, por lo menos, de si yo puedo conseguirlo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pero hay que recordar una cosa: yo nunca sugerí que el cambio sería fácil ni que yo podía hacerlo solo. La democracia, en una nación de 300 millones de personas, puede ser ruidosa, caótica y complicada. Y, cuando uno intenta llevar a cabo grandes cosas y grandes transformaciones, se despiertan las pasiones y la controversia. Las cosas son así.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quienes ocupamos cargos públicos podemos reaccionar actuando con prudencia y evitando tener que contar verdades incómodas. Podemos hacer lo necesario para salir bien parados en las encuestas y superar la siguiente elección en vez de hacer lo más conveniente para la siguiente generación.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pero también sé otra cosa: si la gente hubiera tomado esa decisión hace cincuenta años o hace cien años o hace doscientos años, hoy no estaríamos aquí. La única razón por la que estamos es que hubo generaciones anteriores que no tuvieron miedo de hacer lo difícil, de hacer o que era necesario incluso cuando no estaban seguros de tener éxito, de hacer lo que hiciera falta para mantener vivo el sueño para sus hijos y sus nietos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nuestro gobierno ha sufrido algunos reveses este año, y algunos de ellos fueron merecidos. Pero todos los días me despierto sabiendo que no son nada comparados con los reveses que han sufrido numerosas familias en todo el país. Y lo que me permite seguir adelante y con ganas de luchar es que, a pesar de todos esos reveses, el espíritu de determinación, de optimismo y de decencia esencial que siempre ha sido la base del pueblo estadounidense, sigue vivo. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sigue vivo en el pequeño empresario que me escribió, hablando de su compañía: "Ninguno de nosotros... quiere pensar, ni por asomo, en que podamos fracasar".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sigue vivo en la mujer que dijo que, aunque tanto sus vecinos como ella han sufrido con la recesión, "somos fuertes. Somos resistentes. Somos americanos".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sigue vivo en el chico de ocho años de Louisiana que me envió su paga y me pidió que se la hiciera llegar al pueblo de Haití. Y sigue vivo en todos los estadounidenses que lo han dejado todo para ir a algún lugar en el que nunca habían estado a sacar a gente a la que no conocían de debajo de escombros, con gritos de "¡U.S.A.! ¡U.S.A.! ¡U.S.A!" cada vez que se salvaba otra vida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ese espíritu que ha sostenido esta nación durante más de dos siglos sigue vivo en vosotros, su gente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hemos terminado un año difícil. Hemos superado un decenio difícil. Pero ahora empieza un nuevo año. Comienza una nueva década. No nos rendimos. No me rindo. Aprovechemos el instante para empezar de nuevo, llevar adelante el sueño y volver a fortalecer nuestra unión.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gracias. Dios les bendiga. Y Dios bendiga a los Estados Unidos de América.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://www.elpais.com/global/"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;EL PAIS - Texto traducido por Mª LUISA RODRÍGUEZ TAPIA&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-4509658112928791200?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/4509658112928791200/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=4509658112928791200&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/4509658112928791200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/4509658112928791200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2010/01/obama-discurso-do-estado-da-uniao.html' title='OBAMA - DISCURSO DO ESTADO DA UNIÃO'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-5571214641004990773</id><published>2010-01-20T14:27:00.000-08:00</published><updated>2010-01-20T14:27:06.134-08:00</updated><title type='text'>ALBERT CAMUS - Alguns apontamentos para Nemésis</title><content type='html'>Fez no dia 4 de Janeiro cinquenta anos que Albert Camus morreu. Tinha uns dias antes, terminado uns apontamentos sobre a forma de aforismos: um nunca fechado ensaio sobre o que não convém esquecer, sobre o que convém arrastar ao longo do tempo. Chamara-lhe “Para Nemésis” (Nemésis, a deusa filha da Noite e do Oceano), e dedicara-o a Cerésol, um amigo de longa data. Evocar Camus poderia ser mais um ritual literário. Não é ele que nos move. Mas o pretexto para não o deixar morrer. Porque um escritor morre quando não é lido. E a avaliar pelas leituras das novas gerações que chegam aos cursos universitários de Literatura, a crer nos inquéritos que preenchem, e nos modelos de literatura que incorporam, Albert Camus caiu num indiferente silêncio. Quem é Albert Camus? Um escritor que não queria esquecer em si a amálgama de raças de que todos somos feitos. Amarguravam-no os rótulos, sacudia-os muitas vezes debalde, sobretudo depois de ter recebido o Prémio Nobel. Sempre demasiado filósofo para entrar na cúria dos escritores, demasiado escritor para entrar na quinta dos filósofos, demasiado instintivo para o coro dos existencialistas, demasiado existencialista para o hino dos neo-realistas, demasiado materialista para ser religioso, demasiado religioso para ser materialista. Andamos a perdê-lo entre estes e outros lugares-comuns. Albert Camus é um escritor para o nosso tempo, para em cada tempo questionarmos o que somos. Fala-nos por isso de coisas incómodas e não rotuláveis. Numa folha dos seus cadernos foi anotando as dez palavras que preferia. “Resposta à questão sobre as minhas dez palavras preferidas: Mundo, Dor, Terra, Mãe, Homens, Deserto, Miséria, Verão, Mar”. Antes o lêssemos com palavras-chave ou com aforismos. E dele fizéssemos apontamentos para Nemésis, formas de Memória, nascidas do escuro da Noite e da mobilidade do Oceano. As palavras-chave abrem livros e mundos. E os aforismos são uma sabedoria erudita, como provérbios de um povo de leitores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mundo: “O meu papel não o de transformar o mundo. […] Ou transformar os homens. […] Mas talvez seja o de, na minha circunstância, somente servir aqueles valores sem os quais o mundo, mesmo transformado, não merece ser vivido”. Ler &lt;em&gt;O Homem Revoltado&lt;/em&gt;. O absurdo do mundo não é uma conclusão. Mas pode ser um ponto de partida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dor: “Devemos servir ao mesmo tempo a Dor e a Beleza. A demorada paciência, a força, a secreta vitória que isso exigirá de nós tornar-se-ão as virtudes sobre as quais fundaremos o renascimento de que sentimos necessidade”. Ler &lt;em&gt;O Avesso e o Direito&lt;/em&gt;. Nunca se deve escolher entre &lt;em&gt;O Avesso e o Direito&lt;/em&gt; do mundo. Não se pode escolher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terra: “Bem pobres são aqueles que têm necessidade de mitos. Aqui os deuses transformam-se em leitos e miradouros ao longo dos caminhos. Descrevo e digo: ’Aqui está o vermelho, o azul, o verde. Isto é o mar, a montanha, flores’. Que necessidade tenho de falar de Dionísio para falar do gosto que tenho em esmagar as sementes de lentisco perto do nariz?” Ler &lt;em&gt;O Estrangeiro&lt;/em&gt;. Há uma aprendizagem a fazer do que temos. E do que perdemos quando o esquecemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãe: “[…] o sentimento bizarro que um filho dedica a sua mãe constitui toda a sua sensibilidade. As manifestações dessa sensibilidade nos mais diferentes domínios explicam-se suficientemente por essa memória latente, o material da sua infância (cola que adere à alma) ”. Ler &lt;em&gt;O Primeiro Homem&lt;/em&gt;. Crescer a tentar perceber os silêncios, as lacunas, os gestos, os actos. Mais importantes do que as palavras que foram faltando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homens: “Todos nós sabemos bem, sem qualquer sombra de dúvida, que a tão procurada nova ordem mundial, não pode ser a imposição de uma perspectiva nacional, nem mesmo continental, e muito menos ocidental ou oriental. Ela só pode ser universal”. Ler &lt;em&gt;Os Justos&lt;/em&gt;. Ajuda a reflectir sobre o terrorismo e os seus limites. Entender a ordem é compreender a diversidade. Entender o Mal é desde logo exigir em nós a acção responsável do Bem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deserto: “O deserto tem algo de implacável. O céu mineral de Orão, as suas ruas, as suas árvores revestidas pela poeira, tudo contribui para criar esse universo espesso e impassível, onde o coração e o espírito nunca andam distraídos, nele encontrando sempre razões para crescer, para se afirmar”. Ler &lt;em&gt;Calígula&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;A Queda&lt;/em&gt;. O deserto nas cidades também. O das palavras indiferentes e o dos gestos brutais. E a teimosa lição de toda a vida que existe no deserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miséria: Respondendo a um crítico que lhe observava que não podia ter aprendido o valor da liberdade em Marx: “- É verdade, aprendi-o na miséria”. Ler &lt;em&gt;A Peste&lt;/em&gt;. A miséria que pode amesquinhar. A miséria que pode tolher. A miséria que pode desculpar o uso do sabre. Mas também a possibilidade de tudo perder. E da vitória possível do espírito sobre o sabre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verão: “Nunca falhamos na vida quando a colocamos na luz. Ao longo das situações, descontentamentos, desilusões, o meu zelo era o de voltar a encontrar os contactos do mundo. E mesmo mergulhado na minha tristeza, que desejo de amar, que inebriamento, à simples visão de uma colina ao cair da tarde”. Ler &lt;em&gt;O Verão&lt;/em&gt;. Devia ser traduzido. Existe todavia na internet uma versão brasileira, disponível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mar: “Preciso de me despir e depois mergulhar no mar, o corpo perfumado ainda com as essências da terra, e nele as lavar, sentindo sobre a minha pele o beijo por que suspiravam há tanto tempo a terra e o mar”. Ler &lt;em&gt;Núpcias&lt;/em&gt;. A voluptuosidade do volúvel. O prazer do que é indefinido e muda de forma. Como do que é palpável e rigoroso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sentimento do absurdo é fácil. Difícil é pegar no absurdo e teimar em derrotá-lo. Com “aquela vontade admirável de nada separar ou excluir que sempre reconciliou e reconciliará ainda o coração dorido dos homens e a primavera do mundo”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Maria Luísa Malato Borralho - Faculdade de Letras da Universidade do Porto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Publicado, no dia 15 de Janeiro de 2010, em &lt;a href="http://dererummundi.blogspot.com/2009/05/as-artes-entre-as-letras.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;As Artes Entre as Letras&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-5571214641004990773?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/5571214641004990773/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=5571214641004990773&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/5571214641004990773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/5571214641004990773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2010/01/albert-camus-alguns-apontamentos-para.html' title='ALBERT CAMUS - Alguns apontamentos para Nemésis'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-7665317318803933845</id><published>2010-01-09T09:11:00.000-08:00</published><updated>2010-01-09T09:11:51.910-08:00</updated><title type='text'>ALBERT CAMUS: O LUGAR DO MORTO</title><content type='html'>&lt;strong&gt;“ATENÇÃO FLASH O ESCRITOR ALBERT CAMUS MORTO NUM ACIDENTE DE AUTOMÓVEL EM YONNE, PERTO DE SENS”. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A notícia caía assim sumariamente, a meio da tarde de 4 de Janeiro de 1960, divulgada pela France-Presse. Os pormenores viriam mais tarde. O acidente ocorrera sem causas aparentes: Michel Gallimard vinha a conduzir com Albert Camus ao lado. Atrás, a mulher e a filha de Michel. Velocidade excessiva? Lençol húmido no asfalto? Depois da derrapagem e do choque com um plátano, os ocupantes do banco de trás seriam projectados e sobreviveriam. Michel morrerá alguns dias depois. Albert Camus terá tido morte imediata. Ocupava o lugar do morto. Fez, na passada 2.ª feira, 50 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que nos interessa hoje recordar num acidente de há 50 anos atrás? Que interesse podem ter actualmente as discussões em França sobre a proposta de transladação dos restos mortais, do pequeno cemitério de Lourmarin para o Panteão em Paris? Qual é verdadeiramente “o lugar do morto” de um escritor universal? Lourmarin ou Paris? Talvez a pequena laje de Lourmarin, onde um amigo plantou, pouco tempo depois, um absinto trazido de Tipasa, lhe pese ainda hoje menos que as paredes em mármore de Paris. E o que interessa esta data, e “o lugar do morto”, para os leitores de hoje, em Portugal, 50 anos depois de um escritor francês ter morrido num acidente de automóvel “près de Sens”, literalmente perto de Sentido? A avaliar nos inquéritos que, com alguma regularidade, fazemos aos alunos que chegam ao primeiro ano dos cursos de Literatura da minha Universidade, pouca legibilidade terá a questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Albert Camus quase deixou de ser lido em Portugal. E existem claramente fossos geracionais acentuados a partir dos anos 80. Camus foi o autor de uma geração que o lia com paixão ou como provocação: era “o autor do absurdo”, “o defensor do suicídio”, novo Nietzsche da morte de Deus. A geração seguinte já lerá O Mito de Sísifo ou O Estrangeiro como obrigação escolar. A geração actual não o conhece, não o lê, não o vê referido. Quando muito, Camus parece-nos hoje reduzido a uma linha enciclopédica, “près de Sens”, perto de Sentido, mas ainda sem sentido: “ (1913-1960): escritor francês, que se inscreve na escola do Existencialismo, definindo-se a partir do conceito de absurdo da existência humana”. Talvez nenhuma das gerações referidas o tenha verdadeiramente conhecido ou lido, mesmo quando o lia como paixão ou como provocação. Sobretudo talvez quando o lia assim: lia-se a si própria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Albert Camus sempre se movimentou mal entre os seus rótulos. Não era um defensor do Absurdo, mas um crítico do Absurdo em que via a sociedade mover-se: Ah, “a fúria contemporânea de confundir o escritor com o seu tema, não é sensível a esta liberdade relativa do escritor. E assim nos tornamos ‘profeta do absurdo’. […] Para que serve então dizer uma vez mais que, no contexto que me interessava e no qual eu escrevo, o absurdo não pode ser senão um ponto de partida, ainda quando a sua lembrança e a sua emoção acompanham os passos dados depois? […] Sem ir até ao limite da questão, pode-se, pelo menos, reparar que, da mesma forma que não se pode afirmar o ‘materialismo absoluto’ (desde logo porque a palavra pressupõe a existência de algo mais do que a matéria), também se não pode falar de niilismo total”. Leia-se o restante no livro O Verão, capítulo “O Enigma”. Poucos escritores religiosos reivindicaram como ele “o direito a amar sem medida”. E na sua obra de homenagem à vida, à coragem e à natureza, nem uma linha existe de defesa do suicídio, embora muitos leitores por alto interpretassem o acidente de 4 de Janeiro como um acto coerente. Que percebemos nós do lugar do morto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O lugar do morto”, para Albert Camus, são os seus rótulos. “Escritor francês”, ignorado numa cultura que se tornou americanizada sem Poe, Twain ou Plath. “Filósofo existencialista”, quando nenhum pensador dos novos tempos se afirma ainda nesse “arcaísmo”. “Escritor de esquerda”, mas demasiado “burguês” para prescindir de algumas liberdades individuais, pouco realista, ainda menos “neo-realista”. “Provocador”, mas demasiado “colono” nas suas reticências ao processo de independência da Argélia. O lugar da vida, para Albert Camus, são as leituras para além dos rótulos, a compreensão do seu compromisso com o amor, a coragem, a justiça e a beleza, acima de todas as outras razões legítimas. Por isso, ainda em vida, foi tão atacado pelos que lhe eram semelhantes, pelos escritores demasiado franceses ou oficialmente de esquerda, pelos existencialistas de cartilha ou pelos provocadores de ofício. Pouco antes de partir da casa de Lourmarin, Camus teria terminado o ensaio “Para Nemesis”, aforismos do que se não deve esquecer, saídos da união original entre a Literatura e da Filosofia. No dia do acidente, levava, numa pasta preta de couro, o manuscrito da obra em que andava a trabalhar: “O Primeiro Homem”, um romance em que partia da sua infância na Argélia, órfão de pai, para a consciência de que cada homem no mundo, à semelhança de si e de cada argelino, se faz a partir dessa ausência, dessa orfandade e incompletude, no paraíso potencial que é a nossa vida na terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso que conheceremos, se o lermos, quando o lermos. Em Lourmarin, em Paris, em Tipasa, em Nova York ou em Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Maria Luísa Malato Borralho&lt;/strong&gt; (Faculdade de Letras da Universidade do Porto)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Artigo publicado, hoje, no “Expresso”, também disponível &lt;a href="http://aregradojogo.blogs.sapo.pt/316534.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;aqui&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-7665317318803933845?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/7665317318803933845/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=7665317318803933845&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/7665317318803933845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/7665317318803933845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2010/01/albert-camus-o-lugar-do-morto.html' title='ALBERT CAMUS: O LUGAR DO MORTO'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-4964638621379653370</id><published>2010-01-06T07:03:00.000-08:00</published><updated>2010-01-07T16:21:35.530-08:00</updated><title type='text'>ALBERT CAMUS – UMA CRONOLOGIA PELO CINQUENTENÁRIO DA SUA MORTE (revista)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;Albert Camus – 7 de Novembro de 1913 (Mandovi, Constantine - Argélia) – 4 de Janeiro de 1960 (Villeblevin)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Albert Camus argelino, pelo nascimento, filho de emigrantes, nasceu pobre. A sua mãe, Catherine Sintès, era de ascendência espanhola (Baleares) e seu pai, Lucien Camus, de ascendência francesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai morreu em 11 de Outubro de 1914, no hospital militar de Saint-Brieuc, depois de ter sido gravemente ferido na Batalha de Marne. A família muda-se para o bairro Belcout, em Argel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1918-1923&lt;/strong&gt; – Camus frequenta a escola comunal de Belcourt tendo chamado a atenção de Louis Germain, seu professor, que admirando as qualidades do seu jovem aluno e apercebendo-se da vontade da família para que abandonasse os estudos por motivos económicos, intercedeu junto da avó de Camus (a verdadeira matriarca da família) para que lhe fosse permitido prosseguir. A diligência foi bem sucedida e, em 1923, Camus ingressa, como bolseiro, no liceu Bugeaud, em Argel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1924- 1931&lt;/strong&gt; – Frequenta o curso liceal nunca tendo esquecido o seu mestre Louis Germain a quem dedicará os Discursos da Suécia, pronunciados em Dezembro de 1957, por ocasião da entrega do prémio Nobel da Literatura. Segue Filosofia, tendo como professor Jean Grenier, um notável escritor, cuja influência se revelará decisiva na formação intelectual e humana de Camus. Em 1931, é obrigado a abandonar a paixão pelo futebol, de que chegou a ser praticante, numa equipa da Universidade de Argel, devido aos primeiros sinais da tuberculose, doença que o impedirá naquele ano de fazer as provas de acesso à Faculdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1932- 1935&lt;/strong&gt; – Prepara a sua licenciatura em filosofia na Universidade de Argel. Publica alguns artigos na Revista Sud. Jean Grenier publica As Ilhas. Em 16 de Junho de 1934, Camus casa-se, pelo civil, com Simone Hié. Nesse mês obtém o certificado de Psicologia e, em Novembro de 1934, o Certificado de Estudos Literários Clássicos. O ano de 1935 revela-se fecundo: obtém o certificado de Filosofia Geral e História da Filosofia. Começa a escrever L´Envers et l´Endroit e em Maio, inicia a escrita dos Cadernos e funda o Teatro do Trabalho. Compõe, “em colectivo”, a peça Revolta nas Astúrias e, por influência de Jean Grenier, no Outono de 1935, adere ao Partido Comunista Argelino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1936&lt;/strong&gt; – Em Abril, é proibida a representação de Revolta nas Astúrias, mas a peça é publicada pela Editora Charlot; em Maio, Camus obtém o Diploma de estudos superiores em filosofia com uma tese intitulada Metafísica cristã e neoplatónica: Plotino e Santo Agostinho; nesse mesmo mês, a Frente Popular vence as eleições em França; a 17 de Julho, tem início a Guerra Civil Espanhola que o marcou profundamente e na qual toma, declaradamente, o partido dos republicanos. Mais tarde será condecorado pelo governo espanhol republicano, no exílio, numa peculiar cerimónia, em que comparece sozinho; realizou uma viagem, marcante, à Europa Central e separou-se de Simone Hié.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1937&lt;/strong&gt; – Edita, em Argel, com uma tiragem reduzida, L´Envers et l´Endroit; elabora o projecto para La Mort heureuse e trabalha na redacção de Noces; doente, parte para Paris, Marselha e visita o norte de Itália, deixando nos Cadernos notáveis apontamentos desta visita; de regresso à Argélia, recusa o lugar de professor em Sibi-bel-Abbès (Orão); o Teatro do Trabalho passa a chamar-se Teatro da Equipa. Em Agosto de 1937, é excluído do Partido Comunista, acusado de “trotskista”. Encontra, pela primeira vez, Francine Faure, sua futura mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1938&lt;/strong&gt; – Concluíndo Noces, toma notas para Calígula e trabalha, intensamente, na actividade teatral, destacando-se uma adaptação de Os Irmãos Karamazov, de Dostoievski, na qual interpretará o papel de Ivan Karamazov. Conhece Pascal Pia, redactor-chefe do novo jornal Alger républicain, do qual se torna redactor. Faz a apresentação do primeiro número da Revista Rivages.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1939 &lt;/strong&gt;– Publicou, em Argel, Noces, nas Edições Chalot; a França e a Inglaterra declaram, a 3 de Setembro, guerra à Alemanha; o seu alistamento voluntário no exército é recusado por razões de doença. Proibição do Soir républicain que havia sucedido ao Alger républicain.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1940&lt;/strong&gt; – Camus parte, em 14 de Março, para Paris, onde se junta a Pascal Pia, assumindo funções no secretariado da redacção do Paris-Soir. No dia 1º de Maio, escreve numa carta a Francine: “Je viens de terminer mon roman […] Sans doute, mon travail n´est pas fini”. Tratava-se de L´Étranger. Nos inícios de Junho, face à iminência da ocupação de Paris pelos alemães, Camus acompanha a redacção do “Paris-Soir” para Clermont-Ferrand, instalando-se, em Setembro, na cidade de Lyon; em Novembro, junta-se-lhe Francine Faure e, a 3 de Dezembro, casam em Lyon, tendo como testemunhas Pascal Pia e três tipógrafos do jornal; logo de seguida, no final do ano, é despedido, regressando à Argélia, Orão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1941 &lt;/strong&gt;– Este regresso forçado à Argélia, para junto dos familiares da mulher, em Orão, cidade que detestava, coincidiu com uma época de dificuldades materiais; a 21 de Fevereiro, escreve nos “Cadernos”: “Terminé Sisyphe. Les trois Absurdes sont achevés”. Faz circular o manuscrito de “O Estrangeiro”; em Abril, regressa a Argel e, em Novembro, “O Estrangeiro” é aceite pela equipa de leitura da editora Gallimard.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1942&lt;/strong&gt; – Sofre uma recaída da tuberculose e, a meio de Agosto, muda-se para as terras altas de Auvergne; em Maio, é publicado pela Gallimard, “L´Étranger”, acabado de imprimir em 21 de Abril, a que se segue, em Outubro, a publicação, pela mesma editora, de Le Mythe de Sisyphe. Escreve La Peste; a 8 de Novembro, as tropas aliadas desembarcam em Marrocos e na Argélia, separando-o da mulher, que havia regressado à Argélia no mês anterior; reencontrar-se-ão somente após a Libertação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1943 – 1944&lt;/strong&gt; – Estabelece contacto com o movimento clandestino da Resistência Combat e torna-se leitor da Gallimard; encontra-se com Claude Bourdet, do Comité Nacional da Resistência, assumindo funções, cada vez mais importantes, no jornal Combat que o levaram a assumir, no início de 1944, a direcção do Jornal; a 6 de Junho, as tropas aliadas desembarcam na Normandia; em Junho, Le malentendu sobe à cena, sob a direcção de Marcel Herrand. O seu empenhamento no teatro, de que tanto gostava, propicia a paixão pela actriz Maria Casarès, com a qual manterá um longo relacionamento amoroso; em 21 de Agosto, é editado o primeiro número legal do jornal Combat com um editorial assinado, pela primeira vez, com o nome de Camus, intitulado: “Le Combat continue …”; 25 de Agosto é o dia da libertação de Paris e Camus intitula o seu editorial “La Nuit de la Vérité”; a partir de 31 de Agosto escreve no Combat uma série de notáveis artigos acerca da liberdade de imprensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1945&lt;/strong&gt; – No pós-guerra, Camus desenvolveu uma intensa actividade jornalística e política; uma das suas mais relevantes tomadas de posição refere-se ao lançamento da primeira bomba atómica sobre Hiroshima, a 6 de Agosto, tendo, dois dias depois, publicado um editorial referindo “as terríveis perspectivas que se abrem à humanidade”; a 5 de Setembro, nascem os seus filhos gémeos, Catherine e Jean. Representação de Calígula no teatro Hébertot e publicação, pela Gallimard, de Lettres à un ami allemand, em memória de René Leynaud.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1946&lt;/strong&gt; – Em Março/Junho, viaja para os Estados Unidos e Canadá; pelo Outono nasce uma mútua, e profunda, amizade com René Char (“Char que eu amo como a um irmão”- dirá a Pierre Berger), que, para Camus, era mais do que um poeta, um resistente, o Capitão Alexandre da Resistência, chefe do “maquis”; em Novembro, escreveu uma série de oito artigos para o Combat, reunidos sob o título Nem vítimas nem carrascos. Reescreve La Peste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1947&lt;/strong&gt; – A 3 de Junho, Camus abandona o jornal Combat, cuja redacção se havia dividido a propósito da criação por De Gaulle do RPF (Rassemblement du Peuple Français); no dia 10 do mesmo mês, é publicado La Peste, edição da Gallimard: é o seu primeiro grande sucesso editorial tendo sido vendidos, entre Julho e Setembro, 96 000 exemplares, e com ele tendo obtido o “Prémio dos Críticos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1948&lt;/strong&gt; – Em Janeiro, termina a redacção de L´État de siège, no qual trabalhará ainda em Julho; em Outubro, esta peça sobe à cena, com encenação de Jean-Louis Barrault, tendo constituído um tremendo fracasso, tanto para a crítica como para o público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1949- 1951&lt;/strong&gt; – Em Julho/Agosto de 1949, Camus realiza uma longa viagem à América do Sul, para proferir uma série de Conferências; regressa gravemente doente; durante a viagem, concluira a peça Les Justes que, em Dezembro, sobe à cena, com encenação de Paul Oettly, tendo Serge Reggiani e Maria Casarés nos principais papéis. Segundo as suas próprias palavras, tratou-se de um semi-sucesso. No ano de 1950, além da publicação de Actuelles, Chroniques 1944-1948”, Camus recupera da doença. Em 1951, termina a redacção de L´Homme Révolté, publicado em Outubro, pela Gallimard, desencadeando então uma forte polémica que ganhará sobretudo expressão no ano seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1952 &lt;/strong&gt;– Alguns dias antes da saída do livro, Camus dissera a Oliver Todd, seu biógrafo: “Apertemos as mãos. Porque daqui a alguns dias não haverá muita gente para me apertar a mão”. Camus sabia que a liberdade de pensamento nem sempre é bem aceite. Em L´Homme Révolté, Camus realiza um esforço sério para compreender o seu tempo, ousando condenar não só a barbárie nazi, mas também o Goulag, contra a opinião dos seus amigos da esquerda sob a hegemonia do Partido Comunista Francês. Em Maio, na revista Temps Modernes, Francis Jeanson, a mando de Sartre, publica um artigo violento, e insultuoso, contra o ensaio de Camus, que responde dirigindo-se ao director da revista, ou seja, ao próprio Sartre, levando ao corte de relações entre ambos. Em Dezembro, Camus publica “Post-sciptum”, texto no qual procura explicar as razões que o tinham levado a escrever L´Homme Révolté. Recusa-se a colaborar com a UNESCO, em protesto contra a admissão da Espanha franquista na organização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1953&lt;/strong&gt; – Camus desenvolve intensa actividade no campo teatral e toma posições públicas de protesto contra a prisão, na Argentina, de Victoria Ocampo, contra a intervenção da União Soviética em Berlim Leste e contra a repressão, pela polícia de Paris, de manifestantes da África do Norte; a Gallimard publica o volume Actuelles II (1948-1953); surge nos Cadernos a primeira referência ao esboço do que viria a ser a sua última obra, Le Premier Homme. Sua mulher Francine dá sinais de uma grave depressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1954&lt;/strong&gt; – O estado depressivo de Francine agrava-se e Camus vive um período de grande cansaço e desilusão; a Gallimard publica L´Été, na colecção Les Essais; profere intervenções públicas a favor de sete tunisinos condenados à morte; a 7 de Maio, escreve nos Cadernos: “Queda de Dien Bien Phu. Como em 40, sentimento partilhado de vergonha e de fúria”; em Setembro, Francine apresenta melhoras; viagens à Holanda e a Itália, para uma série de conferências, enquanto eclode, na Argélia, a luta armada de libertação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1955&lt;/strong&gt; – Em Fevereiro, viaja para a Argélia, visitando as regiões atingidas por um violento tremor de terra no ano anterior enquanto a crise política argelina se agrava, tendo sido instaurado, por Edgar Faure, Presidente do Conselho, o “estado de emergência”; em Abril/Maio, realiza um sonho antigo: a viagem à Grécia, onde profere uma série de conferências. Em Julho/Agosto, visita, de novo, a Itália; em Julho escreveu, no L´Express, dois longos artigos – “Terrorisme et répression” e “L´Avenir algérien” – acerca da situação argelina –, apelando à realização de uma conferência com vista a alcançar uma solução política, uma “espécie de nação mista, na qual franceses e árabes viveriam livremente e em igualdade de direitos em solo argelino”; entretanto, a situação política agrava-se na Argélia e, no 1º de Outubro, escreve “Lettre à un militant algérien” e outros artigos acerca da situação argelina, nos quais defende uma conciliação entre os interesses em presença, afirmando que “a Argélia não é a França” mas que nela vivem um milhão de franceses; a escalada da guerra na Argélia tornara-se insuportável para Camus que viveu a “infelicidade argelina como uma tragédia pessoal “. Apoia a Frente Republicana e o programa eleitoral de Mendes-France. Em Novembro, publica, no Le Monde libertaire, “L´Espagne et le Donquichottisme”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1956&lt;/strong&gt; – Numa última tentativa de conciliação no conflito argelino, que se agravava dia a dia, Camus viaja para a Argélia, onde lança, perante uma assembleia tensa e conturbada, um dramático apelo em prol de uma trégua que poupasse os civis: “ (…) porque mesmo o mais decidido entre vós conserva no meio da confusão da luta um recanto do seu coração, no qual, eu sei bem, não se conforma com o assassínio e o ódio e sonha com uma Argélia feliz. É a esse recanto em cada um de vós, franceses e árabes, que nós apelamos”. Olivier Todd, no final da sua biografia, Albert Camus, una vie, (Gallimard, 1996), escreverá depois que “face ao problema argelino, Camus foi legalista e moralista … ele queria para a Argélia o que alguns, com Nadine Gordimer à cabeça, sonharam para a África do Sul: a coexistência na igualdade de direitos; dois povos numa só nação e um estado de direito multirracial”. Mas tal sonho tornara-se irrealizável na Argélia. Em Maio, a Gallimard publica La chute; em 2 de Julho, Camus assina um texto de protesto contra a repressão em Poznan (Polónia); em 4 de Novembro, as tropas soviéticas entram em Budapeste, esmagando a insurreição húngara; responde ao apelo dos escritores húngaros e pede à ONU que mande retirar as tropas da URSS da Hungria: “Pour une démarche commune à l´ONU des intellectuels européens” (Franc-Tireur).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1957 &lt;/strong&gt;– Em Março, discursa na Sala Wagram contra a intervenção na Hungria (“Kadar a eu son jour de peur”) e publica, pela Gallimard, L´Exil et le Royaume. Mas este é o ano do Nobel da Literatura que lhe seria atribuído, em 16 de Outubro, “pelo conjunto de uma obra que lança luz sobre os problemas que se colocam, nos nossos dias, à consciência do homem”. A reacção de Camus à notícia ficou registada nos Cadernos, no dia 17 de Outubro, com uma pungente referência à sua infância pobre, lembrando a mãe: “Nobel. Étrange sentiment d´accablement et de mélancolie. À 20 ans, pauvre, et nu, j´ai connu la vrais gloire. Ma mère. » Mas, logo no dia 19, nos mesmos Cadernos, o reverso da medalha: «Effrayé par tout ce qui m´arrive et que je n´ai pas demandé. Et pour tout arranger attaques si basses que j´en ai le cœur serré ». René Char, por sua vez, de coração aberto, exulta, numa carta dirigida a Camus: “J´espère, je crois que l´on ne nous dit pas ce qui ne sera pas. Donc cette assurance dans la presse m´incite déjà sans réserve à me réjouir et à trouver ce jeudi 17 octobre 1957 le meilleur, le plus éclairé, oui le meilleur jour depuis longtemps pour moi entre tant de jours désespérants. Je vous pris d´accepter, en souvenir d´aujourd´hui, cette petite boîte qui me sauva la vie jadis dans le maquis et que j´ai conservée comme une relique vraiment intime». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outono publicou, pela Calmann-Lévy, Reflexões acerca da pena capital; na Suécia, a partir de 9 de Dezembro, proferia, além do discurso de aceitação do Prémio Nobel, duas conferências, em Estocolmo e Upsala; na primeira das quais, interpelado por um jovem argelino, profere uma célebre, e polémica, frase: «Je crois à la justice, mais je défendrai ma mère avant la justice ».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1958&lt;/strong&gt; – Com o dinheiro do Prémio Nobel compra uma casa em Lourmarin. Sua mãe recusa sair da Argélia e Camus decide abster-se de qualquer intervenção directa no conflito argelino. Em Janeiro, publica, na Gallimard novamente, Discours de Suède e, em Junho, Actuelles III, Chroniques algériennes (1939-1958). Em Março/Abril, visita a Argélia e, em Junho, doente, regressa à Grécia. Trabalha na adaptação teatral de Os Possessos, de Dostoievski, que sobe à cena, em Janeiro do ano de 1959, com encenação do próprio Camus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1959&lt;/strong&gt; - No mês de Março, nova visita à Argélia, para ver a mãe, recentemente operada; começa a escrever, finalmente, Le Premier Homme, a que dedica todo o ano; apresentação de Possédés em Veneza, assim como em França e noutros países; a 14 de Dezembro tem o seu derradeiro encontro público, com estudantes estrangeiros em Aix-en-Provence, no qual em resposta à pergunta: “Êtes-vous un intellectuel de gauche?” – responde: “ Je ne suis pas sûr d´être un intellectuel. Quant au reste, je suis pour la gauche, malgré moi, et malgré elle”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1960&lt;/strong&gt; – No dia 3 de Janeiro, Camus parte da sua casa de Lourmarin, onde havia passado o fim de ano, de regresso a Paris, no Facel Vega conduzido por Michel Gallimard. Francine Camus fizera a viagem de comboio na qual deveria ter sido acompanhada por Camus; no dia seguinte, no prosseguimento da viagem, o carro despista-se, numa longa recta, em Villeblevin, perto de Montereau, embatendo num plátano, provocando a morte imediata de Camus e, cinco dias mais tarde, a de Michel Gallimard. Na pasta de couro de Camus, encontrava-se, além de diversos objectos pessoais, o manuscrito de Le Premier Homme, cento e quarenta e quatro páginas que sua mulher Francine haveria de dactilografar e sua filha, Catherine, fixaria em texto, publicado pela Gallimard, na primavera de 1994.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Albert Camus está sepultado em Lourmarin. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Principais fontes : &lt;strong&gt;Cronologia de Pierre-Louis Rey&lt;/strong&gt; - Œuvres complètes I – Gallimard (2006); &lt;strong&gt;Camus -&amp;nbsp; Brigitte Sandig&lt;/strong&gt; -Círculo de Leitores (1998); &lt;strong&gt;Camus ou les promesses de la vie –&amp;nbsp; Daniel Rondeau&lt;/strong&gt; - MENGÈS (2005)&amp;nbsp;; &lt;strong&gt;Camus -&amp;nbsp; Maria Luisa Borralho&lt;/strong&gt; - Rés (1984).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;[Versão&amp;nbsp;revista pela Prof. ª Maria Luísa Borralho Malato, que muito agradeço.] &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lisboa, 4 de Janeiro de 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eduardo Graça&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-4964638621379653370?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/4964638621379653370/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=4964638621379653370&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/4964638621379653370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/4964638621379653370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2010/01/albert-camus-uma-cronologia-pelo_06.html' title='ALBERT CAMUS – UMA CRONOLOGIA PELO CINQUENTENÁRIO DA SUA MORTE (revista)'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-4531689110721433366</id><published>2010-01-03T16:01:00.000-08:00</published><updated>2010-01-03T16:17:10.645-08:00</updated><title type='text'>ALBERT CAMUS – UMA CRONOLOGIA PELO CINQUENTENÁRIO DA SUA MORTE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;Albert Camus – 7 de Novembro de 1913 (Mandovi, Constantine - Argélia) – 4 de Janeiro de 1960 (Villeblevin)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;Albert Camus argelino, pelo nascimento, filho de emigrantes, nasceu pobre. A sua mãe, Catherine Sintès era de ascendência espanhola (Baleares) e seu pai, Lucien Camus, de ascendência francesa.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;Seu pai morreu em 11 de Outubro de 1914, no hospital militar de Saint-Brieuc, depois de ter sido gravemente ferido na Batalha de Marne. A família muda-se para o bairro Belcout, em Argel.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;1918-1923&lt;/span&gt; – Camus frequenta a escola comunal de Belcourt tendo chamado a atenção de Louis Germain, seu professor, que admirando as qualidades do seu jovem aluno, apercebendo-se da vontade da família para que abandonasse os estudos, por motivos económicos, intercedeu junto da avó de Camus (a verdadeira matriarca da família) para que lhe fosse permitido prosseguir. A diligência foi bem sucedida e, em 1923, Camus ingressa, como bolseiro, no liceu Bugeaud, em Argel.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;1924- 1931&lt;/span&gt; – Frequenta o curso liceal nunca tendo esquecido o seu mestre Louis Germain a quem dedicará os “&lt;em&gt;Discursos da Suécia&lt;/em&gt;”, pronunciados em Dezembro de 1957, por ocasião da entrega do prémio Nobel da Literatura. Segue Filosofia, tendo como professor Jean Grenier, um notável escritor, cuja influência se revelará decisiva na formação intelectual e humana de Camus. Em 1931 é obrigado a abandonar a paixão pelo futebol, de que chegou a ser praticante, numa equipa da Universidade de Argel, aos primeiros sinais da tuberculose que o impediu também de fazer as provas de acesso à Faculdade.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;1932- 1935&lt;/span&gt; – Prepara a sua licenciatura em filosofia na Universidade de Argel. Publica alguns artigos na &lt;em&gt;Revista Sud&lt;/em&gt;. Jean Grenier publica “&lt;em&gt;As Ilhas&lt;/em&gt;”. Em 16 de Junho de 1934 casa-se, pelo civil, com Simone Hié. Neste mês obtém o certificado de Psicologia e, em Novembro de 1934, o Certificado de Estudos Literários Clássicos. O ano de 1935 revela-se fecundo: obtém o certificado de Filosofia Geral e História da Filosofia. Começa a escrever “&lt;em&gt;L´Envers et l´Endroit&lt;/em&gt;” e em Maio, inicia a escrita dos “&lt;em&gt;Cadernos&lt;/em&gt;” e funda o “&lt;em&gt;Teatro do Trabalho&lt;/em&gt;”. Compõe, “em colectivo”, a peça “&lt;em&gt;Revolta nas Astúrias&lt;/em&gt;” e, por influência de Jean Grenier, no Outono de 1935, adere ao Partido Comunista Argelino.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;1936&lt;/span&gt; – Em Abril é proibida a representação de “&lt;em&gt;Revolta nas Astúrias&lt;/em&gt;” mas a peça é publicada pela Editora Charlot; em Maio, Camus obtém o Diploma de estudos superiores em filosofia com uma tese intitulada “&lt;em&gt;Metafísica cristã e Neoplatónica, Plotino e Santo Agostinho&lt;/em&gt;”; nesse mesmo mês a Frente Popular vence as eleições em França; em 17 de Julho tem início a Guerra Civil Espanhola que o marcou profundamente e na qual toma, declaradamente, o partido dos republicanos. Mais tarde será condecorado pelo governo espanhol republicano, no exílio, numa peculiar cerimónia, em que comparece sozinho; realizou uma viagem, marcante, à Europa Central e separou-se de Simone Hié.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;1937&lt;/span&gt; – Edita, em Argel, com uma tiragem reduzida “&lt;em&gt;L´Envers et l´Endroit&lt;/em&gt;”; elabora o projecto para “&lt;em&gt;La Mort heureuse&lt;/em&gt;” e trabalha na redacção de “&lt;em&gt;Noces&lt;/em&gt;”; doente parte para Paris, Marselha e visita o norte de Itália deixando nos Cadernos notáveis apontamentos desta visita; de regresso à Argélia recusou o lugar de professor em Sibi-bel-Abbès (Orão); o “&lt;em&gt;Teatro do Trabalho&lt;/em&gt;” passa a chamar-se “&lt;em&gt;Teatro da Equipa&lt;/em&gt;”. Em Agosto de 1937 é excluído do Partido Comunista, acusado de “&lt;em&gt;trotskista&lt;/em&gt;”. Encontra, pela primeira vez, Francine Faure, sua futura mulher.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;1938&lt;/span&gt; – Conclui “&lt;em&gt;Noces&lt;/em&gt;”, toma notas para “&lt;em&gt;Calígula&lt;/em&gt;” e trabalha, intensamente, na actividade teatral destacando-se uma adaptação da peça “&lt;em&gt;Irmãos Karamazov&lt;/em&gt;”, de Dostoievski, na qual interpreta o papel de Ivan Karamazov. Conhece Pascal Pia, redactor-chefe do novo jornal “&lt;em&gt;Alger républicain&lt;/em&gt;”, do qual se tornou redactor. Faz a apresentação do primeiro número da Revista “&lt;em&gt;Rivages&lt;/em&gt;”.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;1939&lt;/span&gt; – Publicou, em Argel, “&lt;em&gt;Noces&lt;/em&gt;”, pelas Edições Chalot; a França e a Inglaterra declaram, em 3 de Setembro, guerra à Alemanha e o seu alistamento voluntário no exército foi-lhe recusado por razões de doença. Proibição do “&lt;em&gt;Soir républicain&lt;/em&gt;” que havia sucedido ao “&lt;em&gt;Alger républicain&lt;/em&gt;”;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;1940&lt;/span&gt; – Camus parte, em 14 de Março, para Paris onde se junta a Pascal Pia, assumindo as funções no secretariado da redacção do “&lt;em&gt;Paris-Soir&lt;/em&gt;”. No dia 1º de Maio escreve numa carta a Francine: “&lt;em&gt;Je viens de terminer mon roman […] Sans doute, mon travail n´est pas fini&lt;/em&gt;”. Tratava-se de “&lt;em&gt;l´Étranger&lt;/em&gt;”. Nos inícios de Junho, face à iminência da ocupação de Paris pelos alemães, Camus acompanhou a redacção do “&lt;em&gt;Paris-Soir&lt;/em&gt;” para Clermont-Ferrand instalando-se, em Setembro, em Lyon; em Novembro junta-se-lhe Francine Faure e, em 3 de Dezembro, casam em Lyon, tendo como testemunhas Pascal Pia e três tipógrafos do jornal; logo de seguida, no final do ano, é despedido, regressando à Argélia, Orão.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;1941&lt;/span&gt; – Este Regresso forçado à Argélia, para junto dos familiares da mulher, em Orão, cidade que detestava, coincidiu com uma época de dificuldades materiais; em 21 de Fevereiro escreve nos “&lt;em&gt;Cadernos&lt;/em&gt;”: “&lt;em&gt;Terminé Sisyphe. Les trois Absurdes sont achevés&lt;/em&gt;”. Faz circular o manuscrito de “&lt;em&gt;O Estrangeiro&lt;/em&gt;”; em Abril, regressa a Argel e, em Novembro, “&lt;em&gt;O Estrangeiro&lt;/em&gt;” é aceite pela equipa de leitura da editora “&lt;em&gt;Gallimard&lt;/em&gt;”.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;1942&lt;/span&gt; – Sofre uma recaída da tuberculose e, a meio de Agosto, muda-se para as terras altas de Auvergne; em Maio, é publicado pela Gallimard, “&lt;em&gt;l´Étranger&lt;/em&gt;”, acabado de imprimir em 21 de Abril a que se segue, em Outubro, a publicação, pela mesma editora, de “&lt;em&gt;Le Mythe de Sisyph&lt;/em&gt;”. Escreve “&lt;em&gt;La Peste&lt;/em&gt;”; a 8 de Novembro as tropas aliadas desembarcam em Marrocos e Argélia o que originou a sua separação da mulher, que havia regressado à Argélia no mês anterior, reencontrando-se somente após a Libertação.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;1943 – 1944&lt;/span&gt; – Estabelece contacto com o movimento clandestino da Resistência “&lt;em&gt;Combat&lt;/em&gt;” e torna-se leitor da Gallimard; encontra-se com Claude Bourdet, do Comité Nacional da Resistência, assumindo funções, cada vez mais importantes, no jornal “&lt;em&gt;Combat&lt;/em&gt;” que o levaram a assumir, no início de 1944, a direcção do Jornal; a 6 de Junho as tropas aliadas desembarcam na Normandia e em Junho “&lt;em&gt;Le malentendu&lt;/em&gt;” sobe à cena, sob direcção de Marcel Herrand. O seu empenhamento no teatro, de que tanto gostava, proporciona a paixão pela actriz Maria Casarès com a qual manterá um longo relacionamento amoroso; em 21 de Agosto é editado o primeiro número legal do jornal “&lt;em&gt;Combat&lt;/em&gt;” com um editorial assinado, pela primeira vez, com o nome de Camus intitulado: “&lt;em&gt;Le Combat continue …&lt;/em&gt;”; 25 de Agosto é o dia da libertação de Paris e Camus intitula o seu editorial de “&lt;em&gt;La Nuit de la Vérité&lt;/em&gt;”; a partir de 31 de Agosto escreveu no “&lt;em&gt;Combat&lt;/em&gt;” uma série de notáveis artigos acerca da liberdade de imprensa.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;1945&lt;/span&gt; – No pós-guerra Camus desenvolveu uma intensa actividade jornalística e política; uma das suas mais relevantes tomadas de posição refere-se ao lançamento da primeira bomba atómica sobre Hiroshima, em 6 de Agosto, tendo, dois dias depois, publicado um editorial referindo “&lt;em&gt;as terríveis perspectivas que se abrem à humanidade&lt;/em&gt;”; a 5 de Setembro nascem os seus filhos gémeos, Catherine e Jean. Representação de “&lt;em&gt;Calígula&lt;/em&gt;” no teatro Hébertot e publicação, pela Gallimard de “&lt;em&gt;Lettres à un ami allemand&lt;/em&gt;”, em memória de René Leynaud.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;1946&lt;/span&gt; – Em Março/Junho viaja para os Estados Unidos e Canadá; pelo Outono nasce uma mútua, e profunda, amizade com René Char (“&lt;em&gt;Char que eu amo como a um irmão&lt;/em&gt;”- a Pierre Berger), que, para Camus, era mais do que um poeta, um resistente, o Capitão Alexandre da Resistência, chefe do “&lt;em&gt;maquis&lt;/em&gt;”; em Novembro escreveu uma série de oito artigos para o “&lt;em&gt;Combat&lt;/em&gt;”: “&lt;em&gt;Nem vítimas nem carrascos&lt;/em&gt;”. Reescreve “&lt;em&gt;La Peste&lt;/em&gt;”.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;1947&lt;/span&gt; – A 3 de Junho Camus abandona o jornal “&lt;em&gt;Combat&lt;/em&gt;” cuja redacção se havia dividido a propósito da criação por De Gaulle do RPF ("&lt;em&gt;Rassemblement du Peuple Français&lt;/em&gt;”); no dia 10 do mesmo mês é publicada “&lt;em&gt;La Peste&lt;/em&gt;”, edição da Gallimard; é o seu primeiro grande sucesso editorial tendo vendidos, entre Julho e Setembro, 96 000 exemplares, obtendo o “&lt;em&gt;Prémio dos Críticos&lt;/em&gt;”.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;1948&lt;/span&gt; – Em Janeiro termina a redacção de “&lt;em&gt;l´Étad de siège&lt;/em&gt;” no qual trabalhará ainda em Julho; em Outubro esta peça sobe à cena, com encenação de Jean-Louis Barrault, tendo constituído um tremendo fracasso tanto da crítica como do público.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;1949- 1951&lt;/span&gt; – Em Julho/Agosto de 1949 Camus realiza uma longa viagem à América do Sul, para proferir uma série de Conferências, de onde regressou gravemente doente; durante a viagem concluiu a peça “&lt;em&gt;Les Justes&lt;/em&gt;” que, em Dezembro, sobe à cena, com encenação de Paul Oettly, tendo Serge Reggiani e Maria Casarés nos principais papéis. Segundo as suas próprias palavras tratou-se de um semi-sucesso. No ano de 1950, além da publicação de “&lt;em&gt;Actuelles, Chroniques 1944-1948&lt;/em&gt;”, Camus recupera da doença. Em 1951 terminou a redacção de “&lt;em&gt;L´Homme Révolté&lt;/em&gt;”, publicado em Outubro, pela Gallimard, desencadeando uma forte polémica que ganhará expressão no ano seguinte.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;1952&lt;/span&gt; – Alguns dias antes da saída do livro Camus disse a Oliver Todd, seu biógrafo: “&lt;em&gt;Apertemos as mãos. Porque daqui a alguns dias não haverá muita gente para me apertar a mão&lt;/em&gt;”. Camus sabia que a liberdade de pensamento nem sempre é bem aceite. Em “&lt;em&gt;L´Homme Révolté&lt;/em&gt;” Camus realiza um esforço sério para compreender o seu tempo ousando condenar a barbárie nazi, mas também o “&lt;em&gt;Goulag&lt;/em&gt;”, contra a opinião dos seus amigos da esquerda sob hegemonia do Partido Comunista. Em Maio, na revista “&lt;em&gt;Temps Modernes&lt;/em&gt;”, Francis Jeanson, a mando de Sartre, publica um artigo violento, e insultuoso, contra o ensaio de Camus que responde, dirigindo-se ao director da revista, ou seja, o próprio Sartre, levando ao corte de relações entre ambos. Em Dezembro Camus publica “&lt;em&gt;Post-sciptum&lt;/em&gt;” texto no qual procura explicar as razões que o levaram a escrever “&lt;em&gt;L´Homme Révolté&lt;/em&gt;”. Recusa-se a colaborar com a UNESCO em protesto contra a admissão da Espanha franquista na organização.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;1953&lt;/span&gt; – Camus desenvolve intensa actividade no campo teatral e toma posições públicas de protesto contra a prisão, na Argentina, de Victoria Ocampo, contra a intervenção da União Soviética em Berlim Leste e contra a repressão, pela polícia de Paris, de manifestantes da África do Norte; a Gallimard publica o volume “&lt;em&gt;Actuelles II (1948-1953)&lt;/em&gt;” e surge nos Cadernos a referência ao esboço do que viria a ser a sua última obra, “&lt;em&gt;Le Premier Homme&lt;/em&gt;”. Sua mulher Francine dá sinais de sofrer de uma grave depressão.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;1954&lt;/span&gt; – O estado depressivo de Francine agrava-se e Camus vive um período de grande cansaço e desilusão; a Gallimard publica “&lt;em&gt;L´Été&lt;/em&gt;”, na colecção “&lt;em&gt;Les Essais&lt;/em&gt;”; profere intervenções públicas a favor de sete tunisinos condenados à morte; a 7 de Maio escreve nos Cadernos: “&lt;em&gt;Queda de Dien Bien Phu. Como em 40, sentimento partilhado de vergonha e de fúria&lt;/em&gt;”; em Setembro Francine apresenta melhoras; viagens à Holanda e Itália, para uma série de conferências, enquanto eclode, na Argélia, a luta armada de libertação.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;1955&lt;/span&gt; – Em Fevereiro viajou para a Argélia, visitando as regiões atingidas por um violento tremor de terra no ano anterior enquanto a crise política argelina se agrava tendo sido instaurado, por Edgar Faure, Presidente do Conselho, o “&lt;em&gt;estado de urgência&lt;/em&gt;”; em Abril/Maio realiza um sonho antigo: a viagem à Grécia onde profere uma série de conferências. Em Julho/Agosto, visitou, de novo, a Itália; em Julho escreveu, no “&lt;em&gt;L´Express&lt;/em&gt;”, dois longos artigos – “&lt;em&gt;Terrorisme et répression&lt;/em&gt;” e “&lt;em&gt;L´Avenir algérien&lt;/em&gt;” – acerca da situação argelina – apelando à realização de uma conferência com vista a alcançar uma solução política, uma “&lt;em&gt;espécie de nação mista, na qual franceses e árabes viveriam livremente e em igualdade de direitos em solo argelino&lt;/em&gt;”; entretanto a situação política agravou-se na Argélia e, no 1º de Outubro, escreve “&lt;em&gt;Lettre à un militant algérien&lt;/em&gt;” e outros artigos, acerca da situação argelina, nos quais defende uma conciliação entre os interesses em presença afirmando que “&lt;em&gt;a Argélia não é a França&lt;/em&gt;” mas que nela vivem um milhão de franceses; a escalada da guerra na Argélia tornara-se insuportável para Camus que viveu a “&lt;em&gt;infelicidade argelina como uma tragédia pessoal&lt;/em&gt; “. Apoia a Frente Republicana e o programa eleitoral de Mendes-France. Em Novembro publica no “&lt;em&gt;Le Monde libertaire&lt;/em&gt;”: “&lt;em&gt;L´Espagne et la Donquichottisme&lt;/em&gt;”.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;1956&lt;/span&gt; – Numa última tentativa de conciliação no conflito argelino, que se agravava dia a dia, Camus viaja para a Argélia onde lança, perante uma assembleia tensa e conturbada, um dramático apelo em prol de uma trégua que poupasse os civis: “ &lt;em&gt;(…) porque mesmo o mais decidido entre vós conserva no meio da confusão da luta um recanto do seu coração, no qual, eu sei bem, não se conforma com o assassínio e o ódio e sonha com uma Argélia feliz. É a esse recanto em cada um de vós, franceses e árabes, que nós apelamos&lt;/em&gt;”. Olivier Todd, no final da sua biografia, “&lt;em&gt;Albert Camus, una vie&lt;/em&gt;”, Gallimard (1996), escreve que “&lt;em&gt;face ao problema argelino, Camus foi legalista e moralista … ele queria para a Argélia o que alguns, com Nadine Gordimer à cabeça, sonharam para a África do Sul: a coexistência na igualdade de direitos; dois povos numa só nação e um estado de direito multirracial&lt;/em&gt;”. Mas tal sonho tornara-se irrealizável na Argélia. Em Maio a Gallimard publica “&lt;em&gt;La chute&lt;/em&gt;”; em 2 de Julho assinou um texto de protesto contra a repressão em Poznan (Polónia); em 4 de Novembro as tropas soviéticas entram em Budapeste esmagando a insurreição húngara; responde ao apelo dos escritores húngaros e pede à ONU que mande retirar as tropas da URSS da Hungria: “&lt;em&gt;Pour une démarche commune à l´ONU des intellectuels européens&lt;/em&gt;” (“&lt;em&gt;Franc-Tireur&lt;/em&gt;”).&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;1957&lt;/span&gt; – Em Março discursa na Sala Wagram contra a intervenção na Hungria (“&lt;em&gt;Kadar a eu son jour de peur&lt;/em&gt;”) e publica, pela Gallimard, “ &lt;em&gt;L´Exil et le Royaume&lt;/em&gt;”. Mas este é o ano do Nobel da Literatura que lhe foi atribuído, em 16 de Outubro, “&lt;em&gt;pelo conjunto de uma obra que lança luz sobre os problemas que se colocam, nos nossos dias, à consciência do homem&lt;/em&gt;”. A reacção de Camus à notícia ficou registada nos Cadernos, no dia 17 de Outubro, com uma pungente referência à sua infância pobre lembrando a mãe: “&lt;em&gt;Nobel. Étrange sentiment d´accablement et de mélancolie. À 20 ans, pauvre, et nu, j´ai connu la vrais gloire. Ma mère.&lt;/em&gt; » Mas, logo no dia 19, nos Cadernos, o « &lt;em&gt;reverso da medalha&lt;/em&gt; » : «&lt;em&gt;Effrayé par tout ce qui m´arrive et que je n´ai pas demandé. Et pour tout arranger attaques si basses que j´en ai le cœur serré&lt;/em&gt; ». René Char, por sua vez, de coração aberto, exulta, numa carta dirigida a Camus: “&lt;em&gt;J´espère, je crois que l´on ne nous dit pas ce qui ne sera pas. Donc cette assurance dans la presse m´incite déjà sans réserve à me réjouir et à trouver ce jeudi 17 octobre 1957 le meilleur, le plus éclairé, oui le meilleur jour depuis longtemps pour moi entre tant de jours désespérants. Je vous pris d´accepter, en souvenir d´aujourd´hui, cette petite boîte qui me sauva la vie jadis dans le maquis et que j´ai conservée comme une relique vraiment intime.&lt;/em&gt; » &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;No outono publicou, pela Calmann-Lévy, « &lt;em&gt;Reflexões acerca da pena capital&lt;/em&gt; » e na Suécia, a partir de 9 de Dezembro, proferiu, além do discurso de recepção do Prémio Nobel, duas conferências, em Estocolmo e Upsala na primeira das quais, interpelado por um jovem argelino, profere uma célebre, e polémica, frase: «&lt;em&gt;Je crois à la justice, mais je défendrai ma mère avant la justice&lt;/em&gt; ».&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;1958&lt;/span&gt; – Com o dinheiro do Prémio Nobel compra uma casa em Lourmarin. Sua mãe recusa sair da Argélia e Camus decide abster-se de qualquer intervenção directa no conflito argelino. Em Janeiro publica, pela Gallimard, « &lt;em&gt;Discours de Suède&lt;/em&gt;” e, em Junho, “&lt;em&gt;Actuelles III, Chroniques algériennes (1939-1958) &lt;/em&gt;”. Em Março/Abril visita a Argélia e, em Junho, doente, visita a Grécia. Trabalha na adaptação de “&lt;em&gt;Possédés&lt;/em&gt;”, segundo Dostoievski, que sobe à cena, em Janeiro do ano de 1959, com encenação do próprio Camus;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;1959&lt;/span&gt; - No mês de Março, nova visita à Argélia, para ver a mãe, recentemente operada; começa a escrever, finalmente, “&lt;em&gt;Le Premier Homme&lt;/em&gt;” ao qual dedica todo o ano; apresentação de “&lt;em&gt;Possédés&lt;/em&gt;” em Veneza, assim como em França e noutros países; em 14 de Dezembro tem o seu derradeiro encontro público, com estudantes estrangeiros em Aix-en-Provence”, no qual em resposta à pergunta: “&lt;em&gt;Êtes-vous un intellectuel de gauche?&lt;/em&gt;” – responde: “ &lt;em&gt;Je ne suis pas sûr d´être un intellectuel. Quant au reste, je suis pour la gauche, malgré moi, et malgré elle&lt;/em&gt;”.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;1960&lt;/span&gt; – No dia 3 de Janeiro Camus parte da sua casa de Lourmarin, onde havia passado o fim de ano, de regresso a Paris, no Facel conduzido por Michel Gallimard. Francine Camus faz a viagem de comboio na qual deveria ter sido acompanhada por Camus; no dia seguinte, no prosseguimento da viagem, o carro despistou-se, numa longa recta, em Villeblevin, perto de Montereau, embatendo num plátano, provocando a morte imediata de Camus e, cinco dias mais tarde, a de Michel Gallimard. Na pasta de couro de Camus encontravam-se além de diversos objectos pessoais, o manuscrito de “&lt;em&gt;Le Premier Homme&lt;/em&gt;”, cento e quarenta e quatro páginas que sua mulher, Francine, havia de dactilografar e sua filha, Catherine, fixou em texto, publicado pela Gallimard, na primavera de 1994.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;Albert Camus está sepultado em Lourmarin. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;______________________________________________________________________________&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Principais fontes : Cronologia de Pierre-Louis Rey (Œuvres complètes I – Gallimard) ; Camus - de Brigitte Sandig (Círculo de Leitores) ; Camus ou les promesses de la vie – de Daniel Rondeau (Mengès); Camus - de Maria Luisa Borralho (Rés).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-4531689110721433366?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/4531689110721433366/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=4531689110721433366&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/4531689110721433366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/4531689110721433366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2010/01/albert-camus-uma-cronologia-pelo.html' title='ALBERT CAMUS – UMA CRONOLOGIA PELO CINQUENTENÁRIO DA SUA MORTE'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-5190786893888061523</id><published>2009-11-19T09:10:00.000-08:00</published><updated>2009-11-19T09:10:52.305-08:00</updated><title type='text'>Les sept axes prioritaires d'investissement définis par la Commission Juppé-Rocard</title><content type='html'>La commission Juppé-Rocard a dégagé "sept axes prioritaires d'investissements d'avenir", qui reflètent tous "la priorité donnée à l'innovation et la transformation". Elle propose ainsi de "soutenir l'enseignement supérieur et la recherche" à hauteur de 16 milliards d'euros et de consacrer les 19 autres milliards au développement "des secteurs et technologies où la France détient des positions fortes et qui vont structurer notre cadre de vie des vingt prochaines années".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Enseignement supérieur-recherche&lt;/strong&gt; (16 milliards d'euros). Pour la commission dirigée par Alain Juppé et Michel Rocard, l’enseignement supérieur et de la recherche est la priorité absolue. Dix milliards d’euros seront orientés vers les établissements d’enseignement supérieur. L’objectif est de doter la France, à l’image de l’Allemagne et de ses universités d’excellence lancées en 2006, de cinq à dix campus universitaires "plurisdisciplinaires de dimension et de réputation mondiale".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La commission avance plusieurs propositions en faveur de la recherche. Elle souhaite ainsi confier à l'Agence nationale de la recherche (ANR), l'actuel " financeur" de la recherche, la gestion de deux fonds dotés d'un milliard d'euros chacun.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Les intérêts générés par le premier permettront de "financer les équipements de recherche, de bases de données et de projets pédagogiques innovants ", tandis que ceux générés par le second viendraient financer des "bourses pour attirer ou faire revenir en France des post-doctorants et des chercheurs de renommée internationale".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ces financements seront alloués aux établissements (universités, grandes écoles, organismes) sous forme d'"appel à projet", mais les cinq à dix campus d'excellence ne pourront y concourrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afin de soutenir la recherche technologique, la commission evisage également créer "quatre à six campus d'innovations" sur le modèle du pôle d'innovation "Minatec" de Grenoble, qui rassemble sur un même site autour du laboratoire d'électronique et des technologies de l'information (Leti) du CEA, des écoles d'ingénieurs, des laboratoires du CNRS, du CEA ou d'universités, une pépinière d'entreprises et un centre d'animation.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;L'Agence nationale de la recherche pourrait gérer les deux milliards d'euros de financement de ces nouveaux sites technologiques d'excellence.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;PME innnovantes&lt;/strong&gt; (2 milliards d'euros). Il est proposé de créer "un ou plusieurs fonds d'amorçage à vocation transversale" pour accompagner la création et soutenir les premières années d'existence de PME et d'entreprises de taille intermédiaires (jusqu'à 5 000 salariés) ...) innovantes dans des secteurs prioritaires (santé, alimentation, bio, nano et écotechnologies...). "Un ou plusieurs fonds seraient également constitués en matière d'innovation sociale". Les capacités d'intervention d'Oséo seraient renforcées à hauteur 1,5 milliard d'euros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sciences du vivant&lt;/strong&gt; (2 milliards d'euros). La commission recommande de "rassembler les acteurs publics et privés du secteur agricole, agroalimentaire et biotechnologique " pour "développer les innovations dans la production de matières premières agricoles et dans l'utilisation de carbone renouvelable en substitution au carbone fossile".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pour soutenir la recherche biomédicale, quelques Instituts hospitalo-universitaires (IHU) d'excellence seraient créés "autour de talents de renommée mondiale" et localisés dans des CHU. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Energies décabornées&lt;/strong&gt; (3,5 milliards d'euros). Un acteur public - par exemple une "Agence pour les énergies renouvelables" - serait dédié au développement de solutions énergétiques décarbonées. L'expérimentation de nouvelles technologies dans les énergies décarbonées (captage-stockage de CO2, stockage de l'énergie solaire, etc.) et l'économie du recyclage seraient développées.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La commission préconise de créer dans ces domaines cinq à dix instituts de recherche technologique, sélectionnés par un jury international. Elle souhaite également "accélérer la transition vers les technologies nucléaires de demain".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ville de demain&lt;/strong&gt; (4,5 milliards d'euros). Pour favoriser "l'émergence de villes durables", la commission suggère de "cofinancer dix programmes urbains intégrés, qui portent à la fois sur le transport collectif décarboné, le développement expérimental d'infrastructures de recharge électrique des véhicules propres et l'expérimentation de solutions nouvelles de rénovation urbaine durable (....), de réseaux intelligents (eau, électricitié), de gestion durable des déchets et de maîtrise de la mobilité (plateformes de télétravail, régulation du trafic automobile...)". La rénovation thermique de l'habitat sociale serait accélérée.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mobilité du futur&lt;/strong&gt; (3 milliards d'euros). "Les engagements de réduction des émissions de gaz à effet de serre d'un facteur quatre d'ici à 2050 et le souci de garantir la sécurité des approvisionnements énergétiques rendent nécessaires le développement de nouvelles solutions de mobilité, moins consommatrices d'énergies fossiles ". Il est donc proposé de préparer les véhicules du futur en cofinançant des projets de démonstrateurs et de plateformes expérimentales dans ce domaine. La France s'engagerait dans "un programme européen de démonstration de technologies de rupture pour l'industrie aéronautique (...) et spatiale (....)".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Société numérique&lt;/strong&gt; (4 milliards d'euros). Le secteur numérique représentant "plus du quart de la croissance et 40 % des gains de productivité de l'économie", un acteur public serait dédié au développement de la société numérique. Ce pourrait être une Agence pour le numérique, chargée de "co-investir dans l'économie numérique, en agissant à la fois sur les infrastructures et sur le développement de nouveaux usages et contenus." Deux fonds spécifiques y seraient créés, l'un pour accélérer le passage de la France au très haut débit, l'autre pour financer des parteneriats publics-privés de recherche sur les usages et contenus innovants.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.lemonde.fr/economie/article/2009/11/19/les-sept-priorites-de-la-commission-juppe-rocard_1269039_3234.html#ens_id=1253099"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Claire Guélaud et Philippe Jacqué, In Le Monde – 19/11/2019&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-5190786893888061523?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/5190786893888061523/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=5190786893888061523&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/5190786893888061523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/5190786893888061523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2009/11/les-sept-axes-prioritaires.html' title='Les sept axes prioritaires d&apos;investissement définis par la Commission Juppé-Rocard'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-2030887044737955015</id><published>2009-09-14T05:01:00.000-07:00</published><updated>2009-09-14T05:06:46.032-07:00</updated><title type='text'>FERRO RODRIGUES - OUTUBRO EM SETEMBRO (AS RAZÕES PARA VOTAR NO PS)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;1&lt;/strong&gt;. O tema do endividamento tem sido, por vezes, central no debate político e económico em Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que temos um sério problema de endividamento; mas este problema tem outra face: um aumento dos activos das famílias, empresas e Estado. Ou seja, embora endividados, os agentes económicos têm mais bens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, também não faz sentido dizer, como frequentemente acontece, que se não estivéssemos no Euro estaríamos falidos, já que, a verdade, é que se não tivéssemos aderido à moeda única não teria havido a possibilidade de se terem dado aqueles acréscimos, quer de activos, quer de passivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada disto impede que se reconheça a dimensão do problema e o facto do risco nacional ser forte. Aliás, a lição mais clara dos últimos tempos é que, sendo verdade que uma crise de financiamento internacional foi evitada, se não forem ultrapassados desequilíbrios estruturais, ela não é impossível a prazo. No entanto, uma coisa é o diagnóstico, outra são as respostas para este problema complexo: convém termos presente que não há solução benigna para ultrapassarmos este défice sem regressarmos a taxas de crescimento fortes e sustentáveis. Hoje, o mais grave problema económico português é a fraqueza da taxa de crescimento potencial – e é aqui que se deve concentrar o essencial do nosso esforço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2&lt;/strong&gt;. Sob a designação de “Reformas Estruturais” muita coisa se vê e muita coisa se esconde. A bondade das reformas deve ser analisada à luz do seu contributo para aumentar a taxa de crescimento potencial de forma socialmente equilibrada, e assim proporcionar o mais cedo possível taxas de crescimento económico fortes e sustentáveis (ambiental, social e financeiramente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3&lt;/strong&gt;. As reformas essenciais que arrancaram na actual legislatura vão no sentido correcto. Visam o aumento da taxa de crescimento potencial de forma equilibrada com a preocupação combinada de reduzir as desigualdades sociais e o poder histórico das corporações. Os passos na consolidação orçamental, a reforma para a sustentabilidade da segurança social pública, a simplificação administrativa e a Governação electrónica, a melhoria na educação básica, o princípio da avaliação séria, a evolução na investigação científica, algumas racionalizações no sistema de saúde, a revolução em marcha nas energias renováveis, são fortes exemplos. A continuação do investimento na inovação, no bem-estar, no saber, nas infra-estruturas capazes de nos permitirem lutar contra a periferização também não é dispensável. A função que desempenho na OCDE leva a que tenha a obrigação de testemunhar que, pese embora a existência frequente de recomendações em várias áreas, o prestígio que o Governo português aqui alcançou é inegável e deve-se, em muito, à coragem reformista que manifesta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4&lt;/strong&gt;. A crise internacional e as suas consequências em Portugal adiam o reflexo do arranque das reformas no crescimento potencial. A destruição de capacidades produtivas – desinvestimento real e potencial e desemprego - ofusca e adia o efeito das reformas. Mas o mais trágico seria se as reformas parassem em vez de acelerarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5&lt;/strong&gt;. Em Portugal, e no essencial, foram tomadas as medidas excepcionais que se impunham como resposta à crise, acompanhando a Zona Euro. Os últimos dados demonstram que embora a severidade da crise seja fortíssima, sobretudo no que se refere ao desemprego, é provável que a forte recessão de 2009 seja menos intensa do que no conjunto da Zona Euro. Mas não é esta convergência que devemos ambicionar. A forma como se sai da crise, o aproveitamento das oportunidades que a crise representa vão ser decisivas. Um novo modelo de acumulação, crescimento e redistribuição, com mais força ecológica e social, com novas dinâmicas do mercado e do Estado e também da sua interacção, vai ser construído, com muita tensão e afrontamento a nível global e Portugal não pode ficar de fora deste processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6&lt;/strong&gt;. Embora não seja condição suficiente, a estabilidade política, ou seja a constituição de um Governo com apoio parlamentar maioritário e estável durante a próxima legislatura, constitui uma condição necessária. Oportunidades serão perdidas, desafios serão adiados e problemas serão agravados num quadro de instabilidade política. Os agentes políticos que não se limitem a admitir a possibilidade teórica de novas eleições daqui a dois anos, mas as considerem inevitáveis e mesmo desejáveis demonstram irresponsabilidade e falta de sentido do Estado. Portugal não pode parar durante os próximos dois anos, enquanto os nossos parceiros saem da crise e lançam os fundamentos do seu papel activo num processo de globalização em mudança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;7&lt;/strong&gt;. O partido do actual governo é, simultaneamente, o partido da esquerda democrática reformista e o partido central no espectro político. É importante que se demarque pelas alternativas, pela recusa dos populismos de todas as proveniências, mas também pela sua vontade e capacidade de diálogo, tanto com as outras Esquerdas, onde a tentação conservadora se sobrepõe aos ideais de mudança realizável, como com o Centro Direita, onde frequentemente o objectivo parece ser desmantelar o Estado Social. Na Europa Democrática, o governo de coligação é normal; o governo minoritário é que é a excepção. Como anterior Secretário-geral do PS, devo dizer o que penso. Mas compreendo e aplaudo quem, disputando directamente as eleições, se foca sobretudo no resultado, no combate pela maioria, e não nos cenários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;8&lt;/strong&gt;. A utilidade de um voto não se prova através de proclamações ideológicas ou argumentos aritméticos; afirma-se pelas propostas e pela demonstração de que em eleições legislativas o voto de protesto para nada serve. Quem não está interessado em assumir responsabilidades de governo, joga no agudizar da crise económica e social a partir da crise política e assim deveria ser penalizado e ter expressão parlamentar pouco relevante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;9&lt;/strong&gt;. Em caso de inexistência de maioria absoluta, um governo minoritário constitui assim a última solução, depois de ficar claro e público que a sua formação resultou das posições negativas de outros e não de vontade própria estratégica ou cálculos tácticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eduardo Ferro Rodrigues&lt;/strong&gt;, Embaixador de Portugal na OCDE.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo publicado hoje no Diário Económico&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-2030887044737955015?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/2030887044737955015/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=2030887044737955015&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/2030887044737955015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/2030887044737955015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2009/09/outubro-em-setembro-as-razoes-para.html' title='FERRO RODRIGUES - OUTUBRO EM SETEMBRO (AS RAZÕES PARA VOTAR NO PS)'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-402616987516304768</id><published>2009-07-23T04:01:00.000-07:00</published><updated>2009-07-23T04:02:47.353-07:00</updated><title type='text'>BHL: "Le PS doit disparaître"</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.lejdd.fr/cmc/politique/200929/bhl-le-ps-doit-disparaitre_230926.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;Bernard-Henri Lévy réagit sans détour aux spasmes qui ont secoué le Parti socialiste ces derniers jours. Pour le philosophe, Martine Aubry est le gardien d'une "maison morte", vouée à la démolition. Lui espère Royal, qu'il avait conseillé lors de la présidentielle de 2007, Valls ou Strauss-Kahn pour que la gauche renaisse sur les décombres du socialisme. Entretien.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-402616987516304768?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/402616987516304768/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=402616987516304768&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/402616987516304768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/402616987516304768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2009/07/bhl-le-ps-doit-disparaitre.html' title='BHL: &quot;Le PS doit disparaître&quot;'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-4315542001098350103</id><published>2009-07-22T06:58:00.000-07:00</published><updated>2009-07-22T07:00:32.542-07:00</updated><title type='text'>La lutte des déclassés, une nouvelle lutte des classes! par François Hollande</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.slate.fr/story/8285/la-lutte-des-declasses-une-nouvelle-lutte-des-classes"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;Le déclassement, c'est le sentiment pour une génération de vivre moins bien que celle de ses parents. Ce phénomène concernerait le quart des trentenaires et des quadragénaires. Et il s'est intensifié ces dernières années: c'était à peine 18% au début des années 80! Ce processus, avec la crise, menace de toucher encore plus fortement les jeunes qui arrivent aujourd'hui sur le marché du travail. Le déclassement s'amplifierait, génération après génération et s'aggraverait à mesure que se distendrait le lien entre le diplôme obtenu et la position sociale attendue.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-4315542001098350103?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/4315542001098350103/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=4315542001098350103&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/4315542001098350103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/4315542001098350103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2009/07/la-lutte-des-declasses-une-nouvelle.html' title='La lutte des déclassés, une nouvelle lutte des classes! par François Hollande'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-8472047325899066877</id><published>2009-07-21T05:17:00.000-07:00</published><updated>2009-07-21T05:49:45.799-07:00</updated><title type='text'>Em memória de Palma Inácio</title><content type='html'>Foi uma notícia muito dolorosa, apesar de esperada, a morte de Hermínio da Palma Inácio. Éramos amigos muito próximos - e camaradas - há dezenas de anos. Foi um herói, um verdadeiro mito, da resistência ao salazarismo. Morreu pobre, desinteressado de bens materiais, ao cabo de longa doença, ajudado pelos amigos, que já mal conhecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi falar dele, pela primeira vez, quando do golpe frustrado, contra o salazarismo, de Abril de 1947, em que meu Pai também esteve envolvido. O célebre capitão Queiroga revoltou, no Porto, um regimento de carros de combate e, por falharem os apoios locais, dirigiu-se para o Sul, até à Mealhada, onde teve de se render. Palma, então cabo da Força Aérea, mecânico e piloto, sabotou os aviões da base de Tires, como se comprometera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram os únicos que cumpriram. Preso, torturado e transferido depois para a Cadeia do Aljube, conseguiu fugir, o que parecia impossível. Foi um feito de extrema audácia, de que ouvi falar, com admiração, quando estive preso, com outros camaradas, nessa mesma cadeia, todos militantes do MUD Juvenil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, soube que Palma Inácio, depois da fuga, se refugiara na casa de um proprietário rural, do Reguengo do Fetal, perto de Leiria, Cacela e Cunha, velho amigo de meu Pai, republicano, maçom e, depois do 25 de Abril, socialista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Planeou sair por Leixões, do refúgio onde esteve alguns meses, clandestinamente, num barco de carga que o contratou para trabalhos humildes, em troca de comida e o levou, por caminhos vários, até ao Japão e, depois, à América. Uma enorme aventura! Quase um ano embarcado, conseguiu, embora sem passaporte, desembarcar. A referência que tinha na América era de um velho republicano, João Camoesas, exilado desde o começo da ditadura. Foi ele que lhe valeu e lhe arranjou o primeiro emprego: piloto de aviões de recreio, mecânico e instrutor de pilotos amadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palma Inácio tinha uma excepcional habilidade manual: fabricava passaportes na perfeição e concertava velhos carros e aviões... Ficou alguns anos na América, onde conseguiu amealhar algum pecúlio e ter uma vida desafogada. Fez bastantes amigos, portugueses e americanos. Mas foi denunciado por um deles. A embaixada portuguesa pediu a extradição de Palma para Portugal. A América recusou. Mas exigiu que saísse do território americano. Refugiou--se, assim, no Brasil democrático de então (no Rio) onde foi acolhido pelos emigrantes políticos portugueses: o coronel Pio e o comandante Jaime de Morais, resistentes de grande prestígio junto das autoridades brasileiras. Foi um pouco mais tarde que conheceu Henrique Galvão e o general Humberto Delgado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palma Inácio estava então a meio da vida. Era um homem elegante, bem parecido, com um ar de gentleman farmer, requestado pelas brasileiras e bem instalado na vida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, o rapto do Santa Maria, que seguiu de perto, levou-o de novo à conspiração política. Largou tudo e, com alguns amigos, resolveu ir para Marrocos, onde desviou um avião da TAP, que sobrevoou Lisboa e deixou cair manifestos denunciando mais uma das farsas eleitorais, organizadas por Salazar. Expulso de Marrocos, refugiou-se em França, onde planeou o assalto ao Banco de Portugal, na Figueira da Foz - que foi um sucesso imenso - para obter fundos para a Revolução. Criou a Luar, uma organização revolucionária para derrubar o regime. Pouco tempo depois foi preso de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi, nessa altura, que o conheci, tinha eu acabado de regressar da deportação em São Tomé. Uma irmã de Palma, casada com um inglês, procurou-me no escritório e transmitiu-me o seu desejo de que eu fosse seu advogado. Foi já nessa qualidade que o visitei na prisão de Caxias e o vi pela primeira vez. Perguntei-lhe como queria que organizasse a defesa. Respondeu-me, com um sorriso: "Como entender, mas prolongue o meu julgamento até que chova a cântaros..." Percebi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, foi transferido para a Cadeia da PIDE, no Porto, porque o tribunal resolveu realizar o julgamento no Porto. Tive de substabelecer a procuração no meu amigo e colega Mário Cal Brandão. Transmiti-lhe a mensagem. O julgamento prolongou-se com incidentes que se sucediam. Até que choveu. Palma, nessa madrugada, fugiu da PIDE do Porto, feito julgado inédito e impossível, que espantou toda a gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã seguinte, estava a preparar a tese que apresentei ao II Congresso Republicano de Aveiro, quando recebi um telefonema enigmático do meu escritório a dizer que estava lá um senhor que precisava urgentemente de me falar. Desconfiei do que se tratava. Pedi-lhe que viesse a minha casa. A minha mulher preveniu-me: "Cuidado, é uma armadilha da PIDE para te prender de novo." De facto, a televisão da noite anterior tinha dado, com destaque, a notícia da fuga de Palma, com a fotografia dele, apresentado como um perigoso meliante, prometendo uma grande recompensa para quem o tivesse visto e indicasse o seu paradeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chegou o emissário, que nunca tinha visto, percebi, pelo nervosismo e medo que demonstrava, que não era uma armadilha. Disse-me ser primo do Palma, o qual o tinha procurado, antes de entrar para o trabalho, pedindo-lhe que me pedisse dinheiro, porque não sabia onde se meter nem como se alimentar. Perguntei-lhe onde o deixara e disse-me: num vão de escada de um prédio velho da Rua da Palma. Não hesitei: resolvi ir buscá-lo. Fomos os dois, eu a guiar. Dei voltas para ver se estava a ser seguido. Certifiquei-me que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei o Palma no sítio indicado. Estava num estado lastimável: molhado até aos ossos, vestido com umas calças de ganga e uma camisa à pescador, com a barba de dois dias, esfomeado. Instalei- -o no meu carro, despachei o primo, começámos a circular em direcção à estrada Marginal, sem saber ao certo ainda para onde o iria deixar. Para uma pensão, mal afamada, como ele queria, seria correr um risco tremendo. Seria preso em pouco tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei-me então do meu amigo José Fernandes Fafe, que habitava, com a família, em Cascais, numa moradia isolada. Para aí me dirigi. A meio do caminho, precisamente em Carcavelos, havia uma brigada de trânsito a mandar parar os carros. Perguntei-lhe: que fazemos? Respondeu: não pare! Fiquei indeciso, aflito. Felizmente, não nos mandaram parar. Respirámos de alívio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em casa do Fafe entrei sozinho. Estava a almoçar tranquilamente com a família. Mas percebeu, pela minha cara, que alguma coisa de grave se passava. Disse-lhe de imediato: "Trago-te uma encomenda que deixei no carro. Posso mandá-la subir? São dois dias, não mais..." Respondeu-me: "Não tenho coragem para te dizer que não." Fi-lo subir e voltei para Lisboa. Disseram-me depois que ninguém mais almoçou. Senão ele. E, depois, deitou-se e dormiu até ao dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, a minha mulher arranjou um fato meu e roupa, tirou-lhes todos os indícios que me pudessem referenciar. Foi Catanho de Menezes, querido amigo, que levou a roupa a casa do Fafe.&lt;br /&gt;Mas arranjar-lhe um outro poiso foi mais difícil. Houve várias recusas. Finalmente o Fernando Oneto lembrou-se que o irmão do David Mourão Ferreira, o Jaime, tinha um pequeno apartamento, perto da penitenciária, onde tinha encontros galantes. Foi para aí que o Oneto levou o Palma, onde esteve quase um mês. Ainda lá o fui ver uma vez, antes do Oneto o levar para perto da fronteira de Elvas, onde passou "a salto", pelo caminho dos contrabandistas e entrou clandestinamente em Espanha. Do lado de lá, estava Oneto à espera dele e, ambos, se dirigiram a Madrid, eufóricos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembraram-se então de ir visitar um advogado que Oneto conhecia por meu intermédio, quando do caso Delgado, extremamente simpático, de seu nome Mariano Robles Romero-Robledo. O escritório estava vigiado pela polícia espanhola, que prendeu o Palma. Passou cerca de um ano em Carabanchel, a terrível prisão política do franquismo. A justiça portuguesa, que o considerava um preso comum (não político) pediu a extradição de Palma. Quem o defendeu, a meu pedido, foi o depois embaixador de Espanha em Lisboa, Raul Morodo, que impediu a extradição. O então vice-presidente do Governo Italiano, Neni, oficiou ao Governo espanhol afirmando tratar-se de um preso político e que a Itália estava disposta a dar-lhe asilo político. Assim aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei a encontrar Palma Inácio, em Paris, estava eu já exilado e ele clandestino, em França. No entanto, era sócio de um clube chique de aviação onde alugava regularmente um bimotor para se treinar e dar umas voltas sobre Paris. Levou-me um dia com ele, quando planeava realizar uma operação sobre Lisboa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda em Paris, apareceu-me uma noite o Adolfo Ayala, a dizer que o Palma tinha sido preso na Alemanha, por ter tido um desastre, quando trazia o carro cheio de armas compradas na Checoslováquia. Para além das armas, todos os documentos eram falsos. Foi Willy Brandt, então Chanceler, a quem recorri para o conseguir safar. Não foi nada fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi depois disso que reentrou em Portugal e foi preso de novo na Covilhã, quando tinha planeado, com outros, dominar a cidade, por algumas horas. A "operação" não chegou a realizar-se. Foi encarcerado em Caxias, donde só saiu em 26 de Abril de 1974, depois da Revolução dos Cravos.&lt;br /&gt;Palma Inácio ainda manteve uns tempos a Luar, como organização política. Mas não fazia sentido, uma vez conquistada a liberdade. Assim o reconheceu o próprio Palma, passado o "Verão quente". Foi então que se inscreveu no Partido Socialista. Mas não foi fácil, apesar de ter o meu patrocínio, na altura secretário-geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um militante activo e sempre discreto e cumpridor. Foi deputado pelo PS em duas legislaturas e membro da Assembleia Legislativa do Concelho de Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palma Inácio nunca foi um homem político, no sentido que se dá ao termo em democracia. Mas foi um homem com fortes convicções políticas e um militante activo e esforçado que lutou pelos seus ideais e pelas causas, que sempre foram as suas: a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Um revolucionário activo, imaginativo, corajoso, consequente e pessoalmente desinteressado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um grande sentido da dignidade, da honradez política, modesto, mas, ao mesmo tempo, com consciência e orgulho do que fez ao serviço da Pátria, no tempo particularmente difícil em que viveu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1313250&amp;amp;seccao=M%E1rio%20Soares&amp;amp;tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Mário Soares, In Diário de Notícias&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-8472047325899066877?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/8472047325899066877/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=8472047325899066877&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/8472047325899066877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/8472047325899066877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2009/07/em-memoria-de-palma-inacio.html' title='Em memória de Palma Inácio'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-2513716286471745484</id><published>2009-07-16T07:02:00.000-07:00</published><updated>2009-07-16T07:03:29.807-07:00</updated><title type='text'>A CRISE</title><content type='html'>&lt;a href="http://blogs.lesechos.fr/article.php?id_article=2857"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#3333ff;"&gt;Le déficit structurel de la France pourrait atteindre 7% du PIB après la crise&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta análise do caso francês leva-nos à conclusão da inevitabilidade de um cenário, em todos os países, nos próximos anos, da prevalência de políticas de austeridade. Em poucas palavras: cortes na despesa pública e aumento dos impostos. Nas próximas eleições, em Portugal, a escolha é entre a política de austeridade ser conduzida por um governo de esquerda democrática ou, em alternativa, de direita. [Excluo, para já, o cenário, não desprezível, do chamado “bloco central”.] Mas a política de austeridade não rende votos e, como tal, ninguém fará dela bandeira. Nenhum partido falará em decrescimento, em deflação, em deficit estrutural, em diminuição de salários … quanto muito falará, genericamente, em recuperação moderada da economia ou em desaceleração da crise … Quem será capaz de fazer luzir, de forma credível, uma esperança no horizonte? Quem será capaz de assumir a gestão da crise criando a expectativa de amortecer, de forma mais eficaz, os seus pesados custos sociais?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-2513716286471745484?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/2513716286471745484/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=2513716286471745484&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/2513716286471745484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/2513716286471745484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2009/07/crise.html' title='A CRISE'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-473750255190514252</id><published>2009-07-05T13:08:00.000-07:00</published><updated>2009-07-05T13:13:59.083-07:00</updated><title type='text'>Manuel Pinho sobre o futuro da economia portuguesa</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/11734-exclusivo-i-manuel-pinho-o-futuro-da-economia-portuguesa"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;No século 21 vão ter lugar muitas mudanças, independentemente da nossa vontade. O segredo é conseguirmos antecipar essas mudanças, de maneira a transformá-las em oportunidades.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num mundo em que há 195 países e em que os fluxos internacionais de bens, serviços e capitais são cada vez maiores, como é que Portugal se deve posicionar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, os portugueses têm de acreditar em si próprios. Desde o início da década, Portugal está globalmente mais competitivo, de tal forma que o défice da balança externa de bens e serviços baixou de quase 8% do PIB no ano de 2000 para apenas 3,5% em 2007 e em 2008 só subiu um pouco porque a conjuntura internacional foi extremamente negativa no quarto trimestre. Portanto, é um erro, além de ser uma manifestação de arrogância, passar a vida a dizer que as nossas empresas e os nossos empresários não são, de uma forma geral, competitivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante este período, verificou-se uma tendência muito interessante no sentido de as exportações terem cada vez mais valor acrescentado, de tal forma que no ano passado a balança tecnológica foi positiva pela primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que o que aconteceu de positivo a este nível foi quase totalmente compensado pela evolução extremamente negativa da balança energética. Dado isto, a solução parece evidente e consiste em acelerar o processo de ganhos de competitividade nas indústrias exportadoras de bens e serviços e em desenvolver uma política muito agressiva de redução do défice energético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi isto que foi feito, é isto que temos de continuar a fazer. A política de defesa dos consumidores tem um papel importante a desempenhar, porque cria uma cultura de exigência e qualidade no conjunto da sociedade. Consumidores mais exigentes promovem empresas mais competitivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A forma como nos tornámos um dos líderes nas novas indústrias da energia é um exemplo de como é possível transformar um desafio numa oportunidade e a aposta nas energias renováveis, na eficiência energética e na nova mobilidade vai reduzir muito a nossa dependência energética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, está em criação uma fileira de indústrias muito competitivas e tecnologicamente avançadas que vai operar num mercado que se estima em 30 triliões de dólares nos próximos 20 anos. A política do presidente Obama é uma prova da importância estratégica desta fileira industrial. Imagine-se o que seria termos uma quota de mercado de 2-3% neste mercado em fortíssima expansão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do relatório Stern e do Nobel da Paz atribuído ao IPCC e a AL Gore a percepção da fronteira entre ambiente e economia mudou radicalmente. O mesmo aconteceu com a fronteira entre diplomacia política e internacionalização da economia, sendo a importância das relações criadas no sector da energia com a Venezuela, Argélia, Líbia e os Emirados exemplo disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, vamos ter de começar por fazer uma reforma institucional que tenha em conta esta nova realidade, juntando economia e ambiente, por um lado e diplomacia política e internacionalização da economia, por outro lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estamos condenados a ser um país de segunda divisão. Em termos de especialização, podemos e devemos ambicionar ser um dos líderes em três sectores em que temos uma excelente base de partida em termos de quota de mercado, imagem e know-how e que, ainda por cima, assentam na exploração de recursos que temos em abundância, ou seja no mar, rios, floresta, sol, vento e património.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do sector das novas energias, há mais dois que estão a ter um desenvolvimento notável e em que podemos estar entre os líderes. Na fileira da madeira, somos n.o 1 mundial na cortiça, n.o 1 mundial no aglomerado de madeira e n.o 1 europeu em vários segmentos da indústria do papel. As perspectivas são muito boas, em função dos grandes investimentos que a indústria da pasta de papel está a fazer e que, na altura, foram apelidados de faraónicos, sendo doravante verdadeiramente vital desenvolver uma nova política de gestão das florestas. O sector do móvel, centrado em Paços de Ferreira, que parecia condenado, está a dar uma volta a 180 graus e acaba de ser distinguido na feira de Milão, que é a mais exigente do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sector do turismo, os números dos últimos cinco anos falam por si. 157 novas unidades de quatro e cinco estrelas. 188 novas rotas. Subida do 22.o para o 17.o lugar no ranking internacional de competitividade. Agora, o grande desafio do turismo é acabar os projectos que foram lançados, criar ainda mais novas rotas e, sobretudo, criar conteúdos através da exploração da sua complementaridade com as indústrias criativas, gastronomia, produtos tradicionais, etc. A aposta tem de ser na qualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, não poderemos esquecer o conjunto da economia, quer os sectores mais dinâmicos, que se estão a organizar em rede sob a forma de pólos de competitividade, quer o importantíssimo sector das PME, que reconhecem de forma extremamente gratificante que nunca foram tão apoiadas a todos os níveis. Por exemplo, quando pensamos nas linhas de crédito PME Investe que foram criadas em prazo recorde devemos pensar que, mais do que haver 25 000 empresas que foram beneficiadas, há 1 milhão de portugueses que não sofreram mais com a crise porque o apoio foi rápido e bem direccionado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta política para as empresas tem de ser apoiada por uma verdadeira Aliança para a Internacionalização entre o Estado e a sociedade civil, em que ambas as partes têm de estar igualmente empenhadas, mas em que incumbe ao Estado dar os primeiros passo através de medidas que não deixem qualquer margem para dúvida sobre o seu comprometimento com este projecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num horizonte de vários governos, e não de apenas um ou dois, há um projecto de âmbito verdadeiramente nacional sobre o qual é preciso formarmos um consenso o mais amplo possível: como reduzir os custos de sermos um país geograficamente periférico? Um dos aspectos mais interessantes da obra de Krugman é, precisamente, sobre a relação entre geografia e padrão de especialização. A solução para Portugal passa por tudo aquilo que possa encurtar a nossa distância do centro, desde aeroportos, a portos, passando pela banda larga, interligações eléctricas e TGV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A qualidade das instituições é um importante factor de desenvolvimento. A complexidade e morosidade dos processos de licenciamento e o mau funcionamento do sistema de justiça são um travão ao progresso, além de gerarem um enorme e justificadíssimo mal-estar na sociedade portuguesa.Podemos ser um país que encara o século 21 com confiança. As palavras-chave são ambição, determinação, aliança, liderança, sustentabilidade, internacionalização e encurtar distâncias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-473750255190514252?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/473750255190514252/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=473750255190514252&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/473750255190514252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/473750255190514252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2009/07/manuel-pinho-sobre-o-futuro-da-economia.html' title='Manuel Pinho sobre o futuro da economia portuguesa'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-5209837176423632164</id><published>2009-06-29T07:57:00.000-07:00</published><updated>2009-06-29T08:00:44.845-07:00</updated><title type='text'>Mensagem da Aliança Cooperativa Internacional - Dia Internacional das Cooperativas (4de Julho)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;"Orientar a reforma global por intermédio da empresa cooperativa"&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com estudo recente feito pela ACI por encomenda da Organização Internacional do Trabalho (OIT), as cooperativas resistem melhor à crise que as outras formas de empresa. As cooperativas financeiras mantiveram-se financeiramente sólidas; as cooperativas agrícolas em numerosos países do mundo tiveram excedentes; as cooperativas de consumo apresentam volumes de negócio acrescidos; as cooperativas de trabalho crescem. Cada vez mais pessoas escolhem a empresa cooperativa para responder às novas realidades económicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque é que as cooperativas são capazes de sobreviver e ainda prosperar em tempo de crise, e para lá dela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças ao seu modelo. A empresa cooperativa é um modelo alternativo que, em lugar de se concentrar no lucro, se concentra nas pessoas, agrupando a sua força de mercado ao mesmo tempo que as guia pelos seus valores e princípios cooperativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em numerosos países e sectores pelo mundo, a empresa cooperativa cresce em número de membros, em capital e volume de negócios. As cooperativas contribuem de modo significativo para manter e criar empregos, garantindo assim o rendimento das famílias. Garantem que os preços permanecem justos e que os produtos de consumo, alimentação e serviços se mantêm sãos, fiáveis e de boa qualidade. As instituições financeiras cooperativas conheceram um afluxo de capital porque os consumidores reconhecem a segurança e fiabilidade das cooperativas de poupança e crédito, dos bancos cooperativos e das seguradoras cooperativas que, em muitos casos, continuaram a fornecer crédito aos particulares e às pequenas empresas. Ao fazê-lo, demonstram que a empresa cooperativa é viável e que as empresas que se regem por valores éticos podem singrar e contribuir para uma retoma económica sustentável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os economistas, o mundo académico e a comunidade internacional procuram desesperadamente como estimular uma retoma global e ao fazê-lo, começam a interrogar-se sobre o modelo económico actual, que perdeu a confiança, tanto dos responsáveis políticos como do consumidor médio. Procuram nomeadamente regular os mercados e particularmente as instituições financeiras, para assegurar um funcionamento mais ético e transparente. Todavia, nessa procura, redescobrem também e reconhecem o potencial das cooperativas em contribuir de modo significativo para um novo sistema económico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numerosos Governos já tomam em conta a opção cooperativa neste novo ambiente económico, seja para estimular a produção agrícola, ou para reorganizar os sistemas de protecção social nacionais, como o mostra o recente debate nos Estados Unidos sobre a reforma do sistema de saúde e a proposta de criar cooperativas de saúde. Reconhecem também o contributo que as cooperativas podem dar na retoma nos seus países e encorajam cada vez mais os seus cidadãos a considerar a empresa cooperativa para as suas finanças, para aumentar a sua produtividade e para o seu bem-estar geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Movimento Cooperativo deverá trabalhar com os responsáveis políticos para assegurar que reconheçam a particular natureza das cooperativas. Elas não devem ser demasiadamente reguladas e eles devem compreender a sua aversão ao risco. Uma resposta política coerente e bem articulada é crucial para assegurar que elas não sejam prejudicadas pelas mudanças no enquadramento regulamentar. Apenas graças a políticas apropriadas é que as cooperativas continuarão a ser capazes de orientar a retoma global.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se bem que alguns economistas a propósito do estado da economia venham dizer que o pior já passou e que a retoma deve começar no fim do ano, a recessão afecta e afectará as empresas. Numerosas cooperativas serão tentadas a sobreviver a qualquer preço, incluindo renunciando à sua natureza. Mas é cada vez mais evidente que pôr em prática os valores e princípios cooperativos poderá ser o factor determinante de uma viabilidade a longo prazo. É tempo de fazer acentuar a natureza cooperativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao movimento cooperativo depara-se uma oportunidade sem precedentes. Deve vencer o desafio e ser capaz de demonstrar que o modelo de empresa cooperativo é o melhor modelo alternativo de empresa no futuro. As cooperativas demonstram actualmente que, não apenas gerem o desenvolvimento económico, como também praticam a democracia económica e política e são socialmente responsáveis. As cooperativas oferecem uma maneira mais justa de negociar, em que os valores sociais e ambientais não são apenas respeitados quando isso convém, mas são, simplesmente, a maneira de empreender das cooperativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste Dia Internacional das Cooperativas, a ACI faz apelo aos cooperadores do mundo inteiro para que reforcem o seu compromisso nos valores e princípios cooperativos, para que celebrem o seu sucesso nestes tempos difíceis e para que trabalhem em conjunto por forma a assegurarem-se que lideram a retoma global no mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-5209837176423632164?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/5209837176423632164/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=5209837176423632164&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/5209837176423632164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/5209837176423632164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2009/06/mensagem-da-alianca-cooperativa.html' title='Mensagem da Aliança Cooperativa Internacional - Dia Internacional das Cooperativas (4de Julho)'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-4284855644700796522</id><published>2009-06-22T01:56:00.000-07:00</published><updated>2009-06-22T01:58:06.155-07:00</updated><title type='text'>Cuba se acerca a la quiebra</title><content type='html'>&lt;strong&gt;La crisis económica acrecienta las penurias y el malestar en la isla&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La funeraria de Arroyo de Naranjo fue hace semanas escenario de una escena truculenta. En una noche aciaga para los familiares de los fallecidos en ese municipio habanero, en el lugar había sólo dos tipos de ataúdes: con hormigas o con comején. "Si no quieren éstos, tienen que esperar", advirtió a los dolientes un empleado del tanatorio. Indignados, tras negarse a depositar allí los restos de sus seres queridos, los deudos tuvieron que aguardar ¡ocho horas! a la llegada de féretros en buen estado. La historia, contada recientemente por la revista Bohemia, es una más de las que a diario suceden en Cuba, pero a muchos ha recordado los tiempos del Periodo Especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquella crisis galopante de los años noventa todavía marca la memoria de los cubanos y hace temblar a la gente. Entonces los apagones llegaron a ser de 12 y 14 horas diarias, el transporte público casi desapareció, cientos de empresas cerraron y la comida escaseó hasta el punto que una epidemia de neuritis afectó a decenas de miles de personas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoy las cosas no están tan mal como cuando desapareció el bloque socialista, pero ya es más que un rumor en la calle que Cuba se adentra en un "mini-Periodo Especial". Los síntomas de la crisis económica, agravados por la depresión internacional, están ahí: fábricas trabajando a medio gas y otras paralizadas, producciones deprimidas, reducción de algunos productos de la libreta de racionamiento, como los frijoles o la sal; amenaza de apagones, que ya son una realidad en centros de trabajo y empresas del Estado que se pasan del "plan de consumo" establecido; anuncios de mayores "restricciones al consumo" y de "peores contingencias".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Estamos en un momento verdaderamente complicado de nuestra historia", admitió esta semana el asesor del Ministerio de Economía Alfredo Jam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La prensa cubana está salpicada de datos y noticias que reflejan la magnitud de una crisis que para algunos es casi quiebra. El domingo pasado fue Juventud Rebelde, el diario de la juventud comunista cubana, el que reveló el impacto en el tejido industrial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ejemplo es el Combinado Lácteo Escambray, que elabora helados que abastecen cuatro provincias centrales de la isla y vende quesos en el mercado internacional. Debido al drástico programa de ahorro energético puesto en marcha el 1 de junio por el Gobierno, la empresa está abocada a la debacle. El plan -que entre otras medidas establece apagar todos los aires acondicionados en el sector estatal al menos cinco horas al día y los refrigeradores dos horas diarias- obliga a disminuir el consumo eléctrico en el Combinado Lácteo más de un 40%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Si esto se cumple, "la actividad de la planta de helados quedará constreñida a solamente escasos días", aseguró el "jefe energético" de la empresa, Benigno González, que informó de que incluso podría cesar la producción a partir de septiembre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En La Habana, basta tener que realizar unas pocas gestiones para percatarse de la situación. En la mayoría de las tiendas y centros laborales no ponen el aire acondicionado hasta la una de la tarde. En algunos trabajos han readaptado el horario (por supuesto, acortándolo) y en otros el cabreo de los empleados repercute tanto en el trato al público como en el rendimiento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La falta de liquidez es asfixiante. En lenguaje oficial, "las actuales tensiones financieras del país obligan a detener el comportamiento [de consumo eléctrico] registrado en el primer cuatrimestre del año" (Bohemia, 5 de junio). Hasta mayo se consumieron 40.000 toneladas más de lo planificado, lo que, de mantenerse hasta fin de año, supondría un "egreso adicional" de 100 millones de dólares. Y 100 millones ahora son un mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Las cosas están peor que nunca", dice un empresario extranjero que comercia con Cuba desde hace años. Como muchos de sus colegas, se queja de que tiene inmovilizados cientos de miles de dólares en su cuenta bancaria de Cuba. "Desde enero no puedo transferir un dólar. No hay dinero", dice. El lamento cada vez se extiende más y ya empieza a tener consecuencias. "Algunos empresarios han comenzado a limitar el envío de suministros en tanto no puedan repatriar sus ganancias", dice un diplomático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Es imposible mantener una economía en la que las importaciones cuadriplican las exportaciones, como ocurrió en los primeros cuatro meses del año", asegura un economista cubano, citando datos publicados por el diario Granma. El ministro de Economía, Marino Murillo, rebajó recientemente las expectativas de crecimiento de la economía cubana en 2009 del 6% al 2,5%. Pero economistas independientes afirman que el crecimiento puede ser inferior o incluso que el PIB puede decrecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La reforma salarial, que debía eliminar los topes a lo que los cubanos pueden ganar, ha sucumbido al "burocratismo" y no ha logrado su objetivo de "estimular la eficiencia". La prensa lo admite, y también que en los últimos cuatro años 135.000 cubanos emigraron del país. Mientras se habla de realizar "reajustes inevitables" en la economía, el malestar de la gente crece y eso preocupa a las autoridades, más en verano, cuando en el Caribe todo hierve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.elpais.com/articulo/internacional/Cuba/acerca/quiebra/elpepuint/20090622elpepiint_7/Tes"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;El Pais -MAURICIO VICENT&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-4284855644700796522?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/4284855644700796522/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=4284855644700796522&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/4284855644700796522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/4284855644700796522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2009/06/cuba-se-acerca-la-quiebra.html' title='Cuba se acerca a la quiebra'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-7114727783093994971</id><published>2009-06-15T15:17:00.000-07:00</published><updated>2009-06-15T15:20:19.985-07:00</updated><title type='text'>Mi triste Italia</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Un país que fue bandera de libertad y cultura es presidido hoy por un político que censura la información que no le interesa. ¿Qué le ha pasado a Italia? ¿Por qué es tan difícil de reconocer para quienes la aman?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Viví en Italia más que en España: cerca de 50 años. A ese país, que reúne el 36% del arte del planeta según la Unesco, le debo mucho humana y culturalmente. En Italia, donde hice mis estudios, donde respiré por primera vez los aires puros de la libertad -llegado muy joven desde el país de las censuras, de las condenas a muerte arbitrarias, de la inexistencia de partidos políticos-, me dieron la nacionalidad por méritos culturales. Allí voté por primera vez en mi vida. Tenía ya más de 40 años. En España no se votaba, sólo se vivía el terror.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordaré siempre aquella mañana en que, por fin, pude introducir mi papeleta en el secreto de una urna. Mi voto, me dijeron, valió miles. Eran unas elecciones en las que los italianos empezaban a cansarse de los políticos, lo que incitaba a no votar. La RAI me entrevistó preguntándome qué sentía un español que podía votar por primera vez. Hablé de mi evidente emoción y me atreví a pedir a los que estaban pensando en no acudir a la cita con las urnas que lo hicieran para resarcir mi pena de no haber podido votar en tantos años. Me llamaron después de la radio para decirme que miles de personas, incluso algunas familias enteras, querían que yo supiera que habían ido a votar por mí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En Italia pude publicar lo que no podía publicar en mi país. Me abrieron las puertas sus revistas y periódicos. Gocé del privilegio de conocer, tratar y entrevistar a los personajes de la literatura y del arte que hicieron grande en aquel momento al país de Dante y de Leonardo, gente como Fellini, Passolini, Sciascia, Italo Calvino; a estilistas como Valentino, Armani, Missoni; a grandes empresarios como Agnelli o Pirelli; a magníficos editores como Einaudi o Feltrinelli... Y hasta a políticos dignos como Berlinguer o Moro o jueces valientes como Falcone, con quien conversé meses antes de ser asesinado. En mi encuentro con el juez Falcone nos rodeaba una nube de policías armados hasta los dientes y de sirenas desplegadas. "Es todo teatro. Cuando la Mafia lo decida, me matarán igualmente", me dijo el magistrado despidiéndose con una media sonrisa triste. Lo mataron.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era aquella una Italia que yo amaba apasionadamente y en cuya lengua escribí mis primeros libros. Hasta que llegó Silvio Berlusconi. Lo vi aterrizar en Palermo, capital de Sicilia, corazón de la Mafia, en helicóptero, como un dios pagano. Eran sus primeras elecciones. Pocos creían que aquel histrión, que nunca había estado en la política, en un país tan politizado como lo era Italia, podría ganar. Yo pronostiqué en el periódico que ganaría. Vi aquella mañana en Palermo a casi medio millón de personas levantando los brazos hacia el helicóptero que traía al Salvador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La Mafia siciliana había cambiado de bandera. Acababa de abandonar a la poderosa Democracia Cristiana, hasta entonces su señora, para ofrecerle el beso y sus votos al empresario del que decían que tenía el arte mágico de crear empleos de la nada. Italia aquel día empezó a entrar en el túnel de la degeneración. Yo me volví a España.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ahora veo, como en una pesadilla, que los italianos, que a mí me habían otorgado el placer de la libertad de información y expresión, tienen que leer EL PAÍS para poder saber las desvergüenzas cometidas por su Cavaliere. ¿Dónde quedó aquella Italia a la que el mundo amaba y admiraba?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Italia me defendió cuando uno de los Gobiernos de Franco intentó procesarme por un artículo publicado sobre el comportamiento de la Iglesia española durante la dictadura militar. Me convocaron a Madrid. Me recibió el entonces ministro Girón. En su casa. Me contó que un ministro llevó mi artículo a un Consejo de Ministros pidiendo mi cabeza. Franco se limitó al final del Consejo a llamar al ministro Girón y le dijo: "Dejen a ese chico, porque si no lo van a hacer un mártir en Italia. Pero llámele y cuéntele". Era un aviso claramente mafioso. Así era entonces España. Así es hoy, o casi, Italia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En mis noches sin sueño, me pregunto cómo pudo haberse llevado a cabo tal metamorfosis. Cómo se llegó a esta mi triste Italia actual. Sólo puedo hacerme algunas preguntas tras mi larga experiencia italiana. ¿Por qué ganó Berlusconi por primera vez, cuando ya circulaba un libro sobre sus fechorías e ilegalidades como empresario de la construcción en Milán? ¿Por qué los socialistas de Bettino Craxi, que acabó muriendo en el exilio, buscado por corrupción, cuando llegaron al poder le permitieron a Berlusconi crear su imperio televisivo contra todas las normas de la Constitución? ¿Qué hicieron, o no hicieron, los comunistas, herederos del severo y honrado Berlinguer, cuando después de más de 40 años luchando para llegar al poder lo consiguieron y actuaron tan mal que los italianos volvieron a llamar a Berlusconi? ¿En qué defraudaron a los italianos? ¿Por qué perdieron tan pronto las esencias del que había sido el mayor partido comunista de Europa, el del Eurocomunismo, y que reunía bajo sus alas y protegía de la mediocridad de la derecha a toda la inteligencia, todo el arte y toda la cultura del país? Un partido, insisto, que tenía como líder a un Berlinguer siempre tímido y escondido, como legítimo hijo de la austera Cerdeña, pero recto, digno y tan amado que el día de su muerte se paralizó la ciudad de Roma y dos millones de personas se volcaron en las calles como si su selección nacional hubiera ganado un mundial de fútbol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui en aquella época un crítico severo de la entonces poderosa Democracia Cristiana, que llevaba 40 años en el poder y que acabó barrida al pagar sus escándalos de corrupción. Hoy, a tantos años de distancia, tengo que reconocer que lo que vino después fue peor. Está a la vista de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La Democracia Cristiana, profundamente conservadora, poseía, sin embargo, un profundo respeto por la libertad de expresión de los periodistas. Conservo aún algunos tarjetones escritos con la letra grande de Fanfani y la menuda de Andreotti, ambos repetidas veces presidentes del Gobierno. Cada vez que publicaba un artículo crítico sobre uno u otro, llegaba a mi oficina en Roma un motorista llevándome uno de esos tarjetones, en los que me agradecían el haber escrito sobre ellos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuando España estaba para entrar en la Unión Europea, el ministro de Asuntos Exteriores de Italia era Andreotti. En la Embajada de Italia en Madrid, alguien más papista que el Papa decidió hacer un estudio de mis crónicas, concluyendo que era excesivamente crítico con los políticos italianos. Llamaron al embajador de España en Roma y, con evidente cuño mafioso, le recordaron que Italia era fundamental para que España entrara en la Comunidad Europea y que no les gustaban mis crónicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La noticia llegó a los oídos de Andreotti, que ignoraba el hecho. Aquella mañana, me llamó para ofrecerme una entrevista. Me recibió con los brazos abiertos. No se habló del asunto suscitado por la Embajada italiana en Madrid. Me contó anécdotas inéditas de sus relaciones con el entonces papa Juan Pablo II. Me dijo que el Papa polaco lo invitaba a veces a comer o a cenar con él y hasta a asistir a la misa en su capilla privada. Antes de despedirme, me autografió un libro con estas palabras: "A mi querido colega periodista Juan Arias, con amistad". Andreotti se jactaba siempre de ser periodista de profesión. Ya en la puerta me dijo: "España va a ser muy importante en la Comunidad Europea. Yo la voy a apoyar". Lo hizo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andreotti, no obstante, solía decir que a los políticos españoles les faltaba finezza. Tristemente, esa finezza a quienes les falta hoy es a tantos políticos italianos, empezando por su presidente y su corte faraónica, que tienen horror y pánico de la información libre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quizá no sea verdad que a los italianos les guste tanto Berlusconi -no por lo menos a los italianos que yo conozco-, quizá es que tampoco les gustan demasiado los otros políticos. A esos otros, yo les di el primer voto de mi vida. Cosa triste, como diría Saramago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.elpais.com/articulo/opinion/triste/Italia/elppgl/20090615elpepiopi_13/Tes"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;JUAN ARIAS – El Pais - 15/06/2009&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-7114727783093994971?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/7114727783093994971/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=7114727783093994971&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/7114727783093994971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/7114727783093994971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2009/06/mi-triste-italia.html' title='Mi triste Italia'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-8132260374178448607</id><published>2009-06-03T03:36:00.000-07:00</published><updated>2009-06-03T03:44:23.879-07:00</updated><title type='text'>Banques-Etat : divorce sous conditions</title><content type='html'>Certains soirs, quand je suis seul, j'aime me repasser la vidéo de mon mariage à l'envers pour me voir sortir de l'église en homme libre », plaisantait un certain George Coote (*). Depuis que les Bourses se sont calmées, on dirait que les banquiers du monde entier sont en train de regarder le film de la crise à l'envers pour recommencer comme avant, dégagés des tenailles de la puissance publique. Leur priorité actuelle : rembourser l'aide en capital que leur a octroyée leur Etat au plus fort de la tempête. C'est pourtant eux qui l'avaient appelé à leur secours. Ne doit-il donc pas imposer quelques conditions au divorce ? Il le peut d'autant plus que les banquiers ne demandent pas une séparation totale, qui leur serait certainement fatale : une bonne partie de la dette des banques et tous leurs dépôts restent garantis par l'Etat. Et les banques centrales continuent à soutenir le marché interbancaire...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La semaine prochaine, le Trésor américain pourrait ainsi annoncer le nom de plusieurs banques autorisées à rembourser la recapitalisation qu'elles avaient obtenue dans le cadre du plan de soutien au système financier (le fameux Tarp) voté après la chute de Lehman. Goldman Sachs, JPMorgan Chase, en tout probablement une demi-douzaine d'établissements, devraient ainsi voir à nouveau leur capital entièrement détenu par des mains privées. Au Royaume-Uni, l'Etat sonde déjà des fonds souverains pour commencer à se délester, d'ici à un an, espère-t-on, de ses participations bancaires. En France, les établissements financiers, même si certains avaient d'abord rechigné à accepter l'argent de l'Etat, n'ont pas commencé à faire pression pour reprendre leur liberté capitalistique. Mais ils promettent déjà de s'y atteler dès que la situation le leur permettra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Le but pour les banquiers est principalement d'avoir les mains libres pour octroyer à leurs salariés, et à ceux qu'ils veulent recruter, les bonus qu'ils jugent mérités sans heurter l'opinion publique, très irritable en la matière. Les banques veulent aussi davantage de liberté stratégique. Elles veulent choisir leurs dirigeants, que l'Etat pourrait démettre d'un geste. Le régulateur américain veut par exemple la démission de Vikram Pandit, PDG de Citigroup. Enfin, la participation de l'Etat à leur capital coûte cher aux banques, car la puissance publique demande des dividendes élevés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moyen terme, les contribuables, les entreprises et les concurrents des banques ont tout à gagner à ces remboursements. Cette aide publique suscite la jalousie des entreprises non bancaires en difficulté. Surtout, elle tient les Etats officiellement responsables des centaines de milliards d'euros d'engagements des banques envers leurs contreparties. En outre, la plupart des experts s'accordent à penser que l'Etat n'a pas les ressources suffisantes pour gérer ces banques. Enfin, au lendemain d'un séisme qui a surtout frappé les places financières occidentales, il est important de ne pas brider les banques de la zone. L'axe NyLon (New York - Londres) est désormais sérieusement menacé par ShangKong (Shangai - Hong Kong).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais n'est-ce pas trop tôt pour libérer ce secteur ? Car le monde vit une crise d'une ampleur qui n'intervient qu'une fois par siècle et l'opinion publique espère que des leçons ont été tirées.&lt;br /&gt;Certains critiques notent qu'une sortie des banques de la rassurante tutelle capitalistique de l'Etat peut fragiliser le financement de l'économie, encore vulnérable, et ce, d'autant que les banques doivent payer chèrement leur autonomie en empruntant. Surtout, quand les principales banques auront regagné leur indépendance, l'Etat n'aura plus la même influence sur elles pour pousser les réformes du système. Dans un article (**) très remarqué, Simon Johnson, ancien économiste du &lt;a class="ROUGE" title="information sur le FMI" href="http://lesechospedia.lesechos.fr/fmi.htm?xtor=SEC-3167" alt="actualité sur le FMI"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;FMI&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, compare les banquiers américains - dont beaucoup sont restés en place - aux oligarques russes, tant ils ont de pouvoir face aux pouvoirs publics.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certes, le chantier du renforcement de la réglementation a commencé des deux côtés de l'Atlantique. Mais, en matière d'encadrement des bonus - qui récompensent des comportements inconséquents -, en matière de transparence et de contrôle des marchés de produits dérivés - qui ont exacerbé la panique (cf. AIG) -, en matière de normes prudentielles - trop lâches comme l'ont montré les produits structurés à base de « subprimes » placés en hors- bilan -, on est loin du but. Même le modèle si décrié de la banque « too big to fail », au secours de laquelle l'Etat devra toujours venir en cas de problème, reste l'objectif ultime des banquiers. Le &lt;a class="ROUGE" title="information sur le G20" href="http://lesechospedia.lesechos.fr/g20.htm?xtor=SEC-3167" alt="actualité sur le G20"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;G20&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; de septembre à New York sera un rendez-vous important pour faire le point sur la réglementation.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Les Etats ont déjà des difficultés à harmoniser leurs interventions. D'ici là, ils auraient peut-être intérêt à tenir la bride à leurs banques.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.lesechos.fr/info/analyses/4870059-banques-etat-divorce-sous-conditions.htm"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Nicolas Madelaine est journaliste aux Echos.fr.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(*) « Wit Hits the Spot », Des MacHale.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(**) « The Quiet Coup » (« Le Coup d'Etat tranquille »), www.theatlantic.com.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onclick="ouvreFenetrePartagerBlogmarks()" href="http://www.lesechos.fr/info/analyses/4870059-banques-etat-divorce-sous-conditions.htm#"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-8132260374178448607?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/8132260374178448607/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=8132260374178448607&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/8132260374178448607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/8132260374178448607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2009/06/banques-etat-divorce-sous-conditions.html' title='Banques-Etat : divorce sous conditions'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-8676815734965023347</id><published>2009-05-27T04:20:00.000-07:00</published><updated>2009-05-27T04:32:37.792-07:00</updated><title type='text'>Européennes : le débat Kahn-Cohn-Bendit</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;"Les Echos " mettent face à face deux têtes d'affiches connues pour leur franc-parler : l'écologiste Daniel Cohn-Bendit, tête de liste Europe Ecologie en Île-de-France, et le centriste Jean-François Kahn, tête de liste MoDem dans l'Est.  &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;          &lt;br /&gt;Les Echos : L'abstention pour les élections européennes du 7 juin prochain s'annonce massive. Quel argument utiliseriez-vous pour convaincre les Français d'aller aux urnes ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Daniel Cohn-Bendit&lt;/strong&gt; : Pour être franc, il n'y a pas un argument pour convaincre les Français.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;On peut toujours dire que " si vous ne vous occupez pas de l'Europe, l'Europe s'occupe de vous " mais si on n'arrive pas pendant cinq ans à expliquer le fonctionnement de l'Europe et le rôle du parlement européen dans la législation européenne, ce n'est pas dans une campagne réduite à trois semaines qu'on va rattraper le temps perdu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pour s'attaquer à l'abstention, la meilleure stratégie est que chaque force politique cherche à mobiliser au plus large son potentiel. Pour moi, cela consiste à dire que face aux crises auxquelles nous sommes confrontés, l'Europe doit et va jouer un rôle, positif ou négatif selon le rapport de force politique à l'intérieur, entre autres, du Parlement européen.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Donc, si on veut la transformation de nos modes de production, si l'on veut que l'on s'attaque à la fois à la crise économique et financière, écologique et à la crise de la mondialisation, il faut un fort pôle écologique au Parlement européen. C'est dans la logique de ce qu'on dit depuis cinq ans.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jean-François Kahn&lt;/strong&gt; : Comme l'a dit Daniel Cohn-Bendit, il est peu probable qu'en quinze jours, avec le peu de moyens qui sont les nôtres, on arrive à une expression de masse. Mais il y a un argument qui devrait convaincre : c'est une élection démocratique, parce qu'elle est au suffrage proportionnel. Pour une fois, les Français ont la possibilité de ne pas voter contre, pour barrer la route à ceux-ci ou à ceux-là, mais de voter pour des idées. Et en même temps, c'est la première élection depuis la crise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Face à cette crise économique, mais aussi morale, de civilisation, les gens ont la possibilité de dire quel modèle ils veulent. Et quel modèle ils ne veulent pas. D'ailleurs, je voudrais dire à Daniel que sur ce plan là, il m'a déçu. Pour une fois, on n'est pas obligé de s'engueuler, de s'envoyer des noms d'oiseaux, des pétards ou des bombes puantes. Pour une fois, on peut opposer nos projets. Moi, je ne dit jamais du mal de lui et...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Daniel Cohn-Bendit&lt;/strong&gt; : Moi non plus je ne dit jamais de mal de lui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jean-François Kahn&lt;/strong&gt; : ... et je trouve que la façon dont il s'est mis lui aussi, comme les politiciens professionnels, à décrire François Bayrou comme un fou qui voit la vierge, c'est une façon archaïque et vieillote de faire de la politique. Il faut changer la façon de faire la politique, essayer d'imaginer autre chose. Là, je comptais sur lui et j'ai été déçu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Daniel Cohn-Bendit&lt;/strong&gt; : Déception pour déception... D'abord, moi j'ai dit du bien, dans mes meetings, de toutes les têtes de liste du Modem. Que ce soit Jean-François, Sylvie Goulard, Jean-Luc Bennahmias... Je n'ai pas dit du mal d'un candidat.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La seule personne que j'ai critiqué, parce que j'ai été déçu, c'est François Bayrou. Il sort pendant les élections européennes un livre centré sur Sarkozy, sans une ligne sur l'Europe. En septembre, j'aurais dit bravo. A six semaines des européennes, il court-circuite le débat nécessaire et pédagogique sur l'Europe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;On peut me reprocher la manière dont je me suis moqué de lui, mais sur le fond, c'est tout ce que j'ai dit. De la même manière, j'ai dit du bien de Michel Barnier et j'ai critiqué Rachida Dati parce que je ne crois pas, dans la manière dont elle était candidate, qu'elle donne envie aux Français de voter pour l'Europe. A part ça, je suis resté sur le débat de fond.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jean-François Kahn&lt;/strong&gt; : Ce n'est pas tout à fait exact. Ce que les Français ont retenu, c'est que Daniel Cohn-Bendit tape sur Bayrou. Il n'y que ça qui reste. Je ne comprends pas bien la critique sur le livre de François Bayrou parce qu'il est chef d'un parti national et, comme le faisaient Mitterrand ou Chirac, il continue sa voie, mais nous avons un programme européen et nous parlons d'Europe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moi, personnellement, je n'ai jamais défendu l'idée d'un vote sanction contre &lt;a class="ROUGE" title="actualité sur Nicolas Sarkozy" href="http://lesechospedia.lesechos.fr/nicolas-sarkozy.htm?xtor=SEC-3167" alt="information sur Nicolas Sarkozy"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Nicolas Sarkozy&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;. On peut critiquer notre programme mais la seule chose qui compte, ce sont les attaques ad nominem. Le débat européen n'est pas la guerre de 14-18. Je trouve ça lamentable...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Une des choses que tu dis, c'est nous au moins, nous sommes les seuls à parler d'Europe. Cela veut dire que nous n'avons pas de projet. Jamais je ne dirais ça. D'ailleurs, ils t'adorent. Quand on parle à des ministres, ils disent que Cohn-Bendit est le seul type de bien dans l'opposition, qu'il est formidable et qu'on en n'a pas assez comme lui. Ils ont une passion pour toi absolument extraordinaire.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ne pensez-vous pas tout de même que François Bayrou a contribué à éclipser l'enjeu européen en se centrant sur le vote sanction contre Nicolas Sarkozy ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jean-François Kahn&lt;/strong&gt; : Je considère que ce n'est pas un crime d'être anti-sarkozyste. Il y a une tendance des médias, je le reconnais, à expliquer qu'être anti-sarkozyste est un crime. Nous sommes dans un pays merveilleux. Aux Etats-Unis, Obama vient d'être élu ; les Républicains tapent déjà de façon terrible. En Espagne, la droite fait tous les quinze jours une manifestation de masse contre les socialistes. Nous, on a une opposition molle, molle, molle, qui fait un peu de bruit, pas beaucoup, et c'est déjà trop ! Dites franchement que l'on n'a pas le droit de s'opposer ! Pourquoi les médias refusent absolument de parler de notre campagne européenne, de nos projets européens ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Daniel Cohn-Bendit&lt;/strong&gt; : Jean-François, beaucoup sont tombés dans le piège de l'UMP, de dire : "notre programme européen, c'est la présidence française". C'est d'abord dire n'importe quoi puisque la prochaine présidence française est dans treize ans et ce ne sera plus Sarkozy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Le terme de vote sanction _c'est pour cela que je suis contre_ est désorientant. Voter Le Pen, ce n'est pas voter Jean-François Kahn. Je dois tout de même dire que les paroles les plus dures contre Sarkozy, ce sont les miennes au Parlement européen, pas celles du président démocrate libéral, Graham Watson, qui lui a ciré les pompes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quel jugement portez-vous sur la présidence française de l'UE ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Daniel Cohn-Bendit&lt;/strong&gt; : Elle a été une présidence girouette, qui a dit une chose et son contraire. Au début de la présidence, Sarkozy vient nous expliquer que " l'unanimité, c'est la fin de la démocratie " . C'est vrai. Cinq mois après, il défend avec la même verve un putsch institutionnel sur le " paquet climat " en faisant passer la décision du conseil des ministres européen, où la décision devait être prise à la majorité, au conseil européen, où l'unanimité était requise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;C'est ça le problème de Nicolas Sarkozy : il dit n'importe quoi. Des fois, comme au loto, il lui arrive de gagner ! Sur la Géorgie, il a essayé. En même temps, comme il est brouillon et n'écoute personne, le sixième point de l'accord qu'il a promus a permis aux troupes russes de rester en Ossétie du Sud et en Abkazie. Il a fait une erreur fondamentale dont on ne peut plus sortir. Dans la gestion de la crise, toutes ses contradictions sont apparues. On a vu ses limites de fonctionnement de Sarkozy comme président de l'Union Européenne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jean-François Kahn&lt;/strong&gt; : J'ai une position intermédiaire entre ce que dit Daniel _ " il fait n'importe quoi "_ et la position de Bayrou dans son livre sur le thème " il a une cohérence de fer ". La vérité est entre les deux. Il a une cohérence mais le narcissisme fait qu'il peut en sortir : son ego est plus important que la cohérence. Il a eu un double langage sur la pêche, sur le lait, sur la Turquie...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sur la Géorgie, c'est extraordinaire : il revient de vacances, excellent ; il y va, excellent : fait preuve d'activisme, excellent. Et en même temps, pour son image, il lui faut un traité et il négocie avec les Russes un texte effarent. On n'a jamais autant cédé à un pays. Pourquoi toute la presse mondiale l'a dit et pas les médias français ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Face à la crise, Nicolas Sarkozy n'a-t-il pas fait montre de volontarisme ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Daniel Cohn-Bendit&lt;/strong&gt; : Il y a dans la fonction de la présidence des possibilités de faire. Quand un président veut agir, il est capable d'agir. La présidence tchèque a été catastrophique mais quand il y a eu la crise du gaz, elle a joué son rôle, a fait son travail de médiateur, et ça s'est arrêté en quatre jours.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Si c'avait été Sarkozy, on nous en aurait fait une montagne. Sarkozy a fait, à la Sarkozy. Dans tous les sens. Il va à l'Eurogroupe et dit " il faut mettre de la politique ". A part dire : " Il faut ", qu'a-t-il a proposé concrètement ? C'était abstrait. Il dit qu'il faut réguler ? Abstrait. Le &lt;a class="ROUGE" title="information sur le G20" href="http://lesechospedia.lesechos.fr/g20.htm?xtor=SEC-3167" alt="actualité sur le G20"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;G20&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;c'est a-européen. Quand on a parlé des paradis fiscaux, on a tapé sur la Suisse et du Lichtenstein mais a-t-on parlé de l'Angleterre, de Jersey, de la City, d'où vient une partie des problèmes de la déviation de l'argent ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Il ne faut pas se moquer du monde. Sarkozy avait une idée, qu'ont tous les présidents français : l'Europe fonctionne comme la France. Il a mis sous tutelle la commission, qui doit être contrepoids au conseil, lequel défend les intérêts nationaux _ Jean-Pierre Jouyet l'a dit lui-même : "la Commission n'existait pas, on était sans interlocuteur". Il a créé le rapport de force entre lui et les autres pays, une méthode inefficace puisqu'un seul pays peut bloquer les décisions au conseil européen.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dernier exemple : il dit à Nîmes, il faut ratifier Lisbonne pour donner plus de pouvoir au Parlement européen. J'applaudis. Le lendemain, le Parlement européen vote un amendement contre une loi française, Hadopi, il dit " rien à cirer du parlement européen ", voilà Sarkozy !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jean-François Kahn&lt;/strong&gt; : Nicolas Sarkozy a été énergique, c'est incontestable. Il y a cinq ans, le discours majoritaire était d'opposer la ringardise française à la modernité américaine, d'opposer le modèle social français à l'exemple américain qui marchait bien, taux de croissance à l'appui. Mais on ne s'est jamais demandé à quel prix il marchait bien, et au profit de qui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;C'est la même chose pour l'énergie de Sarkozy. Bravo pour l'énergie, mais il faut tout de même voir pourquoi, en faveur de quoi et qui débouche sur quoi. On ne peut pas tout ramener à l'énergie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incontestablement, il a montré que l'Europe peut parler fort, qu'il n'était pas un crime de bousculer les pays européens qui traînent, il a posé la nécessité d'un pouvoir économique européen au niveau de la zone euro. En même temps, il a eu une façon de tout tirer à lui qui a aggravé nos rapports avec les autres pays européens, qui a relancé l'idée d'une France qui décide seule très négative et que l'on va payer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pour ce qui est du &lt;a class="ROUGE" title="information sur le G20" href="http://lesechospedia.lesechos.fr/g20.htm?xtor=SEC-3167" alt="actualité sur le G20"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;G20&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, il y a l'agitation, il y a la posture, et il y a les résultats. A l'arrivée, certes le G20 a pris des décisions importantes, même si ce ne sont pas celles que Sarkozy avait mis en avant. Le fait que peu à peu on passe de l'espace du G8 au G20 est fondamental. Mais en ce qui concerne la réforme du système financier international, qu'est-ce que le G20 a décidé ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;D'ailleurs, vous remarquerez qu'on n'en parle plus. Même la presse anglo-saxonne a écrit : " c'est formidable, on n'a rien décidé ! " Il y a une liste de paradis fiscaux, mais les vrais paradis fiscaux, ceux dont c'est la nature, comme les îles Caïmans, n'y figurent pas. Les bonus sont légitimés. L'abus des placements à terme, ces dérives qui font qu'on a remplacé la bourse par un système de casinos... Sur tout ça, il n'y a rien.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Daniel Cohn-Bendit&lt;/strong&gt; : Rappelez-vous Sarkozy ministre des Finances. Il a proposé la maison à quinze euros, le système des subprimes, le prêt hypothécaire, en montrant en exemple le système américain. Il était dans la logique américaine parce qu'il ne voulait pas que l'Etat fasse du logement social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;On est un peu loin des élections...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Daniel Cohn-Bendit&lt;/strong&gt; : Non, on est en plein dedans.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jean-François Kahn&lt;/strong&gt; : Il a raison mais je regrette tout de même que Cohn-Bendit fasse de l'anti-sarkozysme primaire.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Daniel Cohn-Bendit&lt;/strong&gt; : Quand il vient au Parlement européen dénoncer l'immoralité du capitalisme, on se dit que ça devrait commencer par : " Où est-ce que nous nous sommes trompés ? ". A cause de ses contradictions, quand il intervient dans la zone euro, les autres ne l'écoutent pas. Comme Oskar Lafontaine en son temps.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jean-François Kahn&lt;/strong&gt; : Sarkozy n'est pas responsable de la crise. C'est la raison pour laquelle je ne ferai pas le récapitulatif de ses promesses et de ce qu'il en est aujourd'hui, sur la croissance, le pouvoir d'achat... Tous les pays européens sont touchés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quand il critique le modèle américain aujourd'hui, je n'insiste pas sur les contradictions mais je l'applaudis, parce qu'il vaut mieux avoir changé. A condition que l'on reconnaisse que l'on s'est trompé que l'on explique pourquoi, et que l'on revienne sur certaines décisions en raison de la crise. Son ego fait que qu'il ne peut pas reconnaître qu'il s'est trompé et qu'il refuse de revenir sur des décisions qui pouvaient se défendre en situation de croissance mais ne peuvent plus aujourd'hui. Ça, c'est catastrophique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://elections-europeennes.lesechos.fr/elections-europeennes-2009/juin2009/300351526-europeennes-le-debat-kahn-cohn-bendit.htm"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;In Les Echos.fr&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-8676815734965023347?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/8676815734965023347/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=8676815734965023347&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/8676815734965023347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/8676815734965023347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2009/05/europeennes-le-debat-kahn-cohn-bendit.html' title='Européennes : le débat Kahn-Cohn-Bendit'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-2354187687106892507</id><published>2009-05-26T01:52:00.000-07:00</published><updated>2009-05-26T01:56:12.019-07:00</updated><title type='text'>Los países de la zona euro generarán un billón de déficit público hasta 2011</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;El FMI prevé que la deuda de los países ricos llegue al 140% del PIB en 2014 - Almunia avisa de las dificultades para financiar tanto endeudamiento &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;California y su gobernador, el ex actor Arnold Schwarzenegger, planean vender la prisión de San Quintín, una cinematográfica mole situada ante la bahía de San Francisco, y otras propiedades como el estadio de los Juegos Olímpicos de Los Ángeles, el mítico Memorial Coliseum. No hay muchas más opciones. Los californianos han rechazado una subida de impuestos y se enfrentan a una emergencia fiscal. Y de la anécdota a la categoría: la situación es alarmante a mayor escala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El intervencionismo de EE UU para combatir la Gran Recesión deja un agujero enorme, con el déficit y la deuda disparados, que ha llevado a los mercados a especular sobre una posible rebaja de la calificación crediticia norteamericana. En el Reino Unido, esa rebaja es algo más que una amenaza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El irresistible aumento del déficit y la deuda es un fenómeno global: en la zona euro, la factura de la crisis también será colosal, aunque inferior a la de los dos países anglosajones y a la de Japón, donde el agujero fiscal será del 8,7% en 2010. El déficit público de la eurozona sobrepasará el billón de euros entre 2009 y 2010, según cálculos elaborados por este periódico partiendo de las previsiones de la Comisión Europea. Este año ascenderá al 5,3% del PIB del área del euro (461.000 millones); el próximo será del 6,5% (565.000 millones), con Irlanda y España a la cabeza. La deuda rozará el 85% del PIB europeo en 2010. Y esto es sólo el principio: el FMI prevé que el endeudamiento público supere el 140% del PIB en las economías avanzadas en sólo cinco años.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;No hay comidas gratis&lt;/em&gt;", reza la sentencia económica por antonomasia. Ese boom de déficit y deuda es imprescindible porque la alternativa era una depresión al estilo de los años treinta, pero a la vez muy peligroso: "&lt;em&gt;Habrá fuertes tensiones dentro de un tiempo por las necesidades de refinanciación de las emisiones actuales con vencimientos muy cortos&lt;/em&gt;", avisó ayer el comisario de asuntos económicos, Joaquín Almunia. Traducción libre: vienen curvas. Los rescates de la banca, el incremento despiadado del desempleo -y de los subsidios- y la inversión en obra pública han impedido que el descalabro fuera aún mayor, pero los Gobiernos no tienen más remedio que pedir prestado el dinero. Y a algunos países no les va a ser fácil colocar tanto papel. Los expertos hablan ya de la deuda como la próxima burbuja, con implicaciones muy serias a medio plazo: más impuestos, tensiones para mantener el Estado del bienestar y fuertes presiones en los mercados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La City de Londres y Wall Street, una fuente imparable de ingresos en los últimos años, provocan ahora grandes costes al Reino Unido y EE UU. El déficit público británico rozará el 14% del PIB en 2010: el panorama es tan desolador que las agencias de calificación han anunciado que estudian una rebaja de la solvencia del Tesoro británico. Esa rebaja ya se ha producido en España, Italia, Irlanda, Grecia y Portugal, una lista negra que no deja de engordar. Los temores han saltado al otro lado del océano, y la posibilidad de que EE UU pierda la máxima nota provocó la semana pasada un terremoto en el mercado de bonos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;Espero subidas de impuestos y un aumento notable de la inflación en apenas un par de años&lt;/em&gt;", asegura desde Harvard Robert Barro, uno de los grandes expertos norteamericanos. Lo primero ya está sucediendo en Reino Unido y EE UU (subidas tributarias para las rentas más altas) e incluso en España (eliminación parcial de la deducción por hipoteca). "&lt;em&gt;En EE UU, la única posibilidad para compensar el dramático aumento del gasto es un impuesto sobre el valor añadido como el europeo. Será interesante políticamente ver cómo sucede eso&lt;/em&gt;", dispara Barro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luis Garicano, de la London School of Economics, afirma que el tamaño que está alcanzando la deuda "&lt;em&gt;va a restringir la tasa de crecimiento de las grandes economías: los impuestos van a subir, y el esfuerzo de los Estados para financiar la deuda va a limitar la capacidad de las empresas para encontrar financiación, lo que reducirá la inversión privada&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El mayor peligro es que los mercados piensen que el déficit es insostenible y eso provoque ataques especulativos sobre los países menos sólidos. "&lt;em&gt;Es de esperar que los países desarrollados eviten esa situación&lt;/em&gt;", apunta Tomás Baliño, ex subdirector del FMI. La receta de libro para sortear ese peligro es incrementar ingresos y reducir gastos, pero éstos son tiempos duros para la ortodoxia: "&lt;em&gt;Quienes puedan recurrirán a la inflación para pasar el coste de la crisis a sus acreedores&lt;/em&gt;", asegura Baliño. En otras palabras: usarán la máquina de imprimir billetes, algo que ya hacen EE UU y el Reino Unido, pese al riesgo de incubar procesos inflacionarios que luego cuesta mucho frenar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En condiciones normales, esos riesgos serían un argumento intachable para criticar el activismo de los Gobiernos y el exceso de deuda. "&lt;em&gt;Pero las circunstancias actuales son cualquier cosa menos normales&lt;/em&gt;", aseguraba recientemente el Nobel Paul Krugman. "&lt;em&gt;Quien piense que la expansión fiscal es mala para las generaciones futuras se equivoca. Los trabajadores de hoy y sus hijos necesitan que se haga todo lo posible para iniciar la recuperación&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.elpais.com/articulo/economia/paises/zona/euro/generaran/billon/deficit/publico/2011/elpepueco/20090526elpepieco_2/Tes"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;El Pais - CLAUDI PÉREZ - Madrid - 26/05/2009&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-2354187687106892507?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/2354187687106892507/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=2354187687106892507&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/2354187687106892507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/2354187687106892507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2009/05/los-paises-de-la-zona-euro-generaran-un.html' title='Los países de la zona euro generarán un billón de déficit público hasta 2011'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-8399698951637493304</id><published>2009-04-25T05:43:00.000-07:00</published><updated>2009-04-25T05:49:46.809-07:00</updated><title type='text'>DISCURSO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA NA CERIMÓNIA EVOCATIVA DO 35º ANIVERSÁRIO DO 25 DE ABRIL - ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA</title><content type='html'>Reunimo-nos de novo para celebrar o aniversário da Revolução de 25 de Abril de 1974, este ano num hemiciclo que foi recentemente objecto de obras de renovação, pelas quais felicito a Assembleia da República. Os Senhores Deputados dispõem agora de melhores condições para poderem exercer condignamente o mandato que o Povo português lhes conferiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta sessão solene tem lugar num momento muito particular da vida nacional. Vivemos tempos difíceis, muito difíceis. A palavra «crise», que até há uns meses estava afastada do discurso político, é agora um dado adquirido e assumido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crise que vivemos não pode ser iludida e, num dia como o de hoje, haverá com certeza muitos portugueses que se interrogam sobre se foi este o País com que sonhámos em Abril de 1974.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo que não nos devemos esquecer do muito que foi conseguido neste caminho de 35 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos em liberdade, estamos integrados numa Europa unida, são inegáveis os progressos registados na educação, na saúde, no bem-estar dos cidadãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, apesar dos esforços para combater a crise, Portugal encontra-se hoje dominado pelas notícias de encerramento de fábricas e de empresas. Centenas de trabalhadores são lançados no desemprego, pessoas que até há pouco tempo viviam com algum desafogo pertencem agora ao grupo dos novos pobres, há famílias que não conseguem suportar os encargos com as prestações das suas casas ou a educação dos seus filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As previsões económicas divulgadas por organizações nacionais e internacionais estão à vista de todos e não é possível negá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São muitos os Portugueses que sentem que viveram na ilusão de que poderiam usufruir padrões de consumo idênticos aos dos países mais ricos da União Europeia, sustentados num continuado endividamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devemos, por isso, compreender que esta crise leve muitos Portugueses a interrogarem-se sobre aquilo que o futuro nos reserva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São interrogações tanto mais pertinentes quanto a crise que vivemos tornou mais nítidas as vulnerabilidades estruturais que o País ainda manifesta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há, assim, a certeza de que este seja um momento meramente transitório de recessão da actividade económica, a que se seguirão melhores dias num prazo mais ou menos próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Senhoras e Senhores Deputados,&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os líderes dos países mais industrializados e das maiores economias emergentes reuniram-se em Londres, no princípio deste mês, para encontrar uma resposta global para a crise. Todos desejamos que as decisões aí tomadas contribuam para a estabilidade financeira internacional e para restaurar o clima de confiança e o crescimento económico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, importa não esquecer que a ausência de valores e princípios éticos nos mercados financeiros constituiu uma das principais causas da crise económica que o mundo atravessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gestores financeiros imprudentes ou incompetentes, e outros pouco escrupulosos ou dominados pela avidez do lucro a curto prazo, abusaram da liberdade do mercado e da confiança dos cidadãos, com gravíssimas consequências para as condições de vida de milhões de pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só poderemos estar seguros de que uma tal situação não se repetirá se a dimensão ética e a responsabilidade social ocuparem um lugar central no desenho das novas regras de controlo e supervisão das instituições e dos mercados financeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria condenável e imoral que os países mais pobres fossem obrigados a suportar os custos de uma crise para a qual em nada contribuíram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é certo que a estabilidade financeira internacional é um bem público global, cuja defesa a todos compete, no caso da presente crise não restam dúvidas sobre quem foram os que se aproveitaram das poupanças alheias e provocaram o colapso do sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Senhoras e Senhores Deputados,&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ano em que se comemora o 35º aniversário do 25 de Abril é também um ano em que os Portugueses irão ser chamados às urnas, em três actos eleitorais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O exercício do sufrágio é, sem dúvida, a melhor homenagem que poderemos prestar à liberdade conquistada há 35 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É essencial que os Portugueses, sobretudo os mais jovens, percebam o quanto custou ganhar o direito que agora têm de escolher os seus representantes, através de eleições livres e transparentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi justamente a pensar nos jovens que, há precisamente um ano, trouxe ao conhecimento dos Senhores Deputados um estudo sobre a juventude e a participação política, elaborado a meu pedido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sequência desse trabalho, promovi um encontro para o qual convidei representantes de muitas organizações de juventude, com quem debati o problema do distanciamento dos jovens em relação à política, e tenho incluído o tema da participação cívica nos Roteiros para a Juventude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurei, pela minha parte, dar um contributo para combater o abstencionismo, nomeadamente entre os mais jovens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste dia, faço um especial apelo aos cidadãos para que participem activamente nas três eleições que irão realizar-se este ano. A abstenção não é solução. Aqueles que se abstêm de votar abdicam do direito de contribuir para a construção de um Portugal melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As campanhas eleitorais devem ser informativas e esclarecedoras. Todos têm um papel muito importante a desempenhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meios de comunicação social devem informar objectiva e imparcialmente os cidadãos sobre os conteúdos das propostas das diversas forças políticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas propostas, por seu turno, devem ser claras, para que, uma vez apresentadas ao eleitorado, este assuma também as suas responsabilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Votar é um dever cívico e um acto de responsabilidade. Quem vota num programa eleitoral, cujas propostas nos mais diversos domínios sejam feitas em termos transparentes, deve saber que está a dar o seu apoio a essas propostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqueles que votarem numa dada força partidária devem ter consciência de que estão a sufragar um programa de acção nas mais variadas áreas, da economia à justiça ou à segurança, passando por outras questões que atravessam e dividem a nossa sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da parte dos agentes políticos, designadamente da parte das forças partidárias, exige-se uma atitude e um comportamento que mobilizem os cidadãos para a necessidade de votar. A ocorrência de níveis muito elevados de abstenção eleitoral será um indício de que a nossa República pode enfrentar um sério problema de legitimação democrática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considero essencial que os próximos actos eleitorais tenham como horizonte Portugal inteiro. As campanhas devem decorrer com serenidade e elevação e os Portugueses esperam que, num tempo de dificuldades, os agentes políticos saibam dar o exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que sejam discutidos os problemas reais das pessoas e do País. Que não se perca tempo com questões artificiais, que haja sobriedade nas despesas, que não se gaste o dinheiro dos contribuintes em acções de propaganda demasiado dispendiosas para o momento que atravessamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma campanha em que os adversários políticos se respeitem, sem linguagem excessiva nem crispações, será um contributo para a dignificação da nossa democracia e abrirá espaço para o aprofundamento do diálogo interpartidário que tão necessário é para a resolução dos problemas nacionais. As forças políticas devem ter presente que sobre elas recai a grande responsabilidade de encontrar soluções de governo, e que essa responsabilidade é particularmente acentuada nos tempos difíceis que o País atravessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Senhor Presidente,Senhoras e Senhores Deputados,&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante que o debate eleitoral se concentre na resolução dos grandes problemas que o País enfrenta, com os olhos postos no futuro, sem perder tempo nem energias em recriminações sobre o passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Políticas que foram adoptadas anteriormente podem ter sido correctas na conjuntura em que então se vivia, mas não o serem nos dias de hoje, do mesmo modo que, actualmente, haverá porventura que tomar medidas que não seriam adequadas no passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basta ter presente que a política económica adequada para um país depende de múltiplos factores que variam no tempo, como sejam as prioridades definidas face ao diagnóstico da situação, os instrumentos disponíveis e a sua eficiência, as restrições que os decisores enfrentam, a incerteza quanto ao futuro, a envolvente externa, o grau de integração com outras economias.&lt;br /&gt;Por outro lado, nas propostas que os diversos partidos irão apresentar ao eleitorado, deve existir realismo e autenticidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo que se promete deverá ter em conta a realidade que vivemos no presente e em que iremos viver no futuro. Dizer que essa realidade será fácil será faltar à verdade aos Portugueses. Quem prometer aquilo que objectivamente não poderá cumprir estará a iludir os cidadãos.&lt;br /&gt;É natural que os partidos apresentem ao eleitorado as suas propostas e as suas soluções para os problemas do País.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas este não é, seguramente, o tempo das propostas ilusórias. Este não é o tempo de promessas fáceis, que depois se deixarão por cumprir. A crise cria a obrigação acrescida de prometer apenas aquilo que se pode fazer, com os recursos que temos e no País que somos e iremos ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deveremos, sobretudo nesta fase, alimentar um discurso de crítica sistemática à classe política, nem ceder aos populismos fáceis de contestação do sistema sem apresentação de alternativas consistentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem critica, deve participar. É cómodo ficar de fora e culpabilizar os agentes políticos ou os agentes económicos. Difícil é fazer um esforço de empenhamento activo na vida cívica, contribuindo para o esclarecimento e para o debate e procurando avaliar com discernimento as diferentes propostas de governação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os governos são avaliados pelos cidadãos, pelas suas atitudes, por aquilo que fizeram ou deixaram de fazer. É essa a lógica natural da democracia. É isso que distingue o regime em que vivemos daquele que caiu em 1974.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para tanto, é essencial que as campanhas esclareçam os eleitores, em lugar de se converterem em momentos de mera confrontação verbal em torno de questões acessórias que pouco ou nada dizem àqueles que procuram assegurar os seus empregos, que pretendem viver em segurança, que querem ter acesso mais rápido aos cuidados de saúde, que desejam uma justiça mais rápida e eficaz, que querem que os seus filhos tenham uma educação de qualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São estes os reais problemas dos cidadãos. É para a resolução desses problemas que têm de ser convocadas as escolhas dos eleitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O emprego, a segurança, a justiça, a saúde, a educação, a protecção social, o combate à corrupção são questões básicas que devem marcar a agenda política e em torno das quais deve ser possível estabelecer consensos entre os partidos estruturantes da nossa democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Portugueses estão cansados de querelas político-partidárias que em nada resolvem as dificuldades que têm de enfrentar no seu dia-a-dia. Impõe-se, sobretudo nesta etapa da vida nacional, uma concentração de esforços na resolução dos problemas reais das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é um ano de grandes opções. Há 35 anos, vivíamos também tempos de crise e soubemos fazer a opção certa. Por isso nos reunimos aqui, hoje, neste hemiciclo renovado, para celebrar a opção que fizemos pela democracia e pela liberdade. São esses os valores que me levam a acreditar que os Portugueses não se acomodam, não se abstêm, não se conformam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pior forma de lidar com o presente seria perder a esperança no futuro. Eu não perdi a esperança no futuro. Acredito que, se todos nos mobilizarmos, se forem tomadas as decisões certas, a crise será vencida. Então, seremos dignos daqueles que, há mais de três décadas, tiveram a coragem de se levantar porque acreditaram num País novo e num futuro melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1212333"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;JN&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-8399698951637493304?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/8399698951637493304/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=8399698951637493304&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/8399698951637493304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/8399698951637493304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2009/04/discurso-do-presidente-da-republica-na.html' title='DISCURSO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA NA CERIMÓNIA EVOCATIVA DO 35º ANIVERSÁRIO DO 25 DE ABRIL - ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-3050657192992399369</id><published>2009-04-24T03:01:00.000-07:00</published><updated>2009-04-24T03:05:23.432-07:00</updated><title type='text'>Rice, Cheney e Rumsfeld, deram 'sim' à tortura</title><content type='html'>Relatório do Senado revela que a Administração Bush estava de acordo sobre os métodos da CIA. Republicanos acusam Obama de perseguição. Juristas avisam que será difícil condenar quem deu as ordens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Condoleezza Rice foi a primeira alta responsável da Administração Bush a dar luz verde à tortura de suspeitos terroristas detidos pela CIA. No dia 17 de Julho de 2002, a então conselheira para a Segurança Nacional aprovou o recurso à simulação de afogamento sobre Abu Zubaydah, um dos chefes da Al-Qaeda detidos pela secreta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revelação foi feita quarta-feira num relatório do Senado americano sobre os métodos de interrogatório da CIA e prova como Rice teve um envolvimento maior na questão do que admitira no passado. E não era a única implicada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ano depois do 11 de Setembro de 2001, as figuras de topo da Administração americana concordavam com a necessidade de recorrer à tortura para conseguir informações sobre a Al-Qaeda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Donald Rumsfeld, o secretário da Defesa, perguntava, numa nota anexada a um dos relatórios, porque é que os suspeitos só eram obrigados a ficar de pé quatro horas se ele estava levantado dez horas por dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oficialmente, a equipa de Bush aprovou esses métodos na Primavera de 2003 - estava em curso a ofensiva no Iraque - após um pedido de esclarecimento da CIA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa reunião em que estavam Rice, Rumsfeld, o vice-presidente, Dick Cheney, o director da CIA, George Tenet, e o procurador-geral, John Ashcroft, foi acordado "&lt;em&gt;que o programa era legal e reflectia a política da Administração&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir dali, os métodos de tortura terão sido passados aos militares. Esta hipótese deita por terra a teoria das "&lt;em&gt;maçãs podres&lt;/em&gt;" avançada pelo Pentágono para explicar os maus tratos nas prisões americanas no estrangeiro, particularmente em Abu Ghraib. Aquela prisão, no Iraque, ficou famosa pelas fotografias de guardas a torturarem e humilharem detidos. O exército julgou e condenou os militares implicados. Mas estes mantiveram sempre o argumento de que estavam a cumprir "&lt;em&gt;ordens de cima&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os métodos de tortura da CIA há muito que eram denunciados por organizações internacionais. Mas os pormenores só foram conhecidos na semana passada após a libertação de quatro relatórios confidenciais, por ordem do Presidente Barack Obama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obama queria demarcar-se da Guerra ao Terror. Mas acabou por abrir um conflito com os republicanos especialmente depois de admitir levar à justiça aqueles que autorizaram a tortura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Karl Rove, conselheiro de Bush, Obama arrisca-se a fazer os EUA "&lt;em&gt;parecer um país do terceiro mundo em que a recém-chegada junta de coronéis leva a julgamento quem a antecedeu&lt;/em&gt;". A questão - se se devem levar os responsáveis à justiça - está a alimentar o debate nos EUA. Juristas americanos avisam, porém, que são muitos os obstáculos legais a uma condenação. "&lt;em&gt;Os que querem ver cabeças rolar vão ficar desapontados&lt;/em&gt;", disse Daniel C. Richman da Universidade de Columbia ao New York Times&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o Eric Prosner, da Universidade de Chicago, os acusados poderão facilmente "&lt;em&gt;convencer o juiz que acreditavam que estavam a agir dentro da lei&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1211019&amp;amp;seccao=EUA%20e%20Am%E9ricas"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;In DN&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-3050657192992399369?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/3050657192992399369/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=3050657192992399369&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/3050657192992399369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/3050657192992399369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2009/04/rice-cheney-e-rumsfeld-deram-sim.html' title='Rice, Cheney e Rumsfeld, deram &apos;sim&apos; à tortura'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-6002416711135762791</id><published>2009-04-05T11:15:00.000-07:00</published><updated>2009-04-05T11:19:47.615-07:00</updated><title type='text'>Cuba ve con inquietud un acercamiento demasiado rápido a EE UU</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Armando Hart, dirigente histórico de la revolución: ''Si Obama cumple su promesa [de aliviar el embargo], nacerá una nueva etapa en el combate ideológico entre la revolución cubana y el imperialismo"&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Las autoridades de La Habana ven con inquietud la posibilidad de que EE UU levante "&lt;em&gt;demasiado pronto&lt;/em&gt;" la prohibición que impide a los ciudadanos norteamericanos visitar Cuba. Al tiempo que se desea y se aprecia como una tabla de salvación en estos momentos de crisis, el fin de la veda al turismo estadounidense es percibido como un reto, con un elevado potencial desestabilizador en el terreno político e ideológico, según observadores y diplomáticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El acercamiento entre Washington y La Habana ha sido más que prudente en los primeros meses del gobierno Obama. Fuentes europeas aseguran que ambos países desean que así sea, pues nadie quiere que el fenómeno tome un rumbo descontrolado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obama ha firmado ya la ley de presupuestos, con una enmienda que permite que los cubanoamericanos realicen visitas familiares una vez al año (hasta ahora, por disposición de Bush, solo podían viajar a la isla una vez cada tres años).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sin embargo, se especula con la posibilidad de que antes de la Cumbre de las Américas, que se realizará en Trinidad y Tobago entre el 17 y el 19 de abril, el presidente de Estados Unidos se descuelgue con un gesto unilateral hacia Cuba y elimine totalmente las restricciones a los viajes de cubanoamericanos y a las remesas que pueden enviar a la isla.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta medida, que sería sobre todo un "&lt;em&gt;gesto&lt;/em&gt;" de Washington hacia América Latina, opuesta radicalmente al embargo norteamericano, afectaría a un millón y medio de cubanoamericanos. "&lt;em&gt;Ya eso es un reto de consideración&lt;/em&gt;", asegura un sociólogo cubano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En estos momentos, además, están en circulación en el Congreso y el Senado dos proyectos de ley para poner fin a las medidas (de 1963) que impiden que turistas de EE UU visiten Cuba. El proyecto en el Senado tiene el nombre de Ley para la Libertad de Viajar a Cuba y es respaldado por la Cámara de Comercio de Estados Unidos, la Federación Agrícola de ese mismo país y ONG como Human Rights Watch.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El objetivo es que todos los estadounidenses puedan viajar libremente a Cuba, por el tiempo que quieran y las veces que quieran. Los defensores del proyecto consideran que la liberalización total de los viajes a la isla tendería un puente entre los dos países y serviría para alentar los cambios en la isla. "&lt;em&gt;Creemos que entablar una relación a través del comercio y los viajes es la mejor manera de promocionar la democracia&lt;/em&gt;", dijo el senador demócrata Byron Dorgan, uno de sus promotores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Es precisamente aquí donde está el problema. Mucho antes de que ganara Obama, el dirigente histórico de la revolución Armando Hart dijo claramente: &lt;em&gt;''Si cumple su promesa [de aliviar el embargo], nacerá una nueva etapa en el combate ideológico entre la revolución cubana y el imperialismo. En ella (...) será necesario el diseño de una nueva concepción teórica y propagandística acerca de nuestras ideas y su origen&lt;/em&gt;''. Y añadió: &lt;em&gt;''Una amplia migración con distintos objetivos puede venírsenos encima y para ello debemos prepararnos culturalmente&lt;/em&gt;''.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En realidad, el reto es doble. El turismo, con ingresos brutos de unos 2.000 millones de dólares y 2.350.000 visitantes anuales, es el segundo aportador de divisas al país, después de los servicios médicos y educacionales a Venezuela y otros países, calculados en 6.000 millones.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El turismo supone más ingresos que las exportaciones de azúcar, níquel y tabaco juntas y Cuba necesita ese dinero. Diversos estudios calculan que el primer año del levantamiento de la prohibición podría viajar a Cuba un millón de turistas norteamericanos, y hasta tres millones anuales en los años siguientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En Cuba existen en la actualidad 46.500 habitaciones, 24.000 de ellas gestionadas por 13 cadenas hoteleras extranjeras. El promedio de ocupación anual es del 60 %. Las inversiones para aumentar la planta hotelera no se han detenido pese a la crisis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Las autoridades hasta ahora han sido sumamente prudentes. No se quiere decir que hay inquietud, tampoco demostrar demasiadas expectativas. La semana pasada, la viceministra de Turismo, María Elena Pérez, resto importancia a la posible avalancha de turistas estadounidenses que podría venirse encima. "&lt;em&gt;Para nosotros ese país como todos está en el mundo, y para todos nos preparamos&lt;/em&gt;". Y agregó: "&lt;em&gt;Todavía Barack Obama no ha levantado el bloqueo&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aunque nadie quiere hablar de política, los tiros van por donde dijo el histórico Hart: Cuba tiene "&lt;em&gt;el reto inmenso de cómo enfrentar un tiempo nuevo en la lucha cultural contra el enemigo&lt;/em&gt;". En estos momentos visitan la isla siete congresistas demócratas de EEUU opuestos al embargo. Visitarán la playa de Varadero. Ya han dicho que la mejor forma de contribuir a la democratización en Cuba es incrementar los contactos. Que viajen los turistas... Contaminar, piensan tanto en EEUU como en Cuba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.elpais.com/articulo/internacional/Cuba/ve/inquietud/acercamiento/demasiado/rapido/EE/UU/elpepuint/20090405elpepuint_13/Tes"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;El Pais - MAURICIO VICENT - La Habana - 05/04/2009&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-6002416711135762791?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/6002416711135762791/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=6002416711135762791&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/6002416711135762791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/6002416711135762791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2009/04/cuba-ve-con-inquietud-un-acercamiento.html' title='Cuba ve con inquietud un acercamiento demasiado rápido a EE UU'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-1323677192976514786</id><published>2009-03-30T06:57:00.000-07:00</published><updated>2009-03-30T07:00:03.710-07:00</updated><title type='text'>Fascistas de vanguardia</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://www.elpais.com/articulo/cultura/Fascistas/vanguardia/elpepucul/20090330elpepicul_2/Tes"&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;El debate sobre la ideología totalitaria de escritores revolucionarios se reabre con dos libros sobre Céline y Drieu La Rochelle&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que la vanguardia artística va de la mano del progreso político es un mito que no hace tanto que saltó por los aires. Aunque los historiadores siguen recogiendo los pedazos, durante años se buscó explicación a las excepciones que no confirmaban la socorrida regla. En el terreno de la literatura, y certificadas las conexiones entre fascismo y futurismo -su manifiesto cumple un siglo-, el emblema de la conexión puntual entre ideología reaccionaria y revolución artística se llama Louis-Ferdinand Céline (1894-1961). A su lado, Drieu La Rochelle (1893- 1945). Sobre ambos aparecen esta semana dos títulos clave: Céline secreto (Veintisiete Letras) y Pierre Drieu La Rochelle. El aciago seductor (Melusina).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Céline secreto es fruto de las notas, traducidas por José María Solé, de las conversaciones de Véronique Robert con Lucette Destouches, la última esposa del autor de Viaje al fin de la noche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que una de las novelas más revolucionarias del siglo XX saliera de la mente de un francés antisemita visceral sigue generando ríos de tinta. Precisamente, Destouches trata de matizar esa visceralidad con buenas intenciones: "&lt;em&gt;Cuando supo lo que realmente había pasado en los campos de concentración, se quedó horrorizado, pero nunca fue capaz de decir 'Lo lamento'. (...) Siempre aseguró que había escrito sus panfletos de 1938 y 1939 con finalidad pacifista. En su opinión, los judíos incitaban a la guerra y él quería evitarla&lt;/em&gt;". Por si acaso, ella prohibió la reedición de piezas como Bagatellas para una masacre y La escuela de cadáveres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En el fondo, Céline secreto vale menos como argumento defensivo que como testimonio de la ocupación alemana -"&lt;em&gt;por un poco de pan se podía comprar a cualquiera&lt;/em&gt;"-, como retrato íntimo de un hombre contradictorio y memoria de una mujer hecha a sí misma. "&lt;em&gt;De lo que siempre me he arrepentido&lt;/em&gt;", dice, "es de no haber estudiado. Nunca nadie me llevó a un museo". Le gustaban Fra Angélico y la poesía del amor cortés: "A Louis se lo ocultaba. Temía parecerle cursi".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Si Céline se libró del paredón porque llegó vivo a la amnistía de 1951, Pierre Drieu La Rochelle lo hizo porque se quitó la vida en 1945. Su suerte estaba echada desde que dejaran París los alemanes, entre los que él funcionaba como un elegido. Decadente, dandi, vanguardista y héroe de la guerra del 14, era a la vez íntimo de André Malraux, su albacea literario, y de Otto Abetz, el embajador alemán. Como dice el historiador Enrique López Viejo, autor de Pierre Drieu La Rochelle. El aciago seductor, fue "&lt;em&gt;un hombre complejo que pareció equivocarse en todo&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre sus equivocaciones se cuentan sus peticiones de ejecución sumarísima para los miembros de la Resistencia, su participación en congresos nazis y sus artículos en Je suis partout, el periódico que delataba a los "&lt;em&gt;subversivos&lt;/em&gt;". Al mismo tiempo, Drieu dirigía la Nouvelle Revue Française y usaba sus influencias para salvar a sus amigos judíos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;López Viejo explica que Drieu experimentó su caída del caballo en 1934. Europeísta en los años veinte y compañero de viaje de los comunistas, ese año visita Núremberg y queda "&lt;em&gt;encandilado por la parafernalia nazi. Cambió a Stalin por Hitler&lt;/em&gt;". Para su biógrafo, sigue siendo un caso por resolver: "No alcanza la altura de Céline, pero no se le puede despachar con un 'era un facha".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y recuerda la contradicción señalada por Jean-François Revel: "&lt;em&gt;Si el fascismo y el comunismo sólo hubiesen seducido a los imbéciles, habría resultado más fácil librarse de ellos&lt;/em&gt;".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-1323677192976514786?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/1323677192976514786/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=1323677192976514786&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/1323677192976514786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/1323677192976514786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2009/03/fascistas-de-vanguardia.html' title='Fascistas de vanguardia'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-4557916254226724356</id><published>2009-03-24T02:54:00.000-07:00</published><updated>2009-03-24T02:59:18.035-07:00</updated><title type='text'>Lettre ouverte à mes amis de la classe dirigeante - Alan Minc</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://www.lefigaro.fr/debats/2009/03/23/01005-20090323ARTFIG00239-lettre-ouverte-a-mes-amis-de-la-classe-dirigeante-.php"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;TRIBUNE&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; - Après le tollé provoqué par l'affaire des stock-options de la Société générale, l'essayiste Alain Minc (*) fustige le comportement du patronat français en cette période de crise, lui reprochant son «autisme» et son «inconscience».&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nul ne peut me soupçonner d'être votre ennemi : c'est plutôt le reproche inverse que je subis à longueur de colonnes dans les journaux. Mais je suis aujourd'hui inquiet pour vous car je ne comprends ni vos réactions, ni vos raisonnements, ni - pardonnez-moi le mot - votre autisme. La France n'est pas l'Allemagne : elle a toujours eu des difficultés à établir sur des bases claires un contrat social entre patrons, salariés et pouvoirs publics. De là le poids des symboles. Les syndicats essaient de canaliser tant bien que mal le mécontentement et donc de préserver l'ordre social. Les pouvoirs publics s'efforcent de tenir l'équilibre entre les dépenses nécessaires pour aider les plus malheureux et l'obligation de ne pas déstabiliser, au-delà du raisonnable, les règles de bonne gestion. Les petits patrons se battent pour leur carnet de commandes, courent derrière leurs lignes de trésorerie et sont en fait, face à la crise, du même côté que leurs salariés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Et pendant ce temps, vous qui avez les yeux fixés au-delà du Rhin pour y chercher l'exemple de la modération salariale, vous n'avez pas remarqué le code de conduite en temps de crise signé par le patronat et le gouvernement de Berlin !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Au lieu de s'engager dans cette voie, quelle image avez-vous donnée la semaine dernière ? Vous empochez la décision du gouvernement de ne pas toucher au bouclier fiscal dont vous êtes parmi d'autres les bénéficiaires mais vous ne comprenez pas l'obligation, en contrepartie, de modérer la distribution des revenus primaires pour les dirigeants les plus favorisés. Brice Hortefeux et Christine Lagarde adressent au Medef une lettre nuancée demandant, de la part des dirigeants qui recourent à un chômage partiel important ou à des licenciements massifs non de baisser leurs rémunérations, mais de renoncer à leur part variable.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que leur répond la présidente du Medef ? Qu'elle n'a ni le pouvoir - c'est exact - ni le désir - c'est une provocation - de le faire. Passons sur les stock-options distribuées au plus bas des cours de Bourse par une banque qui doit, comme toutes ses collègues, sa survie à l'intervention publique. Que penser de la manière dont la première entreprise française perçoit ses relations avec la société environnante, au-delà de ses maladresses de communication, en se contentant, comme seul geste de bonne volonté, de verser une prime à la cuve dont on oublie qu'elle est une simple avance sur l'impôt sur les sociétés et dont l'effort contributif se limite au coût correspondant de la trésorerie, qui plus est, avant impôts ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesurez-vous que le pays a les nerfs à fleur de peau, que les citoyens ont le sentiment, fût-il erroné, de subir une crise dont nous sommes tous à leurs yeux les fautifs ? Comprenez-vous qu'aux aguets de l'opinion, comme l'exige leur métier, les parlementaires n'ont qu'une envie : prendre des dispositions sur les rémunérations qui seraient à terme aussi destructrices pour l'efficacité économique que la loi de 1947 sur les loyers a pu l'être, pendant des décennies, sur l'immobilier ? Ignorez-vous que la quête de boucs émissaires est une constante de notre histoire et que 1789 se joue en 1788 ? Sentez-vous le grondement populiste, la rancœur des aigris mais aussi le sentiment d'iniquité qui parcourt, comme une lame de fond, le pays ? Acceptez-vous de méditer ce mot de la comtesse de Boigne, une habituée des révolutions : «Les peuples ont l'instinct de leur approche ; ils éprouvent un malaise général. Mais les personnes haut placées n'aperçoivent le danger que lorsqu'il est devenu irrésistible» ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Un léger «retard à l'allumage» est pardonnable ; un excès d'inconscience, non, surtout quand il s'assimile à une pulsion suicidaire.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amis, de grâce, reprenez vos esprits !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(*) dernier livre paru : «Dix jours qui ébranleront le monde», Grasset, 134 pages, 9 €.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.lefigaro.fr/societes/2009/03/22/04015-20090322ARTFIG00103-les-dirigeants-de-la-socgen-renoncent-aux-stock-options-.php" target=""&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;» Les dirigeants de la SocGen renoncent à leurs stock-options&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-4557916254226724356?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/4557916254226724356/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=4557916254226724356&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/4557916254226724356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/4557916254226724356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2009/03/lettre-ouverte-mes-amis-alan-minc.html' title='Lettre ouverte à mes amis de la classe dirigeante - Alan Minc'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-4731056573218176997</id><published>2009-03-04T05:11:00.000-08:00</published><updated>2009-03-04T05:19:56.708-08:00</updated><title type='text'>Entrevista com Jean Daniel</title><content type='html'>&lt;a href="http://jornalismouniversitario.wordpress.com/2009/03/02/noticia-urgente/"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;Diretor da “Nouvel Observateur”, umas das mais prestigiosas revistas da Europa, Jean Daniel fala da amizade com Albert Camus e diz que a crise levou o jornalismo a perder seus paradigmas&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A capacidade que o jornalista tem de fazer o mal é devastadora&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JUAN CRUZ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sala de trabalho de Jean Daniel é repleta de fotos, e entre todas se destacam as que guarda de seu mestre, Albert Camus, que não apenas é seu conterrâneo como também uma fonte constante de inspiração.Daniel dedicou um livro a ele, que está saindo agora em espanhol: “&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Camus na Contracorrente&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;”, uma homenagem ao jornalista e intelectual que foi Nobel de Literatura e, ao mesmo tempo, um livro de estilo para o exercício do jornalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No livro há uma imagem -da qual não há fotos- em que se vê Camus entrando numa boate com seus colegas do jornal “&lt;em&gt;Combat&lt;/em&gt;”, que fazia a resistência à ocupação nazista de Paris. Eles tinham feito uma boa edição nesse dia, e Camus estava exultante. Ao entrar no bar, exclamou: “&lt;em&gt;Vale a pena lutar por uma profissão como esta!&lt;/em&gt;”.Jean Daniel tem uma trajetória longa como jornalista, talvez o mais influente da França em alguns momentos, sobretudo como diretor e cabeça pensante da “&lt;em&gt;Le Nouvel Observateur&lt;/em&gt;”, uma revista elitista que ele decidiu converter em periódico de grande tiragem sem reduzir sua ambição cultural. Aos 88 anos, conserva todas as suas faculdades alertas, escreve seus artigos, viaja, apresenta livros e vive em contato permanente com a revista. E com a realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atrás de sua cadeira está a primeira página do “New York Times” do último 5 de novembro; o diário o cita em sua primeira página como respeitado esquerdista europeu que escreveu sobre “&lt;em&gt;o épico glorioso de Barack Obama&lt;/em&gt;”, e Daniel está feliz com esse recorte, que sublinhou. E sobre aquela frase de Camus? Vale a pena lutar por este ofício?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Como deve ser a relação do jornalista com o poder?&lt;br /&gt;JEAN DANIEL - Os jornalistas estão entre o poder e a história. E hão de saber como funciona o poder, com a condição de que o fascínio não caia na indulgência e na corrupção. Respeitadas essas condições, é muito interessante ver como funciona um homem que detém todos os poderes. Nesse momento é preciso desconfiar de tudo, até do mínimo detalhe. É difícil julgar com rigor e objetividade pessoas que estão à sua frente. Já me ofereceram de tudo: uma casa no México, por exemplo. Na Tunísia, também quiseram ser muito amáveis comigo. Mas a relação do poder com a imprensa é um problema nos dois sentidos. Já conheci épocas em que havia corrupção entre os jornalistas, mas conheci períodos em que os jornalistas eram acossados. Um homem com poder é um homem que esconde alguma coisa, e é preciso descobrir o que é. É um equívoco pensar que sempre há um crime. Existem os dois excessos, e hoje existe o excesso de transparência: não se sabe que crime existe, mas é preciso descobri-lo. É verdade que um ditador esconde tudo, e nosso papel é descobrir o que ele esconde. Mas já se passou dos limites: quando levada ao extremo -ou por virtude ou por vício-, a transparência chega à violação da vida privada. E há uma intromissão nova, a da fotografia na vida íntima. Quando se ultrapassam os limites, chega-se a aberrações. Veja o que aconteceu agora com Milan Kundera, o grande romancista tcheco, acusado de ter denunciado um companheiro. Ele tinha 21 anos na época; agora tem 79. Não havia provas. Os jornalistas foram a Praga e não encontraram provas. Mas saiu uma manchete junto a uma grande foto de Kundera: Kundera “&lt;em&gt;teria sido&lt;/em&gt;”… E, com esse verbo no futuro do pretérito, mais a enorme foto e a manchete, Kundera passa a “&lt;em&gt;ser&lt;/em&gt;”. O texto em si era honesto, mas o leitor se atém apenas à imagem e à força da condicional. Jornalismo é escrita, é texto. Mas naquela informação havia apenas a força da imagem, a força do título e a força do tempo verbal. Talvez o jornalista fosse honesto, mas veja só o resultado…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - É o princípio da calúnia…&lt;br /&gt;DANIEL - Sem dúvida, só que hoje a calúnia se apoia nas novas tecnologias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Na difusão de rumores…&lt;br /&gt;DANIEL - Não é exatamente isso. Alguns anos atrás, sim, se produzia a divulgação de rumores, um termo que começou com Beaumarchais [1732-99, autor da peça "&lt;em&gt;O Barbeiro de Sevilha&lt;/em&gt;"]. Mas hoje a novidade está na apresentação das notícias. Você liga a televisão e vê um rosto. O que essa pessoa fez? E depois de ver o rosto, alguém diz: &lt;em&gt;“Fulano foi acusado de…”.&lt;/em&gt; Sem provas. Não é apenas a difusão do rumor, é a força que se confere à apresentação do rumor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - A internet é um instrumento que difunde rapidamente tudo o que toca.&lt;br /&gt;DANIEL - Sim, possibilita a multiplicação do rumor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Qual é sua posição sobre o futuro da imprensa a partir do surgimento desse instrumento poderoso?&lt;br /&gt;DANIEL - Se eu soubesse! Saber isso seria muito importante para muitas pessoas, inclusive os editores de revistas e jornais. É verdade que existe uma crise da imprensa; é possível que os jornais de hoje se tornem complementos da internet. A realidade será a internet. Essa é uma possibilidade. Já com o livro não vai acontecer o mesmo. Já ficou comprovado que as pessoas querem segurar um objeto como esse nas mãos. Existe algo de mágico no livro -a forma, as páginas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Em que a internet contribui para o jornalismo?&lt;br /&gt;DANIEL - Para os jornalistas, a internet traz o gosto pela velocidade. A possibilidade de qualquer pessoa responder a qualquer pessoa. Ou o fato de que todo mundo possa ser jornalista e, nesse caso, que os próprios jornalistas deixem de acreditar neles mesmos, porque são questionados a todo momento. Está se produzindo um descrédito na função do jornalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Que se preparou para ser jornalista.&lt;br /&gt;DANIEL - Todo esse itinerário de preparação, que terminava num estatuto de prestígio e autoridade do jornalista, está sendo destruído pela aparição repentina de alguém que encontra uma foto e a coloca na internet. E essa foto pode destruir alguém. Há vantagens, não para o jornalista, mas há vantagens. É o sonho da opinião pública, pois se abre uma possibilidade infinita de se expressar. Mas o que eu dizia com relação ao perigo que existe nessa situação é algo que me preocupa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Camus dizia que o jornalismo é a informação crítica. Talvez a velocidade possa mudar essa definição de jornalismo.&lt;br /&gt;DANIEL - Não é forçosamente mau reagir diante das opiniões. Além disso, essa velocidade proporciona uma visão imediata do sentir popular. Nem tudo é negativo. Pode-se saber instantaneamente se o que escrevemos desperta interesse. Mas a verdade é que todo mundo está com medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Em seu livro sobre Camus, leem-se quatro diretrizes que resumem as obrigações de um jornalista: “&lt;em&gt;Reconhecer o totalitarismo e denunciá-lo. Não mentir e saber admitir o que se ignora. Negar-se a dominar. Negar-se sempre, sob qualquer pretexto, a praticar qualquer tipo de despotismo, incluindo o provisório&lt;/em&gt;”. Quais são, para o sr., as obrigações de um jornalista hoje?&lt;br /&gt;DANIEL - A lista de Camus ainda é válida. O que é preciso acrescentar a ela? Provavelmente a capacidade de conhecer as novas armadilhas da tecnologia. Quando Camus enumerou essas obrigações, ainda não existia a televisão. E o reinado da imagem mudou tudo, incluindo a forma de escrever. Imagine um romancista que escrevesse um romance e em cada parágrafo alguém lhe dissesse que seu nível de audiência estava caindo ou subindo. Escrever em razão da reação imediata do leitor! A grande inovação que intensificou os temores enunciados por Camus é a simultaneidade, a onipresença, o fato de que, quando alguém fala, faltam segundos para que a Terra toda saiba o que diz. Isso é algo extraordinário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - O sr. diz que a ameaça à vida privada é o pior defeito do jornalismo atual.&lt;br /&gt;DANIEL - Há muita gente que pensa que a transparência é algo muito importante e que, se a vida pública se misturou à vida privada, o leitor tem o direito de conhecê-la. Há pessoas de alto nível que pensam que, se [o premiê italiano, Silvio] Berlusconi mistura sua vida pública com seus interesses privados, temos o direito de conhecer detalhes desses fatos. Há pessoas que não são desonestas, mas que pensam dessa forma. E isso nos pode levar muito longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Por isso o sr. diz que um jornalista tem um poder injusto.&lt;br /&gt;DANIEL - Naturalmente, muito frequentemente é assim. A capacidade de fazer o mal que tem o jornalista é devastadora. Em um dia ou em uma hora se pode desmontar uma reputação. É um poder terrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - E como se pode limitar esse poder sem chegar à censura?&lt;br /&gt;DANIEL - É uma apreciação difícil, que depende, em primeiro lugar, do diretor de Redação, do redator-chefe, do chefe de departamento, da forma como se concebe o periódico. Isso acontece dentro de quatro paredes; não existe uma lei para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Como Camus, o sr. adverte contra os furos de reportagem: é melhor averiguar do que publicar uma notícia que não é certa. Não é preciso ser o primeiro.&lt;br /&gt;DANIEL - É melhor ser o segundo, mas verídico, do que o primeiro, mas equivocado. Todo mundo quer ser o primeiro. Na época de Camus, havia um grande assunto, a violência, e ele queria aprofundar-se mais nisso; a questão dos furos ficava em segundo lugar. Conversamos muitas vezes sobre isso: quando acabará o mal, como se reage a uma agressão. Chega-se a imitar o inimigo? Que futuro terá nossa causa se empregarmos as mesmas armas que nossos inimigos? E o jornalista? É honesto quando utiliza meios que considera inaceitáveis quando usados por outros? Hoje temos perguntas semelhantes. O que fazemos com o Irã? Temos que fazer como o Irã para combater o Irã? A pergunta é se estamos condenados ou não, hoje, a imitar os meios empregados pelos inimigos. Camus me interessou e continua a me interessar porque sua grande preocupação tem a ver com o modo como o jornalismo precisa enfrentar o grande tema de nossos tempos: a violência. Cada texto fundamental sobre o jornalismo deveria vir acompanhado de uma filosofia da violência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - O sr. diz que o jornalismo consiste em viver a história enquanto ela se faz. Como vê a história se fazendo hoje?&lt;br /&gt;DANIEL - Perdemos os instrumentos da previsão; essa é a maior novidade. Não existe ciência econômica, não há conhecimento analítico financeiro -todos erraram. Há dez anos todos vêm errando. Perdemos os instrumentos de previsão e nos faltam paradigmas. Lévi-Strauss me disse isso e eu o escrevi: a ciência é importante, todo mundo se alegra com isso, mas nada é verdadeiro porque o mundo se tornou imprevisível. É o que ele dizia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Inclusive com relação a Obama?&lt;br /&gt;DANIEL - Sobretudo com relação a Obama. Quem havia previsto Obama?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A íntegra desta entrevista saiu no “&lt;em&gt;El País&lt;/em&gt;”. Tradução de Clara Allain.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[&lt;a href="http://catatau.blogsome.com/2009/03/03/entrevista-com-jean-daniel/"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;A partir do catatau.]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-4731056573218176997?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/4731056573218176997/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=4731056573218176997&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/4731056573218176997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/4731056573218176997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2009/03/entrevista-com-jean-daniel.html' title='Entrevista com Jean Daniel'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-2316671586331372069</id><published>2009-03-02T09:26:00.000-08:00</published><updated>2009-03-02T09:30:46.824-08:00</updated><title type='text'>L'Europe centrale, sinistrée, veut adopter l'euro plus rapidement</title><content type='html'>Les déclarations se multiplient à l'Est, pour demander à l'Union européenne (UE) de "simplifier les procédures d'adhésion à la zone euro", selon les termes du premier ministre polonais, &lt;a href="http://www.lemonde.fr/sujet/4016/donald-tusk.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;Donald Tusk&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, quelques jours avant le sommet des Vingt-Sept, à Bruxelles dimanche 1er mars.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sur les dix pays de la région ayant rejoint l'UE depuis 2004, huit ont toujours leur propre monnaie. Les trois pays baltes ont intégré le mécanisme de change MCE II, antichambre de l'entrée dans la zone. Seules la Slovénie et la Slovaquie ont adopté l'euro, partagé par 16 Etats membres de l'UE.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depuis la crise, les investisseurs se méfient des pays émergents d'Europe centrale. Les devises locales sont attaquées : le zloty polonais, la couronne tchèque, le leu roumain et le forint hongrois ont perdu respectivement 32 %, 18 %, 17 % et 15 % face à l'euro depuis novembre 2008. En octobre, le forint n'avait pu se redresser que grâce à une aide de 15,7 milliards de dollars (12,4 milliards d'euros) du Fonds monétaire international (FMI). Depuis, la devise hongroise a repris sa chute.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aujourd'hui, c'est "la Roumanie qui envisage d'en appeler au FMI pour protéger ses réserves monétaires", affirme &lt;a href="http://www.lemonde.fr/sujet/aef4/christopher-kwiecinski.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;Christopher Kwiecinski&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, économiste au Crédit agricole. "Ce pays, comme la Lettonie, a beaucoup changé ces dernières années, note &lt;a href="http://www.lemonde.fr/sujet/fcd4/frank-gill.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;Frank Gill&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, analyste crédit chez Standard &amp;amp; Poor's. C'est notamment leur secteur privé, avec une trop forte dépendance aux devises étrangères, qui les rend vulnérables." Les sorties de capitaux s'accélèrent. Hongrie et Lettonie sont en quasi-faillite, et les économies les plus solides de la région - République tchèque et Pologne - ne sont plus à l'abri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Les préoccupations sur la stabilité financière à l'Est sont largement partagées. La Banque mondiale, la Banque européenne de reconstruction et de développement (BERD), et la Banque européenne d'investissement (BEI) ont annoncé, le 27 février, un soutien de 24,5 milliards d'euros au secteur bancaire de la région. Les leaders européens ont décidé, le 22 février, de doubler les fonds du FMI pour aider ces pays.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SITUATIONS DIVERSES&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais le débat sur le rythme de l'adhésion à la zone euro reste ouvert. Le président de la Commission européenne, &lt;a href="http://www.lemonde.fr/sujet/4711/jose-manuel.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;José Manuel&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; Barroso, est favorable à une entrée rapide du plus grand nombre possible de pays de l'UE dans la zone euro, tout en rappelant que les candidats doivent s'adapter aux conditions d'adhésion. "Une entrée précipitée, bénéfique à court terme, pourrait décourager à long terme les efforts de réformes de convergence", explique M. Gill.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Les pays de la région n'ont pas les mêmes faiblesses économiques. La République tchèque avait assaini son système bancaire lors de la crise de 1998. Mais au-delà de Prague, l'enthousiasme à vite rejoindre la zone euro est assez général. Le premier ministre hongrois, &lt;a href="http://www.lemonde.fr/sujet/3f93/ferenc-gyurcsany.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;Ferenc Gyurcsany&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, est allé défendre à Bruxelles la possibilité d'une accélération du processus d'adhésion de son pays. La Hongrie, qui cumule déficits jumeaux (déficit public et courant), sortie de capitaux et dépendance aux investissements étrangers, a intérêt à multiplier les protections contre les crises de change. En Pologne, le ministre des finances, &lt;a href="http://www.lemonde.fr/sujet/781f/jan-rostowski.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;Jan Rostowski&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, considère que "rejoindre rapidement l'euro est la meilleure méthode pour lutter contre la crise", comme il l'a souligné, le 19 février, devant son Parlement. L'intégration de la zone euro protège en effet des crises de change, des attaques spéculatives, et libère les firmes du coût des variations monétaires. "En 2008 en Pologne, la plupart des sociétés s'étaient couvertes contre une appréciation du zloty.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avec la dépréciation intervenue depuis l'été 2008, le choc a été brutal", précise &lt;a href="http://www.lemonde.fr/sujet/4f34/juan-carlos-rodado.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;Juan-Carlos Rodado&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, de Natixis. Quant aux pays baltes, qui ont rejoint le MCE II depuis 2004-2005, l'ouverture de leur économie et la rigidité de leur régime de change amplifient l'impact de la crise tant qu'ils ne sont pas membres de la zone euro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais l'Union économique et monétaire a aussi un coût auquel les Tchèques sont sensibles. Certains estiment qu'ils ont tout intérêt, en période de crise, à conserver la couronne tchèque pour garder les mains libres en politique monétaire. Car même si la dévaluation compétitive perd de son impact dans un contexte de crise globale, la politique de taux de la Banque centrale européenne n'est, elle, pas toujours adaptée aux pays en rattrapage économique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.lemonde.fr/economie/article/2009/03/02/l-europe-centrale-sinistree-veut-adopter-l-euro-plus-rapidement_1161970_3234.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Anne Rodier - Le Monde – 2/3/2009&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-2316671586331372069?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/2316671586331372069/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=2316671586331372069&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/2316671586331372069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/2316671586331372069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2009/03/leurope-centrale-sinistree-veut-adopter.html' title='L&apos;Europe centrale, sinistrée, veut adopter l&apos;euro plus rapidement'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-7549021953171668636</id><published>2009-02-25T02:41:00.000-08:00</published><updated>2009-02-25T02:45:29.543-08:00</updated><title type='text'>Obama apela a su ambicioso plan de reformas para superar la crisis</title><content type='html'>&lt;strong&gt;El presidente cree que "EE UU resurgirá más fuerte" si hay esfuerzos por conseguir la estabilidad financiera, mejoras en educación, independencia energética y revisión de la sanidad&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En su primer esperado discurso esta madrugada (hora española) ante el Congreso desde que tomase posesión de su cargo, el presidente de Estados Unidos, Barack Obama, ha apelado al optimismo para superar la peor crisis económica sufrida en décadas, y para ello habrá cuatro pilares fundamentales en los esfuerzos que hará su Gobierno para capear el temporal: &lt;strong&gt;estabilidad financiera, educación, independencia energética y la revisión del sistema sanitario.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El discurso, en el estilo de los del estado de la Unión, aunque no técnicamente porque Obama lleva sólo cinco semanas en el cargo, ha estado dominado por esos cuatro temas claves, sobre los que se sustenta el grueso de su política de los próximos años. El presidente ha mencionado las áreas de actuación urgente: la promoción del crecimiento económico, la creación de empleo, la estabilización del sistema financiero, la creación de una sociedad de energías renovables y la reforma del sistema sanitario para garantizar asistencia casi universal. En cambio, Obama ha preferido ahorrarse las referencias sobre hipotéticas futuras nacionalizaciones de bancos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Lo que necesitamos ahora es empujar juntos, enfrentarnos con audacia a los retos que se avecinan y tomar nuestra parte de responsabilidad en nuestro futuro", ha declarado el mandatario antes de detallar su plan de actuación para resolver la crisis. Entre las iniciativas, se encuentra el plan de estímulo valorado en 787.000 millones de dólares (unos 615.000 millones de euros) y &lt;a href="http://www.elpais.com/articulo/internacional/Obama/pone/marcha/gran/plan/salvar/economia/elpepiint/20090211elpepiint_1/Tes" target="blank"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;promulgado la semana pasada&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, que Obama lleva defendiendo desde las primeras semanas de su mandato. También esta noche el presidente estadounidense ha defendido su proyecto de profundas transformaciones políticas y económicas, que intentará hacerlas todas en cuatro años de mandato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas 48 horas antes, ante un grupo de expertos para buscar soluciones al terremoto económico, &lt;a href="http://www.elpais.com/articulo/internacional/Obama/preve/reducir/deficit/mitad/elpepiint/20090224elpepiint_1/Tes" target="blank"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;Obama prometió reducir a la mitad el déficit público&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; (heredado de la época anterior: 1,3 billones de dólares, cerca de un billón de euros) al mismo tiempo que se hacen las inversiones imprescindibles para contener la crisis. Mañana, con la presentación del presupuesto para el año fiscal de 2010, la Casa Blanca desvelará más detalles sobre cómo cumplir el objetivo de reducir a menos de la mitad en cuatro años ese gigantesco déficit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fecha para los cambios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mientras tanto, Obama ha anunciado que la reforma del sistema sanitario, necesaria debido al rápido incremento de la salud en los últimos años, comenzará esta misma semana. Ha añadido que el plan de estímulo aprobado por el Congreso incluirá fondos para la investigación en la lucha contra el cáncer y un plan de digitalización de datos. "Este presupuesto se basa en estas reformas. Incluye un compromiso histórico con una reforma del sistema de salud (...). Debemos tener un sistema de calidad y que cada estadounidense pueda permitirse", ha añadido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El mandatario, que en los últimos días había sido acusado en algunos sectores de pintar un panorama demasiado pesimista, ha sido rotundo: "Las respuestas a nuestros problemas no están fuera de nuestro alcance". El presidente se ha mostrado también muy crítico con los hábitos económicos del país de los últimos años, cuando dejó de "mirar al futuro más allá del próximo pago, el próximo trimestre o las próximas elecciones".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Las regulaciones se desbarataron para lograr un beneficio rápido a expensas de la salud del mercado. La gente compró casas que sabía que no podría costearse a bancos y prestamistas que pese a todo promovieron esos préstamos dudosos. Y mientras tanto, se pospusieron debates necesarios y decisiones difíciles para otro momento", ha destacado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aún así, el presidente ha recalcado que su programa económico permitirá crear puestos de trabajo, que los bancos vuelvan a otorgar préstamos y que se invierta en áreas como las energías renovables. "Mientras nuestra economía se debilite y nuestra confianza se tambalee, aunque estemos pasando por tiempos difíciles e inciertos, esta noche quiero que todos los estadounidenses sepáis que reconstruiremos el país, nos recuperaremos", ha asegurado Obama en su intervención en la cámara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La economía ha dominado sus palabras y sólo una pequeña mención a la política internacional, en concreto, al papel de EE UU en Irak y Afganistán, se ha salido del guión que era obligado para esta comparecencia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.elpais.com/articulo/internacional/Obama/apela/ambicioso/plan/reformas/superar/crisis/elpepuint/20090225elpepuint_7/Tes"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;El Pais – 25/2/2009&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-7549021953171668636?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/7549021953171668636/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=7549021953171668636&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/7549021953171668636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/7549021953171668636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2009/02/obama-apela-su-ambicioso-plan-de.html' title='Obama apela a su ambicioso plan de reformas para superar la crisis'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-3923046534576407469</id><published>2009-02-23T08:05:00.000-08:00</published><updated>2009-02-23T08:11:49.775-08:00</updated><title type='text'>Crise financière : la France en voie d'Islandisation ?</title><content type='html'>En octobre dernier, l'Islande était menacée de faillite à cause de ses ambitions financières démesurées. Le blogueur Omelette16Œufs du blog La pire racaille rappelle cependant que l'Europe et les Etats-Unis aussi ont eu les yeux plus gros que le ventre et que la digestion des actifs pourris n'est pas fini. La crise des subprimes est-elle vraiment derrière nous ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vous vous souvenez : c'était en octobre dernier.&lt;a href="http://www.lejdd.fr/cmc/economie/200841/l-islande-proche-de-la-faillite_155621.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt; L'Islande était menacée de faillite nationale&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; par ses deux grandes banques, sa monnaie était en chute libre. &lt;a href="http://www.lefigaro.fr/marches/2008/10/07/04003-20081007ARTFIG00730-l-islande-en-quasi-faillite-demande-un-pret-d-urgence-a-la-russie-.php"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;Le pays a demandé un emprunt à la Russie pour éviter la catastrophe&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;. Je n'ai rien contre la pays qui nous a donné Björk, mais j'avoue qu'au moment l'histoire m'avait fait sourire. En essayant de sauver ses banques de leurs dettes, c'est le pays tout entier qui se retrouve menacé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;C'est le problème des petits pays :La taille du pays, seulement 300000 habitants, limite les solutions. "Ce que nous avons appris (...) est qu'il n'est pas sage pour un petit pays d'essayer de jouer un rôle de leader dans le domaine de la banque internationale" a déclaré le Premier ministre Geir Haarde. &lt;a href="http://www.lejdd.fr/cmc/economie/200841/l-islande-proche-de-la-faillite_155621.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;(JDD)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Tiens donc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cela me rappelle une fable, mais je n'arrive pas à retrouver laquelle. Ce n'est pas Le boeuf et la grenouille ; je vois vaguement un animal qui essaie d'en manger un autre qui s'avère trop grand pour lui, avec des conséquences désastreuses. Ça vous dit quelque chose ?L'Islande était trop petite pour avaler sa part de la bulle financière internationale. Dur d'être un petit pays avec des grosses banques, n'est-ce pas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sauf que... sauf que... il devient de plus en plus évident que nous sommes tous des Islandais. Choquant, non ? J'explique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depuis le début de ce qui était alors la "crise des subprimes", il ne passe guère une semaine sans qu'on se rende compte que la surextension du monde de la finance était pire, encore pire, que ce qu'on imaginait. Et si vous lisez un peu la presse étrangère, cette impression est multipliée par dix. La France reste dans une bulle d'une autre sorte, une bulle de protection psychologique qui empêche de voir la profondeur du trou. Cette fois-ci, c'est Dagrouik &lt;a href="http://www.nakedcapitalism.com/2009/02/european-banks-toxic-debts-risk.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;qui m'a montré ce billet (en anglais)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; où est raconté une réunion avec des hommes d'affaires autrichiens persuadés que leur pays allait devoir demander l'aide de l'Allemagne pour éviter la faillite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;the German part of the contingent was amused at the Austrians' confidence that Germany would rush to their aid.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Le billet en question cite&lt;a href="http://www.telegraph.co.uk/finance/newsbysector/banksandfinance/4593539/European-banks-toxic-debts-risk-overwhelming-EU-governments.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt; ce papier du Telegraph qui cite à son tour un memo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; européen censé être confidentiel et qui souligne le danger de faillite qui menace les plus faibles États européens. Pas seulement l'Islande.Pire encore :The IMF says European and British banks have 75 % as much exposure to US toxic debt as American banks themselves, yet they have been much slower to take their punishment. Write-downs have been $738bn in the US: just $294bn in Europe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En Europe, le pire, donc, est encore plus loin, encore à venir. Qu'est-ce qui nous dit que même les grands pays sont assez solides, assez riches pour absorber toute cette dette toxique ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J'essaie de résumer : la grande bulle des dernières années peut être vue comme une multiplication démesurée des valeurs en circulation dans le monde, à travers une sorte de pyramide d'endettement (les métaphores &lt;a href="http://pire-racaille.blogspot.com/2009/01/la-pyramide.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;pyramidales&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; reviennent &lt;a href="http://lalettredejaures.over-blog.com/article-27492874.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;sans cesse en ce moment&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;). Tant que tout va bien, les dettes s'équilibrent entre elles et l'expansion peut continuer. Mais à partir de la première inquiétude, la mécanique s'enraye ; chacun commence à chercher à récupérer ce qu'on lui doit. Il faudrait alors que tout l'argent fictif deviennent réel, ce qui est impossible. Alors c'est l'effondrement : l'argent fictif disparaît, les dettes remontent de créditeur en créditeur.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nous sommes aujourd'hui dans l'effondrement. La question essentielle est celle de sa vitesse. Si demain il fallait que toutes les dettes soient remboursées, ce serait l'effondrement total et immédiat. Seule la possibilité de différer dans le temps cet effondrement permettra d'échapper aux conséquences les plus graves. C'est pour ça qu'il ne faut pas faire des billets de blog pessimistes : ça accelère le processus.En nationalisant leurs banques, les islandais n'avait pas le choix. Tout était déjà joué. L'Islande s'endette pour gagner du temps. C'est ce que le reste du monde est en train de faire, plus lentement.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pire-racaille.blogspot.com/2009/02/y-t-il-un-plan-quelque-part.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;Hier&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; je me demandais si Sarkozy avait vraiment une idée de comment organiser la sortie de la crise, outre les gesticulations et manoeuvres habituelles ("c'est pour ça qu'il faut aller plus vite dans les réformes"...[rires]). Son plan de relance est timide, n'est pas à la hauteur de la situation. On dit le plus souvent qu'il ne faut pas trop s'endetter, que la France est déjà bien suffisamment endettée. Malheureusement, il va falloir s'endetter beaucoup plus, car seule la dette publique peut effectivement différer dans le temps l'effondrement. La timidité n'aura d'effet que d'accélérer l'effondrement.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vous avez toujours rêvé d'habiter une île dans l'Atlantique du Nord? Mettez vos bottes et vos gants, car il va faire froid.Billet initialement publié sur&lt;a href="http://pire-racaille.blogspot.com/"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt; le blog La pire racaille&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; sous le titre &lt;a href="http://pire-racaille.blogspot.com/2009/02/iceland-effect.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;The Iceland effect.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.marianne2.fr/Crise-financiere-la-France-en-voie-d-Islandisation-_a175497.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;DAQUI.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-3923046534576407469?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/3923046534576407469/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=3923046534576407469&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/3923046534576407469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/3923046534576407469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2009/02/crise-financiere-la-france-en-voie.html' title='Crise financière : la France en voie d&apos;Islandisation ?'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-5431560090318114421</id><published>2009-02-19T09:23:00.000-08:00</published><updated>2009-02-19T09:27:54.396-08:00</updated><title type='text'>DOMINIQUE STRAUSS-KAHN - LE DIRECTEUR GÉNÉRAL DU FONDS MONÉTAIRE INTERNATIONAL</title><content type='html'>&lt;strong&gt;« Il faut assainir le bilan des banques et refaire fonctionner le système de crédit »&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Présent à Paris, dans le cadre notamment du Forum mondial sur la concurrence à l'OCDE, aujourd'hui, le directeur général du FMI estime qu'il faut accélérer les plans de relance et surtout procéder à l'assainissement du bilan des banques avant un retour à l'activité normale de crédit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quel est votre diagnostic aujourd'hui sur la crise ? Sommes-nous au point bas ou faut-il s'attendre à quelques mois encore de dégradation de la conjoncture ?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La situation est assez claire. L'année 2009 est déjà largement jouée et elle sera très mauvaise. Nous avions arrêté notre dernière prévision à 0,5 % pour la croissance mondiale - avec une récession de l'ordre de 2 % dans les pays avancés -, et les chiffres qui sont tombés depuis ne sont pas bons. La prochaine prévision du FMI, dans trois mois, pourrait bien s'approcher de zéro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quand l'horizon peut-il s'éclaircir ?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Je pense que le début 2010 peut être le moment de retournement, si... - il y a un certain nombre de conditions. La première question concerne les politiques publiques et les politiques de relance. J'avais appelé il y a un an à un effort massif. Aujourd'hui, le mouvement est positif, mais la mise en oeuvre reste parfois poussive. Il faut accélérer ! Surtout, le point décisif est le suivant : ces relances n'auront d'effet qu'à la condition que les mécanismes normaux de circulation du crédit fonctionnent à nouveau. Et autant je pense que le compte y est presque pour les plans de relance, autant ce n'est pas encore le cas pour l'assainissement du secteur financier et le nettoyage du bilan des banques. Le plan Geithner marque une vraie prise de conscience aux Etats-Unis. En Europe, la mise en oeuvre reste lente. Dès lors, le risque est que les plans de relance budgétaire patinent dans le vide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Y a-t-il un risque que la situation se dégrade au-delà de ces 2 % évoqués pour les pays développés ?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oui, il y a un risque que la récession s'aggrave. Mais ce n'est pas une fatalité, les politiques publiques peuvent nous permettre de résister.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qu'est-ce que vous entendez par assainissement financier ? Que faudrait-il faire de plus ? Nationaliser davantage ?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notre première évaluation des actifs toxiques dans les comptes des banques s'élevait à 1.000 milliards il y a un an, à 1.400 milliards en octobre et à 2.200 milliards en janvier dernier. Ce nombre augmente parce que de nouveaux actifs deviennent douteux à mesure que la crise s'approfondit. Toutefois, c'est moins un problème de milliards que de restauration de la confiance entre les acteurs financiers. La totalité des pertes n'a pas encore été mise au jour : environ 800 milliards l'ont été. Attention, cela ne veut pas dire qu'il en reste 1.400, puisque la valeur des actifs toxiques évolue elle-même avec le temps. Mais l'idée à retenir, c'est que nous ne sommes pas au bout. Par ailleurs, il faut faire le tri entre les banques qui vont disparaître et celles qui sont viables. Ce processus de sélection est encore devant nous.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ce processus va-t-il toucher également toutes les régions du monde ?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Non. La question se pose probablement plus aux Etats-Unis, qui comptent 8.000 banques, qu'en Europe, où le secteur est moins morcelé. En Asie, les banques étant beaucoup moins exposées, l'effet purement financier de la crise les a moins touchées. Toutefois, les milliards annoncés d'une façon globale par les pouvoirs publics sont une chose. C'en est une autre d'éplucher puis de traiter les bilans, banque par banque, pour les assainir. D'une manière générale, il faut arrêter de dire. Il faut faire. Les plans sont imposants dans leur annonce, mais ce qui a été fait dans la réalité est encore insuffisant. Il faut aller plus vite, plus fort. Le FMI a l'expérience de 122 crises bancaires dans le monde et il y a des constantes : priorité doit être donnée aux recapitalisations et au traitement global.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Redoutez-vous un second choc financier sur les banques en raison de la dégradation de la conjoncture ?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oui, un effet de second tour est possible. L'étincelle des « subprimes » a mis le feu à une poudrière : ensuite, des créances qui n'étaient pas mauvaises au départ le sont devenues du fait de la dégradation de la situation des emprunteurs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pourquoi les marchés ont-ils mal accueilli le plan du secrétaire au Trésor américain, Tim Geithner ?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parce qu'il manque encore de précision, mais c'est pourtant la bonne réponse. Il y a un certain scepticisme sur la part du plan qui s'appuie sur un appel au secteur privé. Cela ne me paraît toutefois pas inquiétant. Ce qui est significatif c'est l'ampleur du plan de relance américain, de l'ordre de 5,5 % du PIB, qui est autrement plus imposant que le 1,5 % de l'Europe même si, en Europe, les stabilisateurs automatiques sont plus efficaces.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Comment sortira le système financier de cette crise ?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Très différent. Il doit d'abord passer par une phase de contraction pour s'assainir, ce qui est difficilement compatible avec la volonté des Etats, qui est de le voir rapidement très dynamique sur le crédit. Au-delà, la question est de savoir quel sera le rôle de l'Etat demain. Pour moi, il doit mieux réguler et mieux réglementer, mais il n'a clairement pas vocation à rester au capital des banques. Le problème, aujourd'hui, est de forcer au nettoyage des bilans.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vous mettez beaucoup la responsabilité sur les Etats qui ne poussent pas assez à l'assainissement des banques. Mais celles-ci ne se montrent-elles pas frileuses ?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elles le sont parce que la confiance n'est pas rétablie au niveau mondial. Si Renault et Peugeot ne trouvent pas de financement, ce n'est pas une question de mauvaise volonté, c'est que les banques ne sont pas en situation de prêter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;L'Europe a-t-elle davantage tardé à réagir ?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ce n'est pas vrai de la Banque centrale européenne, qui a été très active depuis l'automne. Mais c'est vrai pour le plan d'assainissement du système financier. Il y a une explication de fond : la crise a démarré plus tard et l'Europe n'en est pas à l'origine. Il y a aussi une explication politique qui vaut partout : c'est difficile, aujourd'hui, d'injecter de l'argent dans des banques qui sont jugées fautives par l'opinion publique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Y a-t-il des risques sérieux de défaut de paiement de certains pays ?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Un certain nombre de pays bénéficient de notre aide. Qu'une deuxième vague de pays viennent frapper à notre porte est vraisemblable. Pour l'heure, nous avons les ressources nécessaires. Mais si nous sommes appelés à financer beaucoup d'autres programmes dans les six mois à venir, il nous faudra plus de ressources. J'ai fixé l'objectif de 250 milliards de dollars. Le Japon vient d'en fournir 100.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Comment vous situez-vous dans le débat entre la relance par l'investissement et la relance par la consommation ?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Je n'aime pas les débats théologiques. Il est inutile d'opposer l'un à l'autre. Le panachage dépend de la situation de chaque pays. L'exemple japonais montre qu'on ne peut pas s'en sortir seulement avec une politique de taux zéro. Il faut aussi assainir le bilan des banques et refaire fonctionner le système de crédit. Le cas japonais d'hier est typique des erreurs et des attentismes à ne pas reproduire.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Les craintes d'un retour au protectionnisme resurgissent. Les partagez-vous ?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oui. Néanmoins, le protectionnisme, aujourd'hui, ne se manifeste pas, comme dans les années 1930, par une hausse des tarifs douaniers. Il est plus sophistiqué et concerne au moins autant la sphère financière. Quand un pays incite ses banquiers, en contrepartie d'une aide sous forme de recapitalisation ou de garantie de dépôt, à consacrer exclusivement leurs activités de crédit au niveau national, c'est une forme de protectionnisme. Ce rapatriement des capitaux des grands pays pourvoyeurs de fonds auquel on assiste aujourd'hui n'est pas sans conséquence sur les pays émergents. Privilégier les problèmes internes sans se préoccuper des effets pervers à l'extérieur est une attitude proche du protectionniste. La crise actuelle possède deux caractéristiques. Primo, c'est la première crise des liens entre le secteur financier et le secteur réel. Secundo, elle est globale. Par conséquent, il n'y a pas de solution nationale. Tous ceux qui croient qu'ils vont sauver leurs emplois par des mesures nationales se trompent.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PROPOS RECUEILLIS PAR HENRI GIBIER, RICHARD HIAULT ET DOMINIQUE SEUX&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.lesechos.fr/info/inter/4832840---il-faut-assainir-le-bilan-des-banques-et-refaire-fonctionner-le-systeme-de-credit--.htm"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;Les Echos 19/2/2009&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-5431560090318114421?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/5431560090318114421/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=5431560090318114421&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/5431560090318114421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/5431560090318114421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2009/02/dominique-strauss-kahn-le-directeur.html' title='DOMINIQUE STRAUSS-KAHN - LE DIRECTEUR GÉNÉRAL DU FONDS MONÉTAIRE INTERNATIONAL'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-6140586630501864859</id><published>2009-02-18T13:48:00.000-08:00</published><updated>2009-02-18T13:57:13.193-08:00</updated><title type='text'>Sommet social : 2,6 milliards d'euros pour les classes moyennes</title><content type='html'>Nicolas Sarkozy a confirmé, mercredi 18 février à la télévision, les mesures qu'il compte mettre en en œuvre face à la crise économique et sociale. L'ensemble de ces mesures atteint 2,6 milliards d'euros pour l'Etat. Une enveloppe supérieure à la somme de 1,4 milliard évoquée le 5 février, jugée alors "nettement insuffisante" par les syndicats.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Excluant de nouveau toute augmentation "&lt;em&gt;massive&lt;/em&gt;" du Smic pour ne pas "&lt;em&gt;aggraver les difficultés&lt;/em&gt;" des petites entreprises, il a résumé son plan d'aide d'une phrase : "&lt;em&gt;Mon seul devoir est de soutenir les classes moyennes&lt;/em&gt;". Afin de sortir de la crise par le haut, il a répété son crédo de campagne, "&lt;em&gt;revaloriser le travail&lt;/em&gt;". "&lt;em&gt;Je vous propose le seul chemin qui vaille : celui de l'effort", a-t-il déclaré. A cette fin, il a jugé primordial que les partenaires sociaux à s'entendre sur une meilleure répartition des bénéfices en faveur des salariés : "le statu quo n'est pas tenable&lt;/em&gt;", a-t-il insisté.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Voici les principales mesures annoncées par le chef de l'Etat.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;L'augmentation de l'indemnisation des salariés au chômage partiel à 75 % du salaire brut.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; "&lt;em&gt;Il n'est pas question dans mon esprit de vous demander de renégocier les accords que vous venez de signer. Je crois en revanche que nous pourrions procéder par voie de conventions ad hoc entre l'Etat et les branches ou des entreprises données, comme nous l'avons fait pour l'automobile&lt;/em&gt;", a précisé le président. Le taux d'indemnisation est actuellement de 60 % du salaire brut. Sur ce dossier, le chef de l'Etat a demandé aux partenaires sociaux s'ils étaient prêts à un accord Etat-Unedic pour partager les coûts.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;La création pour deux ans (2009-2010) d'un fonds d'investissement social doté de 2,5 à 3 milliards d'euros&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; financé pour moitié par l'Etat et animé par une cellule de veille composée des ministres concernés et des partenaires sociaux. Cette idée avait été formulée par la CFDT, qui voulait qu'il soit doté de 5 à 7 milliards d'euros et financé par le paquet fiscal (loi TEPA). L'Elysée devrait privilégier un financement conjoint passant par l'Unedic et les fonds de la formation professionnelle. &lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Une prime exceptionnelle de 500 euros aux salariés qui deviennent demandeurs d'emploi à compter du 1er avril prochain&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; pouvant justifier de deux mois de travail. Cette prime devrait être entièrement financée par l'Etat. Son montant n'a pas été annoncé.&lt;img class="gl_italic" alt="Itálico" src="http://www.blogger.com/img/blank.gif" border="0" /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;La suppression d'une partie de l'impôt sur le revenu pour les personnes de la première tranche&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Cette mesure prendrait la forme de l'élimination d'une partie de l'impôt sur le revenu pour les familles assujetties à la première tranche d'imposition. Elle se traduit par une suppression provisoire des deux tiers provisionnels restant à payer en 2009. La mesure concernerait 4 millions de ménages. Selon l'Elysée, cela représente un gain moyen par ménage de 200 euros. Un crédit d'impôt destiné aux ménages dépassant légèrement la limite de la première tranche permettra d'étendre la mesure à 2 millions de foyers supplémentaires. &lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Une prime de 150 euros pour 3 millions de familles qui bénéficient aujourd'hui de l'allocation de rentrée scolaire&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Cette mesure aurait "un coût total de 150 millions d'euros". &lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;La mise en place de "bons d'achat" de services à la personne de 200 euros par foyer&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, pour l'aide à domicile, la garde d'enfants, le soutien scolaire ou le ménage, à certaines personnes âgées dépendantes et à certains parents pour la garde d'enfants. Parmi les bénéficiaires possibles de cette mesure, le chef de l'Etat a notamment cité les "&lt;em&gt;660 000 ménages bénéficiant de l'allocation personnalisée d'autonomie à domicile et qui ont besoin d'aide à la maison&lt;/em&gt;". Il a également ciblé "&lt;em&gt;les 470 000 bénéficiaires du complément mode de garde gagnant moins de 43 000 euros par an, qui ont besoin d'aide pour faire garder leur enfant&lt;/em&gt;", "&lt;em&gt;les 140 000 foyers qui ont un enfant handicapé" ou "les demandeurs d'emploi qui retrouvent du travail et ont besoin de solutions temporaires pour faire garder leurs enfants&lt;/em&gt;". &lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;L'encadrement des bonus des patrons&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; lorsque leurs entreprises recourent à du chômage partiel ou décident un licenciement économique. &lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Les banques sont invitées à moduler les échéances des salariés au chômage partiel&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; pour rembourser leurs emprunts immobiliers. &lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.lemonde.fr/politique/article/2009/02/18/les-propositions-de-nicolas-sarkozy-aux-partenaires-sociaux_1157211_823448.html#ens_id=1156059"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;Le Monde - 18/2/2009&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-6140586630501864859?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/6140586630501864859/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;postID=6140586630501864859&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/6140586630501864859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8392539/posts/default/6140586630501864859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/2009/02/sommet-social-26-milliards-deuros-pour.html' title='Sommet social : 2,6 milliards d&apos;euros pour les classes moyennes'/><author><name>eduardo graça</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16927877905138333560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_0vX0mlooZjA/SgogUbWsnCI/AAAAAAAAFfQ/0yyCz-qSnvs/S220/fam%C3%ADlia+029.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8392539.post-8304748370101990036</id><published>2009-02-17T08:49:00.000-08:00</published><updated>2009-02-17T16:38:13.475-08:00</updated><title type='text'>La recesión se agudiza en Japón, que sufre ya la peor crisis desde la II Guerra Mundial</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Começo hoje a publicar, com a periodicidade possível, notícias relevantes, e credíveis, acerca da crise global. Uma espécie de roteiro da primeira crise global [para memória futura.] &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Japón atraviesa la peor crisis desde la II Guerra Mundial. Así lo aseguró ayer el ministro de Economía, Kaoru Yosano, al presentar los datos del producto interior bruto (PIB) de 2008. La mayor economía de Asia y segunda del mundo se contrajo un 3,3% en el cuarto trimestre respecto al tercero -cuando lo había hecho un 0,6%-. "La economía japonesa, que depende fuertemente de las exportaciones de automóviles, maquinaria y equipos tecnológicos, se ha visto literalmente vapuleada por la crisis global", dijo Yosano. "Ésta es la peor crisis desde la guerra. No hay ninguna duda", añadió.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se trata del tercer trimestre seguido en que la actividad del archipiélago sufre un retroceso, por lo que la economía japonesa lleva en recesión desde el pasado marzo. Aunque, según algunos economistas, la recesión -que normalmente se define como contracción en dos trimestres seguidos- se remonta, usando otros parámetros, a noviembre de 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Las cifras de despidos dan fe de la magnitud de la crisis. La compañía electrónica Pioneer anunció la semana pasada que va a eliminar 10.000 empleos, a rebufo de grupos como Sony y Nissan Motor, que van a reducir 8.000 y 20.000 puestos de trabajo, respectivamente. El paro alcanzó el 4,4% en diciembre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Japón, como China, no se vio muy afectado por el desplome crediticio y del mercado inmobiliario estadounidense. Pero la fuerte dependencia de la demanda exterior, unida a la pereza del consumo interno, han provocado una desaceleración mayor que en otros países.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Las exportaciones cayeron un 13,9% en el último trimestre, respecto al anterior, mientras la inversión en empresas y fábricas descendió un 5,3%, debido a los programas de recorte de gastos. Recorte que también aplicaron las familias, cuyo consumo (más del 50% de la economía) bajó un 0,4%. La producción industrial disminuyó un 11,9%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La apreciación del yen -un 18%, el año pasado- ha agravado la situación. Los productos japoneses se han encarecido en un momento en el que la crisis ha congelado el consumo en Estados Unidos, Europa o China.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El frenazo de las exportaciones perjudica sobremanera a una economía como la japonesa, que en la última década ha incrementado su dependencia de las exportaciones. Las ventas externas representan hoy el 16% de la economía, frente al 10% en 1999.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y no parece que el escenario vaya a cambiar para Japón a corto plazo. El Fondo Monetario Internacional (FMI) calcula que el PIB nipón se contraerá un 2,6% este año, frente al declive del 2% estimado para el conjunto de países más avanzados. Según Barclays, lo más que se puede esperar de 2009 es que el desplome toque fondo. Para que Japón se recupere, hará falta que las economías de EE UU y China despeguen primero, dice el banco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El Gobierno del primer ministro Taso Aro se prepara para aprobar un nuevo paquete de estimulación de la economía, por más de 20 billones de yenes (170.800 millones de euros), centrado especialmente en proyectos de infraestructuras. Se sumaría a los anunciados en diciembre (23 billones de yenes) y octubre (26,9 billones).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.elpais.com/articulo/economia/recesion/agudiza/Japon/sufre/peor/crisis/II/Guerra/Mundial/elpepieco/20090217elpepieco_9/Tes"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;El Pais – 17/2/2009&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8392539-8304748370101990036?l=iraofundoevoltar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://iraofundoevoltar.blogspot.com/feeds/8304748370101990036/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8392539&amp;
